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HIV indetectável é intransmissível

HIV indetectável é intransmissível

Last updated on janeiro 22nd, 2018 at 12:37 pm

HIV indetectável é intransmissível

Pessoas vivendo com HIV, com Carga Viral persistentemente suprimida, são incapazes de transmitir o vírus por relação sexual, mesmo sem preservativo.

Essa conclusão tem como base todo o conhecimento científico acumulado desde os anos 2.000

Foram 3 grandes estudos, realizados em várias partes do mundo com milhares de casais sorodiferentes de várias orientações sexuais e que chegaram à mesma conclusão.

Estudos científicos:

  • Estudo HPTN 052

( “Tratamento como prevenção” )

Foram acompanhados 1.763 casais sorodiferentes em 13 instituições de 9 países diferentes (Botswana, Brasil, Índia, Kênia, Malawi, África do Sul, Tailândia, Estados Unidos e Zimbábue) entre os anos de 2005 a 2015.

87% dos participantes HIV positivos foram acompanhados durante todo o estudo.

Havia casais hétero e homossexuais, mas 97% deles eram heterossexuais.

Os casais eram divididos em 2 grupos de forma aleatória: em um as pessoas HIV-positivas iniciavam o Tratamento Antirretroviral – ARV  precocemente e o outro não.

Os casais realizavam relações sexuais (vaginal e anal) sem preservativo.

Resultados preliminares de 2.011 mostraram uma redução de 96% de transmissão no grupo em uso de TARV.

Foram registrados 39 pessoas inicialmente HIV negativas, e que haviam se infectado pelo vírus.

Análises filogenéticas provaram que 28 dessas pessoas haviam sido infectadas pelos seus parceiros HIV positivos inscritos no estudo.

Desses 28, apenas 1 foi proveniente de um parceiro HIV positivo que estava em TARV.

Depois desse resultado o TARV foi oferecido para todos os participantes HIV positivos e manteve-se o seguimento até 2015.

Ao final do estudo, 78 participantes que o iniciaram com sorologias HIV negativas haviam sido infectadas.

Análises filogenéticas do vírus mostraram que 46 delas foram transmitidas pelo(a) parceiro(a) HIV positivo participante do estudo.

Desses 46, 8 ocorreram depois do inicio do TARV. Sendo que 4 ocorrem antes da supressão viral e as outras 4 durante período de falha.

O estudo concluiu que existe uma redução de 93% de transmissão do vírus HIV quando o TARV é iniciado precocemente.

O estudo HPTN 052 estabeleceu o inicio precoce do tratamento do HIV como uma das principais formas de prevenção de novas infecções.

Apesar dessas conclusões, o estudo não mostrou transmissão de infecção do vírus HIV a partir de uma pessoa com supressão viral persistente.

Não houve controle do número de intercurso sexual anal realizado e não se pôde extrapolar os resultados para casais homossexuais masculinos.

  • Estudo PARTNER 

(Maior quantidade de casais homossexuais masculinos que o HPTN 052)

Foram matriculados 1.166 casais soro diferentes em 75 clínicas de 14 países da Europa.

61.7% deles eram heterossexuais e 38.3% eram homens que faziam sexo com homens (HSH).

Todos os participantes HIV positivos em uso de TARV supressivo. Ou seja, Carga Viral menor que 200 cópias/ml

Foram 58.000 relações sexuais sem o uso de preservativo entre setembro de 2010 e Maio de 2014. 22.000 deles entre HSH.

17,5% dos participantes tiveram alguma IST em algum momento do estudo.

Houveram 11 novas infecções pelo HIV durante o estudo. Mas a análise filogenética do vírus mostrou que nenhuma delas havia sido transmitida pelo(a) parceiro(a) com carga viral suprimida.

Novamente, não houve controle sobre o número de relações sexuais pela via anal

  • Estudo Opposites Attract

HIV indetectável é intransmissível )

Foram acompanhados 358 casais sorodiferentes de 3 diferentes países (Austrália, Brasil e Tailândia) entre os anos de 2.012 e 2.015.

