Você está aqui
Home > HIV/AIDS > A Cura do HIV está próxima?

A Cura do HIV está próxima?

Compartilhe
  • 16.6K
    Shares

A Cura do HIV está próxima?

De todas as conquistas que a humanidade teve contra o HIV nestes últimos 30 anos, a  Terapia Antirretroviral (TARV) é a maior delas.

Contudo, a ciência segue buscando caminhos para a cura.

É importante que todas as pessoas tenham consciência das dificuldades que os cientistas enfrentam para alcançar essa “cura”.

Benefícios da TARV:

  • Supressão viral ou Carga Viral Indetectável por mais tempo
  • Restaurar e preservar a função imunológica
  • Melhor qualidade de vida
  • Maior expectativa de vida
  • Prevenção de transmissão do HIV em situações de contato com o sangue infectado
  • Prevenção da transmissão sexual do vírus (Carga viral menor no sangue causa carga viral menor nos fluidos sexuais)
  • Prevenção de transmissão vertical (especialmente se carga viral abaixo de 50 cópias/ml)

Limitações da TARV:

  • Os remédios atuam apenas no momento em que o vírus está se multiplicando.
  • Para atuar, os remédios precisam de uma ajuda do próprio sistema imune
  • O paciente precisa tomar o medicamento todos os dias de sua vida, caso contrário, ocorre um aumento rebote da viremia.
  • Alguns pacientes podem apresentar efeitos adversos importantes e constantes que podem atrapalhar sua qualidade de vida.
  • Os medicamentos podem causar efeitos tóxicos importantes obrigando a troca de esquema.
  • Custo elevado

É por essas e outras limitações do tratamento, que apesar de sua grande eficácia a cura segue sendo buscada.

Quais são os maiores obstáculos para Cura do HIV?

  • Potência limitada do tratamento com os antirretrovirais existentes

Os antirretrovirais (ARVs) conseguem suprimir a carga viral circulante no sangue e evitar a progressão da infecção.

Não é capaz de suprimir 100% dos vírus existentes no organismo.

  • A latência do vírus HIV

Contudo, eles são incapazes de penetrar nos reservatórios virais formado pelos vírus em estado de latência.

  • A criação dos santuários ou reservatórios

O vírus se aloja em locais que os ARVs não alcançam ou chega em uma quantidade muito reduzida.

Latência do vírus HIV

O material genético do vírus HIV fica inerte dentro das células infectadas.

Neste estado eles não se multiplicam. É como se estivessem “hibernando” escondidos dentro das próprias células do nosso corpo.

Quais são as células nas quais o vírus latente pode se esconder?

  • Células linfócitos CD4 ativas, ou seja, que estão correndo pelo sangue;
  • Células linfócitos CD4 de repouso, que são células de memória de longa duração;
  • Monócitos (célula de defesa);
  • Macrófagos (célula de defesa);
  • Células dendríticas (célula de defesa);
  • Astrócitos;
  • Micróglias (Células do sistema nervoso).

O HIV não infecta células permanentes

Todas as células infectadas pelo vírus HIV, são células que podem ser eliminadas.

Existem 2 tipos de reservatórios ou santuários:

  • Reservatório raso (células infectadas que contém vírus latente mais fáceis de ativar)
  • Reservatório profundo (células infectadas que contém vírus latentes que não são ativados pelas técnicas atuais)

Onde os reservatórios estão localizados?

  • Sistema nervoso central
  • Testículos / Ovários
  • Órgãos linfoides (linfonodo, trato gastro intestinal, timo)

Pacientes com resistência natural à infecção crônica pelo HIV

Para entrar na célula do hospedeiro, o vírus HIV usa uma porta de entrada.

A maioria dos vírus HIV utiliza como porta entrada, um receptor chamado CCR5.

1% das pessoas possuem um gene mutante e não expressa o CCR5, logo a maioria dos vírus HIV não conseguem entrar na célula.

Contudo, existem alguns vírus que não utilizam o CCR5 como porta de entrada. Assim, mesmo pessoas com esta mutação genética, poderiam ter  circulação do vírus no organismo.

