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Casais com HIV Podem Ter Filhos Livres do Vírus

casais com HIV podem ter filhos livres do vírus

Casais com HIV podem ter filhos livres do vírus

Pessoas vivendo com HIV podem ter filhos, mesmo que seu (sua)  parceiro(a) não  tenha a doença, sem risco de transmissão para o(a) parceiro(a) nem para o bebê.

Existem várias estratégias para que um casal sorodiferente (quando um é portador do vírus HIV e o outro não) possa ter filhos.

Para engravidar:

Casais com HIV podem ter filhos livres do vírus

Casais sorodiferentes

Casais sorodiferentes são casais em que uma pessoa possui o HIV e a outra não.

Fatores que reduzem os riscos de transmissão do HIV:

  • Boa adesão da pessoa vivendo com HIV aos tratamentos com antirretrovirais
  • Supressão viral persistente
  • Ausência de outra IST em ambos
  • Não manter práticas sexuais de risco com outras pessoas.

Opções para que casais sorodiferentes possam engravidar

Quando a mulher é portadora do vírus com carga viral não suprimida:

  • Auto-inseminação vaginal com esperma do parceiro durante o período peri-ovulatório;
  • Uso de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) peri-concepção pelo homem soronegativo.

É importante lembrar que para se ter um bom efeito, orienta-se que o homem comece a fazer a profilaxia pelo menos 1 semana antes do início da exposição.

Quando o homem é o portador do vírus com carga viral não suprimida:

  • Uso de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) peri-concepção pela mulher soronegativa.
  • Relação sexual programada para o pico de fertilidade. Essa atitude acaba diminuindo a exposição ao risco.

Prevenção combinada

Gestação

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Cuidados para a mãe infectada não transmitir o vírus ao bebê:

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Tratamento do HIV em gestantes

Tratamento da gestante com antirretrovirais, mesmo se sua imunidade estiver boa, é parte fundamental da estratégia de prevenção da transmissão vertical

Gestantes com carga viral alta possuem risco de transmissão vertical de cerca de 30%

Gestantes com carga viral indetectável têm esse risco reduzido para menos de 1%

Avaliação do esquema antirretroviral

Caso a gestante já faça uso de antirretrovirais antes da gestação, o médico infectologista deverá avaliar o esquema usado

Alguns deles não podem ser usados durante a gestação e devem ser trocados por outros esquemas que serão utilizados durante toda a gravidez

Quando o esquema antirretroviral poderá ser mantido:

  • Gestante já faz uso dos antirretrovirais desde antes da gestação
  • Possui carga viral indetectável
  • O esquema não traz riscos ao bebê

Para gestantes com diagnóstico de HIV durante o pré-natal, que irão iniciar o tratamento na gestação, o esquema de 1ª escolha é:

  • Tenofovir/ Lamivudina + Raltegravir

Genotipagem pré-tratamento

A incidência de vírus do HIV resistentes aos antirretrovirais é algo que vem aumentando em todo o mundo.

Em gestantes, isso pode ser um problema adicional, uma vez que atingir a carga viral indetectável é fundamental para a eficácia da prevenção da transmissão vertical.

Considerando isso, está indicado a realização de Genotipagem no inicio do tratamento em toda gestante que iniciará o tratamento do HIV durante a gestação.

Vale lembrar que o inicio do tratamento não deve ser atrasado aguardando a realização da genotipagem ou o seu resultado.

O que se tem feito é:

  • Iniciar o tratamento
  • Coletar exame de genotipagem
  • Reavaliar esquema de tratamento após resultados da genotipagem

Acompanhamento pré-natal

Acompanhamento da gestação no pré-natal de alto risco e acompanhamento dos níveis de vírus no sangue

Atividade física durante a gestação

A prática regular de atividade física é parte do fundamental do tratamento de pacientes com HIV

Na gestação, ele também pode ser feito, de forma moderada por 30 minutos, todos os dias.

