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HTLV: vírus de transmissão idêntica ao HIV

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HTLV

Você sabia que existe um vírus que pode ser pego da mesma forma que o HIV, mas pode causar câncer no sangue ou levar para a cadeira de rodas, além de não possuir tratamento específico?

O Vírus T-linfotrópico humano – HTLV é um retrovírus que infecta cerca de 10 a 20 milhões de pessoas em todo o mundo.

Transmissão:

Suas formas de transmissão são as mesmas do HIV:

  • Sexo desprotegido;
  • De mãe para filho durante a gestação, parto ou lactação;
  • Transfusão de sangue e hemoderivados;
  • Transplante de órgãos;
  • Acidentes perfuro-cortantes com material contaminado;
  • Uso de seringas contaminadas;

Pessoas com maior risco de infecção pelo HTLV

  • Pessoas com Infecções sexuais prévias
  • Pessoas que vivem em área endêmica (Japão, Caribe, América central, Leste da Africa, América do Sul)
  • Pessoas com pais provenientes de áreas endêmicas
  • Recebimento de transfusão de sangue nos Estados Undos antes de 1988
  • Pessoas com passado de uso de drogas injetáveis
  • Parceiros sexuais com histórico de uso de drogas injetáveis, provenientes de áreas endêmicas ou pais provenientes de áreas endêmicas.

Evolução da Infecção

Este vírus costuma se replicar (reproduzir) lentamente.

Por isso, a grande maiorias das pessoas infectadas, não apresentam nenhum sintoma.

Apenas 5% dos infectados ficam doentes e geralmente as complicações aparecem décadas após a infecção

Problemas nos olhos relacionados ao HTLV

Uveíte associada ao HTLV

Localização e intensidade variável

  • Dor e ardor;
  • Hiperemia;
  • Borramento da visão;
  • Perda da visão;

Ceratoconjuntivite seca

Diminuição da quantidade ou qualidade de algum componente da lágrima

  • Ardor;
  • Hiperemia;
  • Sensação de corpo estranho ocular;
  • Borramento visual transitório, com intensidade variável que pode ser incapacitante;

Problemas de pele associados ao HTLV

Ictiose adquirida

Lesões de pele em forma de escamas que pode variar em tamanho, cor, localização e intensidade

Ocorre predominantemente nas faces laterais das pernas, braços e flancos, mas pode comprometer toda a extensão da pele.

Dermatite seborreica

Eritema e descamação na pele

Compromete o couro cabeludo, sobrancelhas, sulcos nasolabiais, regiões retroauriculares, região esternal e interescapular.

Placas eritêmato-descamativas são muitas vezes encontradas.

As áreas como axilas, região lateral do pescoço, dobras inframamárias, umbigo e região inguinocrural são bastante atingidas.

Dermatite atópica

É um tipo de eczema bastante pruriginoso (Causa coceira) em épocas de crise

Dermatite infecciosa associada ao HTLV

Causadas pela colonização da pele por Staphylococcus aureus e/ou estreptococos β hemolíticos

As lesões podem ser:

  • Eritêmato-descamativas;
  • Dermatite eczematosa;
  • Pápulas foliculares;
  • Pústulas;

Locais afetados:

  • Couro cabeludo;
  • Pescoço;
  • Orelha externa (especialmente as áreas retro-auriculares);
  • Axilas;
  • Virilhas;

Lesões ao redor das narinas, associadas à presença de descarga nasal fluida e crostas nas fossas nasais anteriores

Na sua evolução, é característica a resposta rápida aos antibióticos e a recidiva com a suspensão destes.

