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Infecção urinária associada à sonda vesical

Infecção urinária associada a sonda vesical
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Infecção urinária associada à sonda vesical

A Infecção Urinária é uma infecção muito frequente em pacientes internados em hospitais ou que recebem algum tipo de cuidado de saúde domiciliar.

A Infecção Urinária associada à sonda vesical corresponde a 12 % de todas as infecções hospitalares.

Cerca de 12 a 16% de todos os pacientes internados em hospital, independente do motivo ou comorbidades, terão infecção Urinária em algum momento de sua internação (CDC)

De 70 a 80% das infecções urinárias em pacientes internados ocorrem devido ao uso de sonda vesical.

A sondagem vesical ou cateterização vesical é um tubo flexível que se coloca pela uretra para drenar a urina desde a bexiga.

Infecção urinaria e cateter vesical
Infecção urinária associada à sonda vesical

Tipos de sonda vesical

Sonda Vesical Alívio – SVA

(Coloca-se apenas para esvaziar a urina e depois é retirada)

O cateter para este tipo de procedimento não possui o balãozinho para “prendê-lo na bexiga”.

Vantagens da sondagem vesical de alívio:

  • Não tem tempo hábil para a disseminação e colonização de bactérias nas paredes no tubo, consequentemente, não está tão associada a infecção urinária quanto à sonda vesical de demora

Desvantagens da sondagem vesical de alívio:

  • Maior custo (para cada procedimento deve-se utilizar um novo cateter)
  • Maior risco de trauma na uretra se necessitar ser passado várias vezes

Sonda vesical de demora – SVD

(A SVD é chamada Sonda Foley, ela permanece na bexiga por um período indeterminado)

Este tipo de cateter possui um balão em sua extremidade que fica dentro do corpo.

É um sistema fechado cuja extremidade externa está ligada a uma bolsa coletora de urina, uma vez que toda a urina produzida pelos rins não mais se acumularão na bexiga.

Essa estrutura deve ser preenchida com ar após a cateterização para manter a ponta do dispositivo na bexiga, impedindo-o de sair, mesmo se tracionado (puxado).

Infecção urinaria e sonda vesical
Infecção urinária associada à sonda vesical

Vantagens da sonda vesical de demora:

  • Menor custo, pois um mesmo dispositivo pode durar mais tempo
  • Menor trauma uretral referente à passagem do mesmo
  • Ideal para pacientes graves, nos quais é necessário a quantificação do volume urinário

Desvantagens da sonda vesical de demora:

Sempre que for possível, deve-se priorizar a sondagem vesical de alívio.

Outros problemas da Sondagem Vesical não relacionadas à infecção

  • Uretrite não infecciosa da uretra (inflamação não infecciosa da uretra)
  • Estenose uretral
  • Trauma mecânico
  • Deficiência de mobilidade

Infecção urinária associada à sonda vesical

Consideramos que a Infecção do Trato urinário – ITU está associada ao cateter vesical quando os sintomas iniciais ocorrem a partir do segundo dia da colocação do cateter ou até o dia seguinte de sua retirada.

O que aumenta o risco da Infecção urinária associada à sonda vesical

  • Idosos
  • Homens
  • Neutropenia (numero baixo de neutrófilos – um tipo de glóbulos brancos do sangue)
  • Doença renal crônica
  • Diabetes Mellitus
  • Colonização bacteriana no saco de drenagem
  • Tempo de sonda

Muitas pessoas que precisam utilizar uma sonda vesical necessitam transitoriamente (apenas por um tempo e não por toda a vida).

Mas este tempo pode variar muito de acordo ao motivo da sondagem.

A cada dia de uso da SVD, o paciente aumenta o seu risco de sofrer infecção urinária em 3 a 7%.

A incidência de bactéria na urina de uma pessoa em uso de SVD é de 3 a 10% para cada dia com a sonda.

Isso significa após 10 dias com uma SVD, 100% dos pacientes já terão alguma bactéria na urina.

10 a 25% das pessoas com bactéria na urina devido à SVD, desenvolvem ITU em algum momento.

  • Erros na cateterização

– Higienização inadequada da área genital na hora de colocar o cateter ou da drenagem do cateter

– Higienização inadequada das mãos antes de manipular o sistema de drenagem

– Deixar o sistema de drenagem aberto ou com vazamento

– Deixar a bolsa de drenagem no chão

 

Infecção urinária associada à sonda vesical – Complicações

  • Prostatite (acometimento da próstata)
  • Epididimite (acometimento do epidídimo – estrutura que fica junto ao testículo)
  • Orquite (acometimento do testículo)
  • Cistite (acometimento da uretra/bexiga)
  • Pielonefrite (acometimento dos rins)
  • Infecção generalizada
  • Endocardite (infecção dos músculos do coração)
  • Osteomielite vertebral (infecção dos ossos das vértebras)
  • Artrite séptica (infecção das articulações)
  • Endoftalmite (infecção dentro dos olhos)
  • Meningite bacteriana 
  • Aumento do tempo de internação Hospitalar com todas complicações que isso pode acarretar.
  • Tratamento inadequado de bacteriúria assintomática associada a cateter vesical aumenta risco de colite por clostridium e de colonização por bactéria multirresistente

Infecção urinária associada à sonda vesical – Como prevenir

  • Evitar o uso da SVD, dando preferência à sondagem de alívio sempre que possível
  • Usar a SVD pelo menor tempo possível
  • Evitar o uso inadequado de antibióticos (não tratar bacteriúria assintomática)
  • Controle da Diabetes Mellitus
  • Técnica adequada de higienização na colocação, drenagem e manutenção da sonda
  • Manter o paciente hidratado, da melhor maneira possível

 

Referências:

 


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CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

6 thoughts on “Infecção urinária associada à sonda vesical

  1. Olá, meu avô usa sonda vesical de demora, ele se queixa de dor no anus, confunde as vezes com necessidade de ir ao banheiro. Isso pode ser por causa da sonda?

    1. As indicações para o uso de sonda vesical de demora devem ser muito bem definidas e avaliadas periodicamente se ainda existe esta indicação, assim como as possíveis complicações que costumam causar.
      Para isso o médico deve ter não apenas a indicação de seu uso feita por um médico de confiança quanto o seu acompanhamento.

  2. Fiz cirurgia de perineoplastia e levantamento da bexiga há 17 dias e desde então estou usando a sonda de demora, já tirei três vezes e não consigo urinar sem ela, é normal? Quanto tempo pode ficar com essa sonda? Ainda estou sentindo muita dor, é assim mesmo?

    1. Deve ser feito um acompanhamento de perto com o médico que te operou para avaliar se a evolução está de acordo ao esperado.
      com relação ao uso da sonda, é preciso um tempo e as vezes outras medidas para adaptação sem a sonda. converse com o seu médico.

  3. Boa noite, doutora.
    Gostaria de saber porquê minha sonda de demora cheira urina mesmo tendo todos os cuidados na hora de drenar.
    Desde ja obrigada.

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