Pacientes controladores de elite

Cerca de 1 a 3 % da população geral possui controladores de elite para o HIV

  • São pessoas que possuem sorologia positiva para HIV
  • Não realizam Tratamento para o vírus (não tomam antirretrovirais)
  • Manter o número de vírus no sangue abaixo dos limites detectáveis pelos exames
  • Mantém níveis estáveis de linfócitos CD4

Estima-se que 1/3 dessas pessoas, acabam, por perder este status de controlador de elite após mais ou menos 8 anos de infecção.

Uma vez perdido este status, caso a pessoa não se trate, haverá a evolução da infecção pelo HIV.

Tipos de cura do HIV

Existem 2 tipos de cura:

O que é cura funcional do HIV?

Ausência de replicação viral no sangue sustentada por um longo período, mesmo sem TARV, mesmo que ainda exista algum vírus latente no corpo.

De maneira geral, ao interrompermos o tratamento do HIV, o vírus volta a ser detectado no sangue em até 2 meses.

Isso ocorre pois os vírus que estão nos reservatórios, começam a sair do estado de latência.

O que é cura esterilizante ou definitiva?

O único caso de cura esterilizante do HIV em toda a historia da humanidade foi do senhor Timothy Ray Brown.

O caso ficou conhecido com Paciente de Berlim

Cura Funcional do HIV

Como alcançar a cura definitiva?

  • Intensificar o tratamento para reduzir a replicação viral residual
  • Inicio precoce do tratamento do HIV para diminuir a formação dos santuários (menor células em latência)
  • Estimulação da interrupção do estado de latência viral (moléculas inibidoras da enzima que leva as células para latência

Estratégias para a cura

Estratégia – Tratamento plenamente supressor por muito tempo:

Alguns estudos com modelo matemático calculam que se conseguíssemos tirar todos os vírus HIV do organismo do estado de latência, com tratamento plenamente supressor.

Haveria uma queda constante da quantidade de células infectadas.

Tempo de 54 a 77 anos para curar a infecção crônica do HIV, dependendo da quantidade de células latentes no organismo.

0,1 a 0,0001% das células do organismo quanto maior o tempo de infecção não tratada, maior a quantidade de células latentes (reservatórios).

Estratégia – retirar vírus do estado de latência

Medicamentos inibidores da latência:

  • Vorinostat (SAHA) (medicamento usado para tratamento da micose fungoide)
  • Dissulfiram
  • JQ1
  • Panobinostat
  • Romidepsin
  • Bryostatin-1
  • Prostatin

A melhor forma para se tirar o vírus da latência é associando-se pelo menos 2 deste medicamentos.

Estratégia – Substituição das células do sistema imune através de modificação genética

Estratégia – Choque e morte (Ativar a replicação das células latentes e matá-las)

As estratégias de “choque e morte” poderia expulsar os vírus latentes dos reservatórios “rasos” e eliminá-los

Estratégia – Silenciamento permanente

Em seguida, as estratégias de “silenciamento“, acompanhadas de potente vigilância imunológica anti-HIV.

Esta estratégia busca a inativação permanente do vírus latente.

O caminho mais lógico parece ser a soma de estratégias. Alcançando assim a cura funcional do HIV

Caminhos para a cura – Linhas de pesquisa

  • Mais investigações sobre os mecanismos de latência do HIV são necessárias para o desenvolvimento de novas estratégias de cura.
  • Novas pesquisas genéticas e o desenvolvimento de imunotecnologias que possam reconhecer e matar as células infectadas.
  • Novos métodos de engenharia genética capazes de realmente bloquear o vírus latente dentro dos reservatórios.
  • Mecanismos para substituição do sistema imunológicos mais eficazes e menos arriscadas.

 

Fonte:  

 


Compartilhe
  • 16.6K
    Shares
CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

13 thoughts on “A Cura do HIV está próxima?

  1. Com 345 dias de exposição ao risco … Com um resultado NAO REAGENTE .. método quimioluminescência abboot . Posso excluir o caso do hiv?.. Esse método. E eficaz igual a o ELISA?