Problemas reumatológicos associadas ao HTLV-I

  • Artrite
  • Síndrome de Sjogren
  • Polimiosite
  • Tiroidite

Problemas neurológicos associados ao HTLV

A mielopatia secundária ao HTLV, também conhecida como Paraparesia Tropical Espástica:

  • Dor lombar que irradia para a parte de trás das pernas
  • Fraqueza e rigidez muscular nas pernas
  • Alterações urinárias como aumento da frequência miccional, Incontinência Urinária (não consegue segurar a urina), urgência miccional, retenção urinária.
  • Constipação
  • Disfunção erétil

Sua progressão é lenta e evolui até deixar a pessoa dependente de cadeira de rodas para se locomover.

Neoplasias (câncer)

Podem ser:

  • Neoplasias hematológicos (câncer no sangue). Como: leucemia ou linfoma de células T
  • Neoplasias de órgãos sólidos  – Câncer de estômago.

Câncer no sangue

Os cânceres hematológicos podem ter 4 apresentações:

  • Forma aguda
  • Forma linfomatosa
  • Forma crônica
  • Forma latente

Forma Aguda

47 a 57% dos casos de câncer hematológicos apresentam-se dessa forma.

Quadro florido com:

  • Lesões de pele;
  • Fraturas não traumática nos ossos ;
  • Infiltrações no pulmão;
  • Infecções oportunistas como as pessoas com AIDS avançada;

Pessoas com estas manifestações, em geral morrem após 6 meses do inicio do quadro se não tratadas.

Forma Linfomatosa

20 a 25% das pessoas com câncer hematológicos possuem esta apresentação:

  • Linfadenopatia – aumento de linfonodos;
  • aumento do fígado e baço – hepatoesplenomegalia;
  • Lesões na pele;

Forma Crônica

Cerca de 20% das pessoas com câncer no sangue secundário ao HTLV apresentam esta forma da doença

É uma forma mais branda, sem acometimento gastrointestinal ou do sistema nervoso central.

Pessoas com este tipo de câncer, possuem um tempo de sobrevida média de 2 anos.

Latente

Apenas 5% dos cânceres hematológicos:

  • Lesões na pele
  • Lesões nos pulmões

Media de sobrevida de 5 anos.

Outras manifestações menos frequentes do HTLV:

  • Doenças pulmonares
  • Doenças reumatológicas
  • Outras neuropatias (exemplo: uveítes).

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito apenas através de testes específicos.

Testes sorológicos

  • ELISA
  • Aglutinação de partículas de gelatina
  • Peptídeos sintéticos
  • Radioimunoprecipitação
  • Western blot (WB)
  • Imunoblot (ib)
  • IFA (Ensaios de Imunofluorescência)

Testes moleculares

Testes que detectam o material genético do vírus

Qualquer testes positivo, deve ser confirmado por outro teste mais específico.

Tratamento

Os estudos para o tratamento específico do vírus são limitados e com resultados controversos.

O uso de alguns antirretrovirais, já usados no HIV, associados ao interferon-alfa (remédio usado para o tratamento da hepatite C entre outras indicações) nos pacientes com câncer hematológico, parece reduzir a progressão do vírus a longo prazo.

O uso de corticoide pode reduzir a inflamação nos quadros de mielopatia e parece retardar um pouco sua progressão.

Não existe indicação de tratamento para portadores assintomáticos. 

Prevenção

  • Triagem sanguínea em doadores de sangue;
  • Realizar sorologias durante o pré-natal para contraindicar a voa de parto normal e a lactância materna das mães infectadas;
  • Uso de preservativos durante as relações sexuais;

Fonte:


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CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

29 thoughts on “HTLV: vírus de transmissão idêntica ao HIV

  1. Bom dia, Dra.
    Tenho três perguntas sobre esse vírus.
    Qual o período da janela imunológica para o htlv em relação aos testes feitos com o sangue nos hemocentros? E em relação os testes feitos em laboratórios particulares (de modo geral)?
    Dor nas panturrilhas são sintomas iniciais do HTLV, ou são sintomas das alterações neurológicas que o HTLV pode gerar?

    Agradeço imensamente a sua atenção.

