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Síndrome do Arroz Frito – É Seguro Requentar Comida?

Infectologista - Síndrome do Arroz Frito – É Seguro Requentar Comida?
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Nos dias atuais, é comum ver uma fartura de comida na mesa, muitas vezes até mais do que o necessário, seja por falta de planejamento ou até mesmo por conta das necessidade de cada pessoa. Um exemplo são as famosas marmitas para levar no trabalho ou na escola, que muitas vezes são feitas no dia anterior ao consumo.

Se você pensa que preparar seu próprio alimento pode inibir as chances de uma intoxicação alimentar, está totalmente enganado. Continue a leitura deste artigo e saiba mais sobre os riscos de desenvolver uma intoxicação alimentar, assim como as melhores maneiras de preveni-la.

Intoxicação Alimentar – O que é?

A intoxicação alimentar é uma doença comum causada pela ingestão de alimentos contaminados por bactérias, vírus ou parasitas prejudiciais ao corpo humano. As principais fontes de contaminação são as carnes cruas, frangos, peixes e ovos. Caso o alimento infectado entrar em contato com superfícies próximas, pode se espalhar rapidamente para outros alimentos.

Também existe a possibilidade da intoxicação ocorrer com alimentos que ficam expostos ao ar livre ou armazenados por muito tempo em um único recipiente fechado, fazendo com que as bactérias, protozoários ou vírus se multipliquem de forma rápida e muitas vezes imperceptível.

Síndrome do Arroz Frito

Um dos alimentos mais consumidos pelas pessoas pode ter consequências negativas se guardado para comer mais tarde. O arroz, quando armazenado para ser comido posteriormente, mesmo depois de cozido ainda pode conter algumas bactérias capazes de gerar intoxicação alimentar.

A bactéria de nome Bacillus cereus é resistente às altas temperaturas do cozimento e pode liberar diversas toxinas, uma vez que após cozido, o arroz normalmente é deixado em temperatura ambiente por aproximadamente 1h30 ou 2 horas. A contaminação ocorre neste período de tempo, já que fatores como a umidade e o agrupamento de grãos pode facilitar a germinação e multiplicação das bactérias, gerando a produção de enterotoxinas do tipo cereulide.

Bacillus cereus – Funcionamento e Sintomas

Esse tipo de bactéria é capaz de liberar diferentes toxinas no organismo, ocasionando duas doenças distintas. Enquanto uma causa diarreia, a outra tem como principal sintoma o vômito.

  • Tipo 1 – Neste tipo, a bactéria libera uma toxina dentro do corpo humano, mais precisamente no intestino delgado, causando diarreia, cãibras e náuseas que geralmente começam entre 6 e 15 horas após a ingestão do alimento contaminado, e desaparecem naturalmente em 1 ou 2 dias após as primeiras queixas.
  • Tipo 2 – Ocorre com a contaminação fora do corpo, ou seja, a toxina é liberada pela bactéria em alimentos ricos em amido, como o arroz, antes de serem ingeridos pela pessoa. Essa intoxicação geralmente provoca vômitos e náuseas após cerca de 30 minutos a 6 horas desde a ingestão do alimento, desaparecendo cerca de 24 horas após os primeiros sinais.

Síndrome do Arroz Frito – Diagnóstico e Tratamento

Uma intoxicação alimentar causada pela bactéria Bacillus cereus pode ser diagnosticada por meio de testes do vômito ou fezes do paciente supostamente contaminado. Assim, a combinação de traços encontrados nas amostras poderá (ou não) relacionar-se aos traços da bactéria.

Após a conclusão dos exames laboratoriais, o médico responsável pelo caso poderá solicitar repouso e manutenção da hidratação corpórea para que a infecção seja eliminada naturalmente. Em outros casos, é indicado o uso de medicações para tratar os sintomas.

Pessoas com baixa imunidade, que estão se recuperando de cirurgias com feridas ou que usam drogas intravenosas tem mais risco de desenvolver complicações como meningite asséptica, gangrena e celulite, se não forem tratadas adequadamente.

Bacillus cereus – Prevenção

Manter os alimentos em uma temperatura adequada para cada tipo é fundamental para diminuir o risco de contaminação. Lavar as mão antes e depois de preparar qualquer tipo de alimento, e separá-los entre crus e prontos para o consumo também são ótimos métodos de prevenção contra intoxicações alimentares.

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Dra. Keilla Freitas
CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.


https://www.drakeillafreitas.com.br/quem-somos/

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