O parto

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Escolha da via de parto

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Cuidados na sala de parto

Gestantes com carga viral detectável ou desconhecida:

  • Administração de zidovudina endovenosa durante o parto deve ser realizado independente de haver resistência conhecida do vírus contra este fármaco;
  • A Zidovudina deve ser iniciada 3 horas antes da cesariana eletiva, ou pelo menos no inicio do trabalho de parto e deve ser mantida de forma continua até o clampeamento do cordão umbilical

Acompanhamento da mãe após o parto

A mãe que iniciou o esquema antirretroviral durante a gestação com Raltegravir, deverá trocar para Dolutegravir até 3 meses após o parto.

Para tanto é importe que:

  • Tenha registro de carga viral indetectável por pelo menos 6 meses
  • Tenha uso regular da medicação, com boa adesão
  • Acompanhamento médico periódico
  • Em caso de genotipagem, confirmação de sensibilidade do vírus ao Dolutegravir
  • Ausência de contraindicações ao Dolutegravir

O bebê

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Cuidados com o bebê

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  • Administração de xarope de Zidovudina por via oral deve ser dada a TODOS os bebês
  • Ela deve ser iniciada ainda na sala de parto ou pelo menos já nas primeiras 4 horas de vida
  • Para filhos de mães com CV > 1.000 cópias ou desconhecida, a nevirapina deverá ser associada à Zidovudina até as 48 horas após o nascimento
  • O Xarope de Zidovudina e nos casos que usarem a Nevirapina associada, deverá ser mantida até a 4ª ou 6ª semana de vida.
  • A dose deve ser ajustada de acordo ao peso do bebê

Prevenção de infecções

As crianças expostas ao HIV, mesmo as não infectadas, possuem maior risco de infecções bacterianas e de infecções mais graves em geral.

Isso se deve por alguns motivos:

  • Há diminuição dos níveis de anticorpos transferidos pela mãe através da placenta
  • Não aleitamento materno

Prevenção de Pneumonia

A Pneumonia por Pneumocystis jiroveci é uma pneumonia especialmente grave.

Ela pode manifestar-se de uma hora para outra, causando insuficiência respiratória e levando o bebê rapidamente à morte.

É a infecção oportunista mais frequente em crianças infectadas pelo HIV, especialmente no primeiro ano de vida.

Em adultos com AIDS, temos como definir a indicação da profilaxia com antibióticos a partir da contagem de CD4

Mas em crianças menores de 1 ano, o CD4 não serve para medir risco de doença.

Todo bebê exposto ao HIV deve receber antibiótico para profilaxia de Pneumonia por Pneumocystis jiroveci .

O antibiótico profilático deve ser iniciado a partir do 2ª mês de vida e mantido até o 4ª mês ou até que o diagnóstico de HIV tenha sido descartado.

Em crianças infectadas pelo HIV, esta profilaxia deve ser mantida, independente da contagem de linfócitos CD4 até 1 ano de idade.

Após 1 ano de idade em crianças infectadas pelo HIV, a profilaxia será mantida até CD4 persistentemente maior que 200 ou com mais de 25% .

Casais com HIV podem ter filhos livres do vírus

Acompanhamento da criança exposta ao HIV

  • A vigilância do diagnóstico da transmissão vertical deve ser feita com testes moleculares de PCR-HIV
  • O primeiro exame de PCR-HIV deve ser solicitado 2 semanas após a suspensão dos antirretrovirais.
  • O diagnóstico do HIV é descartado após 2 cargas virais indetectáveis
  • Testes sorológicos após 18 meses de vida também descartam o diagnóstico de HIV
  • As crianças não infectadas pelo HIV devem ser acompanhadas pelo médico especialista anualmente até a pré-adolescência devido a exposição ao HIV e aos Antirretrovirais.

Aleitamento materno

Casais com HIV podem ter filhos livres do vírus

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A Amamentação é uma forma importante de transmissão do HIV ao bebê

Mães com vírus detectável no sangue tem risco de transmissão do vírus de cerca de 30% (podendo aumentar de acordo à quantidade de vírus no sangue

Sabe-se que a mãe com carga viras indetectável tem risco de transmissão do HIV ao bebê menor que 1%

Este risco deve ser medido de acordo à qualidade das fórmulas lácteas infantis e da água

Em vários países da Africa, o aleitamento materno está indicado, mas não no Brasil

No Brasil,  amamentação por mães com HIV é contra indicada sempre.

