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Cura do HIV – casos de pacientes que indicam o caminho

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Cura do HIV – casos de pacientes que indicam o caminho

Existem vários casos de cura funcional do HIV (nos quais os pacientes conseguiram ficar um tempo sem remédios, mas depois o vírus voltou a aparecer no sangue).

Existe apenas um caso de cura definitiva do HIV.

De todo jeito, cada caso de sucesso, é um passo a frente na busca pela cura dessa infecção.

* “Paciente de Berlim”

Cura do HIV – casos de pacientes que indicam o caminho

Único caso de cura esterilizante do HIV na história

Timothy Ray Brown, nascido em 1966, nos Estados Unidos.

Diagnosticado com HIV- 1 nos anos 90, quando estudava em Berlim, Alemanha.

Diagnóstico de Leucemia com Transplante de medula óssea em 2000.

Cura do HIV publicada em 2009.

 Como foi sua historia:

Ele desenvolveu um tipo de câncer no sangue chamada de leucemia mieloide aguda.

Ele foi tratado através de um transplante de medula óssea, tendo recebido esta medula de uma outra pessoa.

O doador, possuía uma mutação genética que confere resistência natural à infecção crônica pelo HIV

Após o transplante, mesmo sem tratamento para o HIV, não foi mais encontrado o vírus no sangue ou tecidos.

Inclusive a sorologia para o HIV ficou negativa, ou seja, nos exames de sangue nem sequer aparecia os anticorpos de contato prévio com o HIV.

Mesmo nos controladores de elite e pessoa com resistência natural ao HIV,  estes exames sorológicos são positivos.

Pois existe o registro de contato prévio com o vírus , através dos anticorpos.

O caso de Timothy é único por vários motivos:

  • Durante o processo de quimioterapia, que mata as células do organismo, os reservatórios do vírus também são eliminados
  • A quimioterapia também eliminou outras células do organismo que não possuíam a mutação genética protetora contra o vírus
  • Encontrar um doador de medula compatível não é fácil. Para se ter uma ideia, o banco de registro de doação é mundial.
    Timothy não apenas conseguiu um doador compatível, como essa pessoa fazia parte de 1% da população que possui este tipo de mutação genética que confere resistência natural à infecção pelo HIV
  • Efeitos adicionais de rejeição ao enxerto que pode ocorrer após o transplante de medula, pode ter contribuído para eliminar o restante das células infectadas. (reservatórios)

 

Pacientes de Boston

Cura do HIV – casos de pacientes que indicam o caminho.

Apenas o Transplante de medula não é o suficiente para a cura esterilizante.

2 pacientes com diagnóstico de linfoma de Hodgkin ( tipo de câncer).

Eles receberam quimioterapia nas quais grande parte das células cancerígenas ( e dos reservat´roios do HIV) foram eliminados.

Depois, receberam, um transplante de medula óssea, mas de uma pessoa sem a mutação genética que impede a expressão do CCR5.

Ou seja, o doador não era naturalmente resistente à infecção crônica pelo HIV como era o doador do Timothy R. Brown

Após o transplante, ambos não tinham mais registro de células do HIV em sangue, cultura ou biópsia de tecidos, mas seguiam mantendo o remédios

Decidiu-se, então por interromper o tratamento do HIV

Após a interrupção da medicação, houve um retorno da viremia (vírus no sangue).

Um dos pacientes retornou a viremia 3 meses após a interrupção do tratamento e o outro com 8 meses.

Um dos pacientes, inclusive, apresentou sintomas de infecção aguda.

Conclusão: se há uma menor quantidade de células latentes (diminuição de reservatórios), o tempo para o retorno da viremia é maior.

“Bebê de Mississipi”

Cura funcional do HIV

Transmissão vertical (transmissão de mãe para bebê).

Gestante não sabia que era portadora de HIV. O diagnóstico de HIV foi feito no momento do parto.

Havia uma quantidade de carga viral relativamente baixa na criança mostrando que a infecção havia ocorrido periparto.

Foi iniciado tratamento imediado com Zidovudina, Lamivudina e Nevirapina.

Logo após o primeiro mês de vida a Nevirapina foi trocada pelo Lopinavir.

Essa criança foi tratada até os 18 meses quando a mãe abandonou o tratamento e acompanhamento (ou seja, deixou de levar o bebê ao médico e não lhe deu mais remédios).

Essa criança permaneceu com carga viral indetectável no sangue por 23 meses após a interrupção do tratamento.

Após este tempo, a viremia retornou.

Controladores de elite pós tratamento

Cura do HIV – casos de pacientes que indicam o caminho

  • Estudo VISCONTI

Fabricação de controladores de elite

Alguns estudos tentam produzir os efeitos de um controlador de elite através do inicio imediado do tratamento do HIV durante a fase aguda da infecção.

Estudo observou pacientes que foram tratados durante a infecção aguda pelo HIV e depois o tratamento foi interrompido.

1/3 das pessoas estudadas viraram controladores de elite. Foram  chamadas de ” controladores pós tratamento”.

Essas pessoas não possuem evidência de viremia. mesmo sem tratamento.

No entanto, possuem evidência de infecção pelo HIV (sorologia para HIV positiva ou reagente).

Conclusão: Realizar um tratamento na fase aguda da infecção pelo HIV poderia aumentar a incidência de um fenômeno que ocorre naturalmente entre 1 a 3 % das pessoas, para 1/3.

 

Fonte:


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CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

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