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Como o vírus HIV age no organismo humano

Last updated on janeiro 8th, 2018 at 11:59 pm

Como o vírus HIV age no organismo humano

Como é o vírus HIV ?

Existem 2 tipos de vírus HIV: HIV 1 e HIV 2

O vírus HIV é uma minúscula partícula esférica composta por material genético, proteínas e enzimas.

Como o vírus HIV age no organismo humano:

 – Resposta do nosso organismo ao vírus HIV –

Primeiro contato do Vírus HIV com o organismo

O Vírus entra no organismo através do contato direto do vírus presente no material contaminado com:

  • Mucosas (genital, anal, nasal, oral, ocular),
  • Portas de entrada na pele,
  • Introduzidos por material pérfuro-cortante.

Muitas vezes a infecção é causada por um único vírus.

Horas após o primeiro contato com a mucosa, o vírus HIV e as células infectadas atravessam a barreira da mucosa, infectando as células que se encontram ali, especialmente, mas não apenas, as células linfócitos CD4.

Como o vírus HIV age no organismo humano:

– Quais são as células nas quais o vírus latente pode se esconder? –

  • Células linfócitos CD4 ativas, ou seja, que estão correndo pelo sangue
  • Células linfócitos CD4 de repouso, que são células de memória de longa duração
  • Monócitos (célula de defesa)
  • Macrófagos (célula de defesa)
  • Células dendríticas (célula de defesa)
  • Células progenitoras hematopoiéticas (dessas células se desenvolvem todas as células do nosso sangue)
  • Células do sistema nervoso (micróglias)

Como o vírus HIV age no organismo humano:

 – Estratégia do Cavalo de Troia –

Assim que o organismo toma o conhecimento de um agente invasor, várias células de defesa são enviadas para o local da invasão.

As células de defesa que ” engolem” o vírus para metabolizá-lo e apresentá-lo para as células produtoras de anticorpos, acabam por inserir ainda mais o agente infeccioso dentro do sistema imune.

Com a chegada de mais células, tentando combatê-lo, acaba por aumentar a replicação (reprodução) viral.

  • Como o vírus se multiplica

O vírus HIV não consegue se replicar (multiplicar) sozinho.

Por isso ele pega carona na “fábrica” da célula do hospedeiro, entrando como um espião e fazendo com que a célula do hospedeiro trabalhe para fazer novos vírus.

Fase de Eclipse

Tempo entre o primeiro contato com o vírus e o inicio da detecção do mesmo no sangue.

Esse período costuma durar 10 dias a partir da data da exposição.

Durante a fase de Eclipse, nenhum teste consegue fazer o diagnóstico do vírus.

Como o vírus HIV age no organismo humano:

 – Disseminação viral –

A partir dessa pequena população de células infectadas, o vírus é disseminado inicialmente para os linfonodos locais.

Linfonodos ou gânglios linfáticos são estruturas que fazem parte de nosso sistema imune.

Têm um formato parecido ao de um ovo ou feijão e seu tamanho normal não passa de 1 cm de diâmetro.

Estão localizados em vários pontos estratégicos do nosso corpo. Por eles, passa toda a linfa.

Linfa é um fluído que concentra tudo o que sobra do metabolismo de nosso organismo.

Ela viaja através dos vasos linfáticos, sistema complementar às artérias e veias, saem de todos os órgãos e tecidos, passam pelos linfonodos e chegam às grandes veias.

Os linfonodos funcionam então como um filtro purificador da linfa.

É como um posto do exército, pois ao passar qualquer coisa ali que pode ser interpretada como ameaça, as células da defesa que ali ficam (como os linfócitos), acionam o alarme do sistema de defesa (sistema imunológico).

O vírus se espalha em número suficiente para estabelecer e manter a produção de vírus nos tecidos
linfoides, além de estabelecer um reservatório viral latente, principalmente em linfócitos T CD4+.

Infecção aguda pelo HIV

A replicação viral ativa e a livre circulação do vírus na corrente sanguínea causam a formação de um pico de viremia por volta de 21 a 28 dias após a exposição ao HIV.

Em algumas pessoas, podem ocorrer sintomas de fase aguda do HIV. Isso ocorre por causa dos altos níveis de HIV no sangue.

Essa viremia está associada a um declínio acentuado no número de linfócitos T CD4+.

Fase Latente

Depois da fase aguda, os anticorpos criados pelo organismos conseguem diminuir o número de vírus no sangue.

Com isso, a taxa de vírus no sangue cai até um nível específico e os níveis de linfócitos CD4 voltam a subir até um nível específico para cada pessoa.

Neste momento a infecção entra num período de latência.

Durante a fase de latência, o hospedeiro não apresenta nenhum sintoma, enquanto a infecção se desenvolve.

A carga viral vai então voltando a subir de forma mais lenta, enquanto o número de linfócitos CD4 vai abaixando lentamente até chegar na fase AIDS.

O tempo da fase de latência varia de pessoa a pessoa.

