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Profilaxia Contra a Raiva em Humanos

Infectologista - Profilaxia Contra a Raiva em Humanos
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Profilaxia Contra a Raiva em Humanos

A raiva é uma zoonose viral (vírus transmitido por animais) que ataca o sistema nervoso e leva à morte em praticamente 100% dos casos.

A principal forma de prevenção contra a Raiva é vacinando os animais de estimação, cachorros e gatos. Existem campanhas públicas gratuitas para isso, mas a vacina também está disponível para compra. Converse com o veterinário de seu bichinho.

Profilaxia Pré-Exposição

Vacina feita em pessoas que ainda não tiveram exposição ao risco, mas possuem maior risco de exposição. Feita apenas com a vacina antirrábica para configurar imunização ativa.

Ela simplifica a terapia pós-exposição, pois torna o uso da imunoglobulina desnecessária.

Quem deve receber a profilaxia pré-exposição:
  • Médicos veterinários;
  • Biólogos;
  • Auxiliares e demais funcionários de laboratório de virologia e anatomopatologia para raiva;
  • Estudantes de Veterinária, Biologia e Agrotécnica;
  • Pessoas que atuam no campo na captura, vacinação, identificação e classificação de mamíferos passíveis de portarem o vírus;
  • Funcionários de zoológicos;
  • Pessoas que desenvolvem trabalho de campo (pesquisas, investigações ecoepidemiológicas) com animais silvestres;
  • Espeleólogos (que trabalham em cavernas);
  • Guias de ecoturismo;
  • Pescadores.
  • Outros profissionais que trabalham em áreas de risco.
Esquema vacinal pré-exposição

A aplicação é feita com injeção intramuscular no deltoide (braço).

São realizadas 3 doses, uma vez ao dia, nos dias: 0 – 7 – 28

Acompanhamento após vacina pré-exposição

O controle sorológico para avaliar resposta deve ser feita após o 14ª dia da última dose do esquema.

Pessoas com exposição permanente ao vírus devem realizar exames verificando os níveis de anticorpos no sangue com exames sorológicos.

A periodicidade do controle sorológico varias de acordo ao risco da pessoa, com um um tempo mínimo de 6 meses.

Caso os níveis de anticorpos estejam abaixo dos protetores, uma dose de reforço (booster) deve ser realizada.

Prevenção Pós-Exposição

Nos casos de humanos que não estão protegidos previamente pela vacina, a indicação da profilaxia dependerá de alguns fatores:

  • Espécie do animal fonte (cachorro/gato ou morcego/outro animal silvestre);
  • Gravidade do acidente;
  • Possibilidade de observação do animal;
  • Condições do animal.

Gravidade do Acidente

Acidentes Considerados Leves:

• Ferimentos superficiais, pouco extensos, geralmente únicos, em tronco e membros (exceto mãos, polpas digitais e planta dos pés); podem acontecer em decorrência de mordeduras ou arranhaduras causadas por unha ou dente.
• Lambedura de pele com lesões superficiais.

Acidentes Considerados Graves:

  • Ferimentos em extremidades (cabeça pescoço, mãos, polpas digitais, planta do pé);
  • Ferimentos profundos, múltiplos ou extensos em qualquer local do corpo;
  • Lambedura de mucosas ou pele onde já existem ferimentos graves;
  • Ferimento profundo causado por unha de animal.

Agressões por Animais Silvestres

Nas agressões por morcegos ou qualquer espécie de animal silvestre, a vacinação e o soro devem ser indicados, independentemente da gravidade da lesão ou reexposição prévia.

As condições do animal podem ser:

  • Suspeita clínica de raiva no momento da agressão;
  • Não há suspeita clínica de raiva no momento da agressão;
  • Impossibilidade de observação do animal (fugiu, morreu, etc).

Orientações Pós-Exposição à Raiva

  • A primeira providência a ser tomada é SEMPRE lavar muito bem a área afetada com bastante água corrente e sabão;
  • Morcegos ou outros animais Silvestres = SEMPRE estará indicado vacina e soro
  • Observar o aparecimento de infecção secundária na ferida.

