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Saiba como prevenir a lipodistrofia

Saiba como prevenir a lipodistrofia
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Saiba como prevenir a lipodistrofia

A Lipodistrofia não é uma condição associada apenas ao paciente vivendo com HIV

No entanto, por muitos anos, foi algo muito associado a estes pacientes e acabou ajudando inclusive a fortalecer o estigma destes pacientes.

Lipodistrodia possui várias apresentações clínicas e muitas causas.

Tanto o seu tratamento quanto sua prevenção estão associados à consideração, identificação e controle dessas causas e varia de acordo à sua apresentação clínica.

Saiba como prevenir a lipodistrofia

  • Inicio precoce do tratamento do HIV
  • Troca do esquema do tratamento do HIV quando for indicado e dependendo dos remédios utilizados
  • Manter a carga viral em níveis indetectáveis no sangue
  • Busca ativa de alterações no metabolismo do açúcar (pré-diabetes) e tratamento adequado precoce
  • Busca ativa e diagnóstico precoce da diabetes e inicio precoce do tratamento
  • Busca ativa de alterações no metabolismo do colesterol e início precoce do tratamento
  • Parar de fumar
  • Manter o peso ideal
  • Alimentação adequada
  • Prática regular de atividade física
lipodistrofia
Tanto atividade física cardio-respiratórias quanto as de musculação são importantes no tratamento do paciente vivendo com HIV

Saiba como prevenir a lipodistrofia comendo

Pessoas com peso adequado também podem estar comendo errado

Pessoas acima do seu peso ideal claramente precisam ajustar a sua rotina de alimentos

Contudo, existem muitas pessoas com o peso adequado e que não apenas comem de forma inadequada como também já possuem em seu organismo consequências silenciosas dessa rotina.

Consequências diretas da dieta inadequada:

  • Ganho de peso
  • Má qualidade do sono
  • Aumento da gordura visceral (acúmulo de gordura nos órgãos)
  • Alterações do metabolismo do colesterol
  • Alteração do metabolismo do açúcar
  • Estado inflamatório crônico em todo o corpo
  • Enfraquecimento da imunidade
  • Enfraquecimento dos cabelos
  • Enfraquecimento dos ossos

Consequência da alimentação inadequada a longo prazo

  • Demência
  • Infarto do coração
  • Infarto cerebral
  • Perda dos rins
  • Perda da visão
  • Envelhecimento precoce da pele
  • Má cicatrização de feridas
  • Acúmulo de líquidos e inchaços no corpo
  • Queda capilar
  • Aumento do risco de fraturas
  • Insuficiência vascular

Como deve ser a rotina alimentar

Não é necessário comer em tempos definidos.

O mais importante é cuidar da qualidade do alimento e não do horário

Características de uma dieta adequada:

  • Baixa quantidade de sódio
  • Evitar ao máximo alimentos processados
  • Baixíssima quantidade de carboidratos
  • Rica em proteínas
  • Rica em boas gorduras

 

Saiba como prevenir a lipodistrofia trocando remédios do HIV

Os antirretrovirais mais associados à lipodistrofia já estão fora do mercado

Mesmos as medicações de uso atual que podem estar associadas à lipodistrofia, nas apresentações de hoje não costumam causar este problema.

Por isso não há uma indicação da troca imediata dessas medicações em um paciente que possui boa resposta ao esquema e não tem outras contraindicações ao mesmo.

A troca está indicada apenas nos casos em que se suspeita de lipodistrofia e estes medicamentos estão sendo utilizados.

Medicações que devem ser suspensas:

Mais associados:

  • Zidovudina
  • Estavudina
  • Outros inibidores da Transcriptase reversa

Medicações que devem ser usadas:

  • Dolutegravir
  • Abacavir
  • Tenofovir

Saiba como prevenir a lipodistrofia com Medicamentos

EGRIFTA® (Tesamorelin) 

-> Análogo do hormônio liberador do hormônio do crescimento

Aplicação é feita através de injeções diárias na região abdominal (barriga)

Liberado pelo FDA (ANVISA dos Estados Unidos) – Ainda não comercializado no Brasil

Indicação:

  • Pacientes vivendo com HIV com acúmulo de gordura abdominal (aumento da gordura visceral)

EGRIFTA® (Tesamorelin)  não é indicado para pessoas que queiram perder peso

Esta medicação pode causar vários problemas à saúde.

