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Risco de transmissão do HIV e tipo de exposição

Infectologista - Risco de transmissão do HIV e tipo de exposição
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Risco de transmissão do HIV Varia de Acordo com o Tipo de Exposição

Existem várias maneiras de se expor ao vírus HIV. Para cada tipo de exposição existe um risco diferente de se infectar pelo vírus. Independente da exposição de risco, as chances de se pegar HIV nunca são de 100%.

As chances de se pegar HIV não aumentam conforme aumenta o número de exposições, mas é claro que quanto mais exposições existirem, maior os riscos de infecção. Não porque o risco é acumulativo, mas porque há mais exposição.

Por exemplo, uma pessoa pode “ganhar na loteria” jogando uma única vez, mas é claro que quanto mais vezes a pessoa jogar na loteria, maior as chances dela ganhar.

Materiais que podem transmitir o vírus HIV

  • Sangue e outros materiais contendo sangue contaminado;
  • Sêmen e liquido pré-ejaculatório;
  • Fluídos Vaginais;
  • Líquido peritoneal (liquido que fica dentro do abdômen);
  • Líquido Pleural (fica entre o pulmão e a pleura, que é uma “capinha” de proteção que envolve o pulmão);
  • Líquido pericárdico (fica entre o coração e o pericárdio, que é uma “capinha” de proteção que envolve o coração);
  • Líquido amniótico (fica dentro da placenta, protegendo o bebê que está sendo gerado);
  • Liquor (liquido que fica dentro do cérebro e no meio da coluna);
  • Líquido articular (fica dentro das articulações).

Materiais que NÃO podem transmitir o vírus HIV

  • Suor;
  • Lágrimas;
  • Fezes;
  • Urina;
  • Vômitos;
  • Secreções nasais;
  • Saliva (exceto em ambiente odontológico).

Veja na tabela abaixo o risco de transmissão para cada tipo de exposição:

risco de transmissão do HIV
* Fonte: CDC e UpToDateatualizado em Setembro de 2017.

 

Além do risco geral de infecção exposto na tabela acima, algumas condições ou características da exposição podem aumentar o risco de transmissão.

Fatores que Podem Aumentar o Risco de Transmissão do HIV

Quantidade de vírus circulando no sangue

  • No primeiro ano após a infecção pelo HIV, o vírus se encontra em maior quantidade no sangue e as chances de transmissão aumentam independentemente da situação;
  • Pessoas que já estão em fase AIDS (aquelas que já possuem a imunidade muito baixa, suscetíveis a infecções oportunistas);
  • Tomar as medicações adequadamente e manter a carga viral indetectável diminuem substancialmente o risco de transmissão.

Presença de lesões

Contato de uma área lesionada com qualquer superfície com material contaminado, seja fluido vaginal, esperma, líquido pré ejaculatório ou sangue.

  • Lesões genitais
  • Lesões penianas
  • Lesões orais
  • Lesões anais
  • Lesões de pele como úlceras, herpes, cortes e fissuras
  • Gengivites

Traumas durante o ato sexual

  • Relações sexuais com penetrações mais brutas aumentam o risco de transmissão do HIV, pois causam pequenas fissuras ou lesões dentro da cavidade, acarretando pequenos sangramentos, principalmente nas relações anais, uma vez que a mucosa anal não tem a mesma lubrificação da vagina, estando mais suscetível a este tipo de trauma.

Quantidade de material

  • O vírus HIV não sobrevive muito tempo fora do corpo humano. Contudo, alguns fatores podem aumentar este tempo de sobrevivência.
  • Independente desses fatores, acidentes perfurocortantes ou compartilhamento de agulhas grossas com sangue visível na ponta possuem maior risco de transmissão.

Presença de outras doenças de transmissão sexual

O que pode Diminuir o Risco de Transmissão?

  • Circuncisão;
  • Pessoa fonte com pouco vírus circulando no organismo (quanto menor a quantidade de vírus no organismo, menor o risco);
  • Tempo de exposição (quanto menor o tempo de exposição, menor o risco);
  • Quantidade de material contaminado (quanto menor a quantidade de material contaminado em contato, menor o risco);
  • Tamanho da área de contato (quanto menor a área da lesão, ou mucosa em contato, menor o risco).

risco de transmissão do HIV

Lembre-se:

  • A forma mais eficaz de se proteger da transmissão sexual do vírus HIV é através do uso correto do preservativo.
  • Para pessoas que se expõem ao risco com grande frequência, existe uma profilaxia pré-exposição ao HIV.
  • Para pessoas que tiveram exposição ao risco, ainda existe como se prevenir! Conheça mais sobre a Profilaxia Pós-Exposição.
  • Após a exposição, existe um tempo minimo e máximo para se descobrir se você foi infectado pelo HIV. Leia mais sobre o diagnóstico do HIV.