    1. Com relação ao HIV, Teste diagnósticos específicos realizados em locais de confiança (ou seja, aqueles locais nos quais você confia no resultado do teste) após o período máximo da janela imunológica (tempo entre contato com o vírus e o aparecimento de resultado positivo ou reagente pelo exame) descartam o diagnóstico de HIV. No caso do teste de 4 º geração, um resultado negativo a partir dos 90 dias após a última exposição de risco, já exclui o caso. No caso de teste de 3 geração, o tempo máximo é de 180 dias.
      Na dúvida, consulte pessoalmente um infectologista, ele é o profissional indicado para te avaliar e interpretar os seus resultados especificamente.

  2. Doutora,
    Fiz um teste rápido com 23 dias após exposição, pois passei mal com febre , dor atrás dos olhos e dor de cabeça. Nesse exame rápido apresentou uma mancha fraca sinalizando positivo para HIV, porém no contra-teste rápido apresentou negativo. No mesmo dia fiz o ELISA que constatou 38,0, (positivo) porém o Western Blot apresentou indeterminado com presença de apenas a proteína gp41. Há chances de não ter HIV?
    Fiz outro exame após 55 dias e aguardo o resultado.

    1. Estes testes não confirmam nem descartam HIV. o medico infectologista que está te acompanhando deve te explicar quais serão os próximos passos, se houver a possibilidade de fazer um teste de molecular tipo PCR (aqueles de carga viral), geralmente consegue, confirmar este casos quando se tratam de infecção recente.

  3. Dra td bem?
    Recebi sexo oral de um garoto POSITIVO , que meia hora antes teve sangramento nasal pq machucou com cotonete. O sangramento foi pouco e parado com algodão.
    Ele fez oral em mim por 30 seg, mas meu pênis machucou, tipo esfolado.
    Devo recorrer ao PEP?

    1. Exposição de risco para HIV é aquela onde um vírus viável (ou seja, que vivo, capaz de infectar) entra em contato com o organismo da pessoa que não portadora do vírus. Para que isso ocorra, é necessário que um material contaminado com o organismo viável (sangue, fluido sexual, etc), em quantidade suficiente para infectar entre em contato direto com pele não íntegra (por exemplo, com uma ferida aberta), contato direto com mucosa (olhos, boca, mucosa genital) ou que seja introduzido pele pele íntegra com por por uma agulha que perfura a pele e leve este material direto para dentro do organismo de uma pessoa que não possui o HIV.

      Ná dúvida se houve exposição ou não, ou mediante a certeza de uma exposição ao risco de se infectar, você deve procurar um médico infectologista de sua confiança para te avaliar pessoalmente e solicitar todos os exames cabíveis, não apenas os de HIV mas o de todas as demais infecções sexualmente transmissíveis e que podem ser transmitidas da mesma forma que o HIV, independente de ter sintomas ou não.

  4. Dra. Uma pessoa recém infectada, menos de um ano de exposição, ao iniciar o tratamento pós descoberta, tem mais chances de retardar o vírus, e sofrer menos efeitos colaterais ?

  5. Exames realizados aos 7/15/28/60 e 79 dias todos 4 geração em 3 laboratórios diferentes e mais 3 testes rápidos no cta aos 39 e 61 dias todos não reagentes posso encerrar o caso?
    Suposta exposição sexo oral e vaginal com camisinha e apos a relação retirei a camisinha com a mão e peguei no pênis para lavar não me lembro se foi na mucosa em relação a secreção nos dedos tem risco para contrair hiv

  6. Dra duas dúvidas
    1 existe risco de transmissão hiv ao receber sexo oral de parceiro soropositivo indetectavel?
    2 algum risco de contrair hiv com sexo com camisinha insertivo parceiro sorologia desconhecida ?

  7. Dra tenho duas duvidas:
    1 – receber sexo oral de soropositivo indetectavel e logo apos sentir dor corpo e 7 dias dor garganta pode ser risco ou e piscologico
    2- algum risco de dst para sexo insertivo mesmo com camisinha em parceiro desconhecido

    1. 1- isso não tem relação com o HIV, se tem sintomas, sugiro que procure um médico Infectologista de sua confiança para te avaliar pessoalmente e solicitar todos os exames cabíveis para o seu caso.
      2- se a camisinha foi usada adequadamente durante todo o ato, tirando infecções com lesões ativas, os riscos para outras ISTs são mínimos.

Deixe uma resposta


*Os comentários são limitados a 500 letras. Obrigada.

Top