Mas o vírus está longe de causar apenas a queda das células de defesa. Ele causa um processo inflamatório generalizado crônico que aumenta com o maior número de vírus circulando no organismo.

Como o vírus HIV age no organismo humano:

Porque o sistema imune não consegue combater o vírus?

Na fase de expansão e disseminação sistêmica, há a indução da resposta imunológica, mas esta é tardia e
insuficiente.

Além disso, a ativação do sistema imune produz uma quantidade adicional de linfócitos T CD4+ ativados que servem de alvo para novas infecções.

Ao mesmo tempo, o número crescente de linfócitos T CD8+ exerce um controle parcial da infecção, mas não suficiente para impedir por si só a lenta e progressiva depleção de linfócitos T CD4+.

A única forma de impedir o desenvolvimento da infecção pelo HIV é através do Tratamento Antirretroviral 

Como o vírus HIV age no organismo humano:

 – O que é vírus em estado de latência? – 

O material genético do vírus HIV fica inerte dentro das células infectadas.

Neste estado eles não se multiplicam. É como se estivessem “hibernando” escondidos dentro das próprias células do nosso corpo.

Fonte:

Como o vírus HIV age no organismo humano

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Dra. Keilla Freitas
Dra. Keilla Freitas
Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.
http://www.drakeillafreitas.com.br/

20 thoughts on “Como o vírus HIV age no organismo humano

  1. Olá doutora, há 1 mês fui ao hospital particular fazer um hemograma.Ocorre que a enfermeira retirou do bolso do jaleco a seringa com a agulha, não vi se ela usou um material descartável ou já utilizado.E hj estou com febre,dor garganta e manchas. Será que corro o risco de ter contraído HIV ou outra doença?Obrigd

  2. Checkup pre casamento quais exames de dst devem ser feitos. Tem exames no checkup para gonorreia herpes hiv sifilis hepatite b e c clamidia hpv? Quais exames o casal deve fazer alem desses citados? E se esses citados sao possiveis fazer?

    1. Olá Jardel. O vírus HIV aloja-se no cérebro, no coração, no rim, em lotes de diferentes tecidos do corpo humano. O vírus ataca um tipo de glóbulo branco (célula de defesa). No processo, o HIV aloja seu genes no DNA da célula atingida e passa a utilizá-la para se multiplicar e, com isso, contaminar novas células. Com a redução do número desses glóbulos brancos, o organismo começa a perder a capacidade de combater doenças até atingir o ponto crítico que caracteriza a Aids. Por isso a importância de um rápido diagnóstico e já início do tratamento.

  3. Olá Dra Keila, desculpe a invasão, mas estou curioso em saber algo a qual a literatura não me respondeu, talvez a sua experiência possa me responder. Olha só tenho uma dúvida. Uma pessoa que é soropostiva (portador do vírus Hiv) os vírus ficam na corrente sanguínea e também dentro das células cd4+ e cd8+, a partir do momento que esse indivíduo inicia o tratamento com antirretrovirais (coquetel), os vírus presentes na corrente sanguínea são destruídos e eliminados,

  4. Olá Doutora, Eu usei uma Gillete de um Soropositivo mas não vi resíduos de sangue na hora e não foi logo depois dele usar. Tem chances de contrair?

  5. Dra. Tive exposição c sexo Oral, após 30 dias senti sintomas semelhantes ao HIV. Fui ao clínico q passou o Elisa 4° Geração e vários outros para o diagnóstico diferencial. O resultado deu NÃO reagente p Hiv, porém POSITIVO para o vírus epstein barr. O médico disse q já desconfiava do epstein barr e atestou isso. Porém, voltei ao mesmo médico 105 dias após a exposição e pedi outro Elisa. Deu Negativo novamente. Eu posso descartar o HIV? O médico garantiu que não tenho hiv, posso atestar isso?

      1. Obrigado Dra. Keilla Freitas, você é uma profissional em excelência. Muito grato pelas tuas observações. Abraço!

  6. Olá Doutora . Há três anos eu fiz minha unha usando alicate da manicure , fazia mais de 1 hora que ela não estava usando o alicate , e houve um pequeno corte enquanto ela fazia minha unha , eu tenho risco de ter contraído o vírus ?

    1. Boa tarde. Para que você contraia o vírus do HIV, tem que ocorrer uma mini-transfusão de sangue. O sangue fresco contaminado com o vírus vivo tem que ser injetado em boa quantidade pelo menos embaixo da tua pele ou mais profundamente.
      No caso da alicate, se o cliente anterior tiver o HIV, o vírus provavelmente já terá morrido. Sendo assim, o risco é muito baixo de ter contraído o HIV. O risco é maior para infecção por Hepatite C.

  7. Doutora, tive uma situação de risco à 120 dias, fiz dois testes rápidos, um com 95 dias e outro c 120 dias, todos não reagentes, mas mesmo com 120 dias tenho sintomas de fase aguda, isso interfere no exame?

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