 

Fonte:


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Dra. Keilla Freitas
CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.


https://www.drakeillafreitas.com.br/quem-somos/

2.012 thoughts on “Risco de transmissão do HIV e tipo de exposição

  1. Olá Dra. Keilla !
    Saí com uma garota de programa por 3 vezes em meses distintos, Nestas ocasiões foram realizados testes rápidos em postos de saúde pública, por ambos, para HIV e ISTs. Todos os 3 testes deram negativo. Na última vez, cerca de 9 dias depois do último teste, fiz sexo anal insertivo por duas vezes no mesmo dia e sem preservativo. O risco neste caso é muito menor que a tabela publicada? Muito obrigado

    1. O risco é menor que o da tabela, pois a mesma considerada a relação com uma pessoa HIV positiva e no seu caso, a garota teria que estar dentro da janela imunológica, o que estatisticamente já diminui as chances.

  2. dra.keilla tudo bem?
    desculpa e ignorancia ,porém estou com duvida a respeito da situação: UMA PESSOA COM HIV SENTA NO VASO SANITARIO E LOGO DEPOIS EU SENTO, TENDO CONTATO NA PARTE DO VASO,ELE RECEM TINHA EJACULADO. CORRO RISCO?

  3. Olá Dra dedos sujos,molhados com líquido pre ejaculatario e se forem introduzidos na vagina ,tocar no clitoris,qual a chance de contaminação pelo vírus HIV?

    1. Exposição de risco para HIV é aquela onde um vírus viável (ou seja, vivo, capaz de infectar) entra em contato com o organismo da pessoa que não portadora do vírus. Para que isso ocorra, é necessário que um material contaminado com o organismo viável (sangue, fluido sexual, etc), em quantidade suficiente para infectar entre em contato direto com pele não íntegra (por exemplo, com uma ferida aberta), contato direto com mucosa (olhos, boca, mucosa genital) ou que seja introduzido pele pele íntegra com por por uma agulha que perfura a pele e leve este material direto para dentro do organismo de uma pessoa que não possui o HIV.

      Na dúvida se houve exposição ou não, ou mediante a certeza de uma exposição ao risco de se infectar, você deve procurar um médico infectologista de sua confiança para te avaliar pessoalmente e solicitar todos os exames cabíveis, não apenas os de HIV mas o de todas as demais infecções sexualmente transmissíveis e que podem ser transmitidas da mesma forma que o HIV, independente de ter sintomas ou não.

  4. Dra dedos umedecidos com líquido pré ejaculatório e introduzidos na vagina, no clítoris. O risco é alto ?

  5. Dra boa noite, liquido pre ejaculatorio na mao, fazia uma semana que havia feito uma tatuagem nos dedos, há risco caso o liquido entrou em contato com meus dedos? Uma semana a ferida ainda esta aberta?

  6. Boa noite dra. Fiz sexo oral em um rapaz, o tempo de exposição foi bem rápido, e não houve ejaculação. Sei que o risco é baixo, o fato é que horas mais cedo havia puxado uma pelinha dos meus lábios, não sei se saiu sangue. O risco aumenta nesse caso?

  7. Dra tatuagem risco pra hepatite b? O tatuador mexeu no telefone com a mesma luva que usava em mim, fazia 15 dias que tinha tomado a 2 dose da vacina.

  8. Dra Bom dia, fiz uma tatuagem, os instrumentos e tinta eram descartáveis, porem no intervalo da tatuagem o tatuador pegou no celular com a luva que usava, ele voltou a fazer a tatuagem e não trocou a luva. Ha algum risco nesse caso? Pra hiv e hepatite b? Se ele atendeu alguem antes de mim e fez a mesma coisa o virus pode ter ficado no telefone e passar pra mim. Agradeço sua atenção

  9. Dra.
    Transei com preservativo. No final o preservativo estava intacto. Mas não sei se podia ter alguma abertura impercetível ao olho humano. Entretanto fiz análises em laboratório ao fim de 18 dias e deu negativo para todas as DST (HIV, sifilis e hepatites). Li que HIV é a doença de mais dificil transmissao. A minha pergunta é: tendo em conta que deu negativo em todas as outras doenças é legitimo eu concluir que isso reduz a probabilidade de eu ter sido também contagiado pelo HIV?

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