Por isso, antes de iniciar o seu uso, o paciente deve ser avaliado minuciosamente pelo médico especialista de sua confiança para descartar toda e qualquer condição que possa contraindicar o uso dessa medicação.

Quem não pode fazer uso dessa medicação:

  • Pessoas com qualquer tipo de câncer ou em tratamento para o mesmo.
  • Pessoas com Diabetes
  • Pessoas com intolerância à glicose (pré-diabetes)
  • Pessoas com problemas nos rins
  • Pessoas com problemas no fígado
  • Pessoas com menos de 18 anos
  • Mulheres gestantes, que estão tentando engravidar ou em risco de ter filhos
  • Mulheres amamentando

Devido ao risco de toxicidade e desenvolvimento de complicações, mesmo as pessoas sem contra indicação inicial ao uso dessa medicação devem ser acompanhadas rigorosamente e de perto pelo médico especialista de sua confiança durante todo o tempo de uso, buscando ativamente o aparecimento de qualquer condição que impeça a continuação do tratamento.

Efeitos adversos que podem ocorrer:

  • Aumento do açúcar no sangue (levando ao desenvolvimento de diabetes ou estado de pré-diabetes)
  • Dores nas articulações (juntas)
  • Mialgia (dor muscular)
  • Dores nos braços e pernas
  • Retenção de líquidos causando Edema (inchaço) em pernas e outras partes do corpo
  • Náuseas (enjoos) e vômitos
  • Sensação de formigamento, dormência ou picadas em áreas do corpo
  • Rash cutâneo (manchinhas vermelhas na pele) prurido (coceira)
  • Dor ou alergias de pele no local da picada.

Metformina

Indicação:

  • Pessoas vivendo com HIV e diabetes tipo 2
  • Pessoas vivendo com HIV com intolerância à glicose (estado de pré-diabetes)

Contra indicação:

  • Pessoas com Lipoatrofia de moderada a grave

A Metformina pode diminuir ainda mais a gordura subcutânea (embaixo da pele), piorando a lipoatrofia.

Hormônios

-> Hormônio do crescimento (rhGH)

Indicações

  • Caquexia em pacientes vivendo com HIV
  • Indicação não muito bem estabelecida para paciente vivendo com HIV que apresentam lipodistrofia.

Limitações:

  • Possibilidade de efeito rebote (naqueles que possuem benefício, retorno dos sintomas logo após o término do ciclo)
  • Grande quantidade de reações adversas, interações medicamentosas e complicações

Devido ao grande risco de complicações e interação medicamentosas, o seu inicio deve ser avaliado exaustivamente por um médico especialista de confiança para descartar qualquer situação que possa contra indicar o seu início.

Além disso, o seu uso deve ser feito por um tempo bem definido (o seu uso não pode ser contínuo)

O médico deve acompanhar o paciente de perto durante todo o seu uso.

Tanto para avaliar a resposta terapêutica (se está fazendo efeito ou não), quanto para avaliar problemas, interações e complicações que podem ocorrer durante o seu uso.

-> Oxandrolona

Foram feitos vários estudos sobre o uso desse hormônio sexual em pacientes vivendo com HIV.

Especialmente há alguns anos, quando a lipodistrofia era algo tão frequente nesses pacientes.

Efeitos observados durante o uso de oxandrolona em paciente com HIV:

  • Ganho de massa muscular
  • Aumento da massa livre de gordura
  • Aumento da libido
  • Aumento da função erétil
  • Aumento do bem estar

Possíveis efeitos relacionados ao uso prolongado de oxandrolona:

  • Aumento do risco cardiovascular por aumento da inflamação dentro dos vasos sanguíneos
  • Maior risco de desenvolvimento de Câncer de próstata
  • Maior risco de desenvolvimento de Câncer do Fígado

Limitações:

Ainda não foram determinadas doses, tempo  de uso, frequência dos ciclos e concentrações de anabolizantes para um uso seguro e sem preocupações

 

Opções estéticas para o tratamento da Lipodistrofia – veja aqui

 

Fonte:


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CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

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