  2. Boa tarde!
    Doutora esse vírus é de baixa infectabilidade? é verdade que esse vírus tem mais de 30 mil anos? dependendo da forma que se contrai o vírus haverá consequências diferentes tipo por amamentação, sexual, transfusão de sangue, doação de órgãos e drogas injetáveis? um pessoa infectada pelo vírus por quanto tempo viverá em média? agradeço a compreensão.

    1. Apenas a minoria das pessoas portadoras desenvolvem alguma doença relacionada ao vírus. A maioria são portadores assintomáticos.
      A forma que transmissão não tem nenhuma relação com o risco de desenvolvimento de complicações.

    1. Olá, sexo, seja vaginal, anal ou oral, sem proteção há a possibilidade de contágio de qualquer doença sexualmente transmissível (DST). Sendo assim, sugiro que consulte com um médico infectologista para que possa fazer uma avaliação e solicitar os exames necessários.

    1. Olá, sexo, seja vaginal, anal ou oral, sem proteção há a possibilidade de contágio de qualquer doença sexualmente transmissível (DST). Sendo assim, sugiro que consulte com um médico infectologista para que possa fazer uma avaliação e solicitar os exames necessários.

  3. Doutora,
    Meu esposo dou sangue e descobriu que tem HTLV, casada à 30 anos sempre tive relações sem camisinhas, também fiz a doação de sangue e não constou nada no meu exame, pode acontecer isso?

    1. Boa tarde. Se a infecção for recente, pode acontecer. Sugiro que procure um médico infectologista, para que possam ser avaliados pessoalmente e solicitar os exames cabíeis para confirmação ou não do diagnóstico.

  4. Prezada Dra. Keilla,
    A saliva transmite o vírus HTLV?
    Pergunto isso porque a minha dúvida é: receber sexo oral é forma de contágio? Para o primo do HTLV, o HIV, receber sexo oral não é exposição ao risco, como a senhora mesmo descreve aqui no seu blog! Mas e para o HTLV? A saliva também inibe a transmissão do vírus?

      1. Boa tarde doutora. Fiz 2 testes para htlv. Um com 32 dias e outro com 86 dias. Todos negativos..
        Posso descartar essa possibilidade de infecção?
        Obrigado.

  5. Doutora, bom dia!
    Sou enfermeiro e trabalho numa empresa de HOME CARE, tenho um paciente no domicilio aos nossos cuidados com técnicos de enfermagem nas 24h , dai os mesmo solicitam que o paciente esteja em Isolamento de Contato, isso é necesario?
    Obg!

    1. O isolamento de contato tem como objetivo evitar que aquela bactéria seja transportada pelos trabalhadores da saúde para outros pacientes. Isso em ambiente hospitalar tem o seu benefício e indicação muito bem definido. Já em ambiente familiar, a principio a isolamento fundamento seria o padrão. o de contato teria que ver a real necessidade de acordo ao risco de carregar bactérias resistentes a outros pacientes.

      Você pode ver mais sobre o assunto aqui: https://www.drakeillafreitas.com.br/isolamento-hospitalar-saiba-o-que-e/

  6. Olá doutora, adorei seu post, gostaria de tirar uma dúvida, exame anti htlv 1-2 com 3 mêses após a situação de risco, Não reagente, devo fazer de novo ?, qual a janela imunológica ?

  7. Olá doutora, adorei seu post, gostaria de tirar uma dúvida, exame anti htlv 1-2 com 3 mêses após a situação de risco, Não reagente, devo fazer de novo ?, qual a janela imunológica ? Obs: exame com 1 mes, negativo, 3 meses, negativo, ambos em laboratório particular de confiança, exames sorológicos.

  8. Olá,

    Recebi sexo oral, fiz um exame após 84 dias… que deu não reagente. Este exame é confiável?

  9. Olá,

    Recebi sexo oral sem proteção, restante com preservativo.
    Fiz todos exames e deram negativo (após seis meses), único que fiz com 84 dias foi HTLV, posso dar caso como encerrado?

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