Acidentes leves com cães ou gatos:

  • Animal sem suspeita de Raiva = Apenas observar por 10 dias

Se o animal morrer, desaparecer ou ficar com suspeita de raiva nesse período = administrar as 4 doses da vacina.

  • Animal com suspeita de Raiva = Iniciar a profilaxia com 2 doses (dia 0 e 3) e observar por 10 dias (a contar da data do acidente).

Se o animal morrer, desaparecer ou ficar com suspeita de raiva nesse período = completar as 4 doses da vacina (sendo a 3ª dose entre os dias 7 e 10 pós-acidente e a 4ª dose no 14º dia após o acidente)

Acidentes Graves com cães ou gatos

  • Animal sem suspeita de Raiva = Iniciar esquema vacinal com 2 doses (Dia 0 e dia 3) e observar o animal por 10 dias
  • Animal com suspeita de Raiva = Iniciar o soro e esquema com 4 doses da vacina e observar o animal por 10 dias

Se o animal morrer, desaparecer ou ficar com suspeita de raiva nesse período = completar as 4 doses da vacina (sendo a 3ª dose entre os dias 7 e 10 pós-acidente e a 4ª dose no 14º dia após o acidente).

Cães e Gatos sem Risco de Transmissão da Raiva

Em caso de acidente com cães ou gatos sem risco para se infectar pela Raiva, a vacina pode ser dispensada:

  • Cães ou gatos que vivem exclusivamente dentro do domicílio;
  • Cães ou gatos que não tenham contato com outros animais desconhecidos;
  • Cães ou gatos que somente saem à rua acompanhados de seus donos;
  • Cães ou gatos que não circulem em área com a presença de morcegos.

Em caso de dúvida, iniciar o esquema de profilaxia com 2 doses e observar o animal por 10 dias.

Infecção Secundária

Tanto nossa pele quanto a boca e unhas dos animais possuem uma grande quantidade de bactérias de todos os tipos. Quando recebemos uma mordedura ou arranhadura na pele, podem ser introduzidos várias bactérias em nosso organismo.

Chamamos de infecção secundária a infecção que ocorre ao redor da ferida secundária ao acidente. Ela ocorre antes da cicatrização da mesma.

Sinais de infecção secundária:
  • Piora da dor;
  • Edema (inchaço);
  • Hiperemia (vermelhidão);
  • Calor ao redor da ferida;
  • Saída de secreção pela ferida;
  • Febre.

Na suspeita de Infecção secundária da ferida, o médico deverá ser consultado para a indicação de antibióticos. Quando há a necessidade de suturar (costurar) a mordedura, o risco de infecção secundária é ainda maior.

Profilaxia Pós-Exposição

Vacina Inativada

  • Deverá ser feito em 4 doses;
  • Dias de aplicação: Dia 0 – dia 3 – dia 7 – dia 14;
  • Via de administração intramuscular profunda utilizando dose completa, no músculo deltoide ou vasto lateral da coxa. Não aplicar no glúteo.

Soro Antirrábico

Como é feito:

O Soro antirrábico (SAR) ou Imunoglobulina Humana Antirrábica (IGHAR) é feito de imunoglobulinas específicas contra o vírus da raiva e confere imunidade passiva transitória.

Ela é obtida através da filtração do plasma (sangue) de doadores selecionados (pessoas submetidas recentemente à imunização ativa contra raiva) com altos títulos de anticorpos específicos. A duração dos anticorpos (proteção) dada pelo soro no sangue é de aproximadamente 21 dias.

 Como o soro é administrado:
  • A aplicação do soro é feita em dose única;
  • Deve ser feita ANTES da aplicação da vacina;
  • Caso a vacina da Raiva seja administrada sem o soro, o mesmo deverá ser aplicado no máximo 7 dias após a primeira dose da vacina, ou seja, antes da aplicação da 3ª dose da vacina inativada;
  • A maior parte do soro deve ser aplicado dentro ou ao redor do ferimento;
  • A dose restante, ou se não for possível aplicar no local da ferida, deve ser aplicada por via intramuscular na região glútea (não nos braços);
  • Quando as lesões forem muito extensas ou múltiplas, a dose pode ser diluída em soro fisiológico, em quantidade suficiente, para que todas as lesões sejam infiltradas.