Dessa vez, todos os casais eram homossexuais homens

Estes casais praticaram no total, 17.000 atos de sexo anal sem camisinha durante o período de estudo.

6% dos atos sexuais anais relatados foram feitos enquanto um dos parceiros tinha alguma outra IST.

Houveram 3 novos casos de Infecção por HIV durante o estudo.

Mas a análise filogenética do vírus comprovou que nenhuma delas foi transmitida pelo parceiro com carga viral suprimida.

Diminuição do número de casos novos de infecção pelo HIV:

Nos Estados Unidos, o número de novos casos de HIV entre homens gays vinha aumentado a cada ano.

Mas entre 2010 e 2014 houve diminuição do número de novos casos entre os homens gays ou bissexuais brancos.

Entre homens gays afrodescendentes, este número se manteve estável neste mesmo período.

Fato: não existe grupo de risco para HIV. O que existe é estilo de vida de risco.

Contudo, homens que fazem sexo com homens (HSH) representam 2% de toda a população dos Estados Unidos.

Mas ainda em 2015, 70% das pessoas vivendo om HIV eram HSH, incluindo os 3% de soro HIV-positivos que eram usuários de drogas injetáveis.

Esses dados não possuem relação com a orientação sexual e sim com o tipo e frequência das exposições ao risco.

Cada tipo de exposição sexual possui diferente risco de transmissão.

Os principais fatores de prevenção de novas transmissões são:

  • Diagnóstico precoce
  • Início precoce do tratamento
  • Boa adesão ao tratamento
  • Supressão viral sustentada
  • Uso de PrEP em relações com pessoas de sorologias desconhecidas para HIV sabidamente HIV positivas sem imunossupressão viral.

Supressão Viral x Carga Viral indetectável

Consideramos supressão viral uma carga viral (PCR-HIV) abaixo de 200 copias/ml

Carga Viral indetectável é a carga viral (PCR-HIV) abaixo dos limites detectáveis pelo exame.

No Brasil, consideramos indetectável uma taxa menor que 40 cópias/ml, mas alguns exames mais sensíveis, conseguem identificar níveis ainda menores.

De acordo com os estudos, situações de aumento transitório de carga viral (como vacinação) ou a presença de Infecções Sexualmente transmissíveis, não influenciam na transmissão do HIV nesses pacientes

Fatores que devem ser levados em consideração:

Campanha: “HIV indetectável é intransmissível ” no mundo:

Esta campanha foi lançada em 2016 com o Slogan “U=U” (do inglês: Undetectable=Untransmissable que significa Indetectável  = Intransmissível)

A ideia era ampliar o acesso ao diagnóstico como forma de prevenção.

Essa campanha ganhou força rapidamente sendo adotada por mais de 400 organizações em mais de 60 países em poucos meses.

Campanha: “HIV indetectável é intransmissível” no Brasil

No Brasil esta campanha teve início no final de 2017.

A secretaria de saúde do estado de São Paulo, afirmou em Nota Informativa de Dezembro de 2017 que “Indetectável é igual a Intransmissível” desde que respeitado os fatores já comentado neste artigo.

Nem tudo é HIV

Saber que HIV indetectável é intransmissível é fundamental para a diminuição do estigma e preconceito tanto da própria pessoa que vive com HIV quanto da sociedade.

Contudo, vale lembrar que:

  • Existem várias outras Infecções Sexualmente Transmissíveis – ISTs, curáveis ou não, que podem causar sérios danos à saúde.
  • Uma pessoa não precisa ter sintomas para estar infectada por uma IST e uma vez infectada ela pode transmiti-la.
  • Toda vez que ocorrer uma exposição ao risco de IST, um médico Infectologista deve ser consultado e devem ser realizadas testes específicos para diagnosticar cada uma das ISTs

Apenas o sexo com o uso adequado do preservativo pode evitar a maioria dessas infecções.

 

HIV indetectável é intransmissível

 

Referências:

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Dra. Keilla Freitas
Dra. Keilla Freitas
Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.
http://www.drakeillafreitas.com.br/

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