Casais com HIV podem ter filhos livres do vírus

 

Fontes:

 

CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

25 thoughts on “Casais com HIV Podem Ter Filhos Livres do Vírus

  1. Dra Keila, há um mês minha bebê compartilhou talher com uma pessoa de sorologia desconhecida. Pouco depois, começou a manifestar grave plaquetopenia, com cerca de 20 mil plaquetas. Está em tratamento. Os dois eventos podem ter relação?

    1. Depende da causa da plaquetas baixa. se for exemplo, mononucleose, poderia ter relação. Mas se for causa nao infecciosa, a plaquetas já poderia vir mais baixa há algum tempo e se manifestou depois.

  2. Dr Keila quero engravidar meu marido é indetectável eu soronegativo, pelo que entendi não preciso tomar o Prep após constatação da gravidez? Poderei amamentar normalmente? O infectologista dele afirmou que não tem necessidade de reprodução assistida, uma vez que é muito caro. O que vc me orientaria? Obrigado

    1. A gestante que não tem HIV não tem porque tomar antirretroviral durante a gestação. Pois o pai não consegue transmitir o vírus ao filho duramte a gestação.
      NO artigo coloco várias opções para casais sorodiferentes terem filhos livres do vírus. A estratégia que vocês irão adotar devem ser decidida entre você, seu esposo o infectologista que os acompanha e sua obstetra.

  3. Eu e meu marido somos soropositivo, temos a carga indetectável mas eu estou gravida e descobri a pouco tempo, quais são as chances do neném vir soropositivo? existe algo que podemos fazer para a criança vir sem o vírus?

    1. NO texto está descrito passo a passo cada conduta de prevenção de transmissão do HIV ao bebê. desde antes da gestação até o acompanhamento após o parto.
      É perfeitamente possível para uma mão HIV positivo geral filhos livres do vírus.

  4. Ola dra keila meu marido foi internado e lá descobriram que ele e soropositivo,fiz o teste rápido e tbm estou infectada. Porem tenho dois filhos com ele mesmo que são soronegativos qual cuidados tomar em relação as crianças ? ( digo em relação a perigos de contágio.) aguardo resposta um abraço.

  5. Gostaria de saber quais as chances de uma paciente que nunca fez o tratamento,não infectar aos filhos e o companheiro?

    1. O recomendando é fazer o teste em todos os membros da família e iniciar tratamento da pessoa o quanto antes.
      O diagnóstico precoce do HIV e o tratamento da infecção é a maior prevenção para novas transmissões e a maior garantia de expectativa de vida e perspectiva de qualidade de vida.

  6. Olá… meu esposo é soro positivo e eu negativa… Queremos engravidar e não temos condições de realizar uma fiv… a infecto dele diz que é possível naturalmente tomando o dois em um… quais minhas chances?

    1. A eficácia do Truvada é reduzida se não for utilizado corretamente.
      O que interage são medicações neurológicas, psiquiátricas e fitoterápicas. Vale lembrar que o uso de qualquer medicação associada pode aumentar risco de toxicidade aos órgãos como figado e rim. Sendo assim, deve sempre informar ao médico os medicamentos que usa para que ele possa analisar possíveis interações e indicar melhor opção de tratamento.

  7. Dra. Em 2013 comecei a se relacionar com minha esposa, ela engravidou e durante a gestação realizou todos os exames, inclusive de HIV, todos negativos. Tivemos nosso filho em 2014. Esse ano, em 2018, ela fez doação de sangue e os resultados foram todos negativos, inclusive para HIV. Nesses cinco anos eu não tive nenhuma outra parceria para relação sexual. Posso interpretar que também não tenho HIV?

  8. Bom dia Dra. Estou com minha esposa faz 5 anos, no primeiro ano ela engravidou, fez todos os testes de HIV e todos foram negativos. Agora em 2018 ela fez uma doação de sangue e novamente o teste de HIV foi negativo. Durante esses cinco anos transamos sem preservativo e eu não trai ela. Posso considerar que não tenho HIV?

      1. Não passei por nenhuma situação abaixo.

        Compartilhamento de agulha ou seringa com portadores de HIV.
        Transfusão de sangue com presença do vírus HIV.
        Instrumentos diversos (hospitalares, piercing, manicure) não esterilizados.

        Devo me preocupar?

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