O soro não deve ser aplicado na mesma seringa ou mesma região em que foi aplicada a vacina.

Vacinas de vírus vivo que, por ventura precisarem ser realizadas, deverão ser feitas pelo menos 3 meses após a aplicação da Imunoglobulina.

Profilaxia pós-exposição em pessoas já vacinadas

  • Pessoa com proteção sorológica recente comprovada = 2 doses de vacina (dia 0 e 3) –  não há indicação de imunoglobulina;
  • Sem comprovação de resposta sorológica = considerar como se o esquema vacinal estivesse incompleto.

Morcegos que só comem frutas também podem transmitir a raiva.

Profilaxia Contra a Raiva em Humanos

Morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue) e se infectam pela raiva podem dormir com os morcegos que só se alimentam de frutas.

Eles transmitem a raiva pela saliva e têm o hábito de lamber suas asas e a de seus colegas. Alem disso, eles podem transmitir a raiva, não apenas pela mordida, mas pelo bater das asas sujas com a saliva.

Sendo assim, qualquer tipo de morcego pode transmitir a raiva, mesmo que não haja mordedura, caso o morcego tenha ficado voando próximo ao ser humano por um longo período, principalmente em ambiente fechado.

Vacinação de Animais Domésticos

Menos de 5% dos casos de Raiva em Humanos são transmitidas por animais domésticos. No entanto, cães a gatos não vacinados servem de reservatórios do vírus, perpetuando a doença no mundo.

Profilaxia Contra a Raiva em Humanos

Prevenção contra a Raiva em Viagens

Profilaxia Contra a Raiva em Humanos

Dependendo do local de destino ou do tipo de viagem programada, você pode estar sob risco de se infectar pela Raiva durante sua viagem.

Locais do mundo e animais reservatórios

  • Europa: morcegos e raposas;
  • Oriente médio: raposas e cães;
  • Africa: Cães, magustos e antílopes;
  • América do Norte: Raposas, gambás, guaxinins e morcegos que se alimentam de insetos;
  • América de Sul: Cães e morcegos que se alimentam de sangue.

Situações de maior exposição ao vírus da Raiva

  • Viagens de acampamento em locais selvagens;
  • Programações com explicação de cavernas;
  • Interação direta com animais selvagens.

Como prevenir a infecção pela Raiva em viagens

Consulte-se com um médico infectologista antes da viagem para avaliar indicação de recebimento de vacinação pré-exposição.

  • Evite tocar em animais selvagens;
  • Evite tocar em animais domésticos se houver dúvida quanto ao seu estado vacinal.

Ao programar sua viagem, faça uma consulta com um médico Infectologista de sua confiança.

Ele avaliará se existe indicação de receber a vacina contra a raiva, de acordo com o destino e característica de sua viagem

Fontes:


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Dra. Keilla Freitas
CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.


https://www.drakeillafreitas.com.br/quem-somos/

158 thoughts on “Profilaxia Contra a Raiva em Humanos

  1. Se houver outro acidente com animal silvestre dentro do período em que se está tomando as doses de pós exposição deve se tomar alguma outra providência ou continua o tratamento?

  2. Sei que é um blog sobre raiva , mas queria tirar uma dúvida , não me lembro se tomei a vacina antitetanica antes , E me cortei feio com um vídro sujo, tomei antitetanica, faz mal se eu já ter tomado tipo a uns 2 anos atrás ?

  3. Olá , faz 2 meses que fiz tratamento antirabico, e hoje tomei antiteranica por conta de uma furada de prego , faz mal ter tomado ?

  4. Olá Dr, sou cismado com morcego, um filhote de morcego e possível engolir ou ele entrar pelo nariz? Ou ele não cabe dentro do nariz de uma pessoa? Sou ansioso e preciso de uma resposta, estou cismado que um morcego entrou pelo meu nariz enquanto estava dormindo kkk, fico grato !

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