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Saiba mais sobre a Coqueluche

Coqueluche
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Coqueluche ou Pertussis é uma Infecção bacteriana que cursa com tosse importante.

Ocorre no mundo, cerca de 50 milhões de novas infecções com 300 mil mortes todos os anos.

Relacionada a quadros graves e morte especialmente em crianças menores de 2 anos não vacinadas.

Contudo, é uma infecção que pode afetar também adultos, mesmo os vacinados e pode causar quadros graves em alguma situações.

Mesmo adultos já vacinados pode se infectar pela coqueluche

Além disso, essa infecção entra no diagnóstico diferencial de quadros de tosse persistentes cuja as causas precisam ser identificadas para a realização de um tratamento adequado.

Causada por uma bactéria chamada Bordetella pertussis

Coqueluche – Como se Transmite

A transmissão ocorre através do contato direto de pessoa a pessoa.

A pessoa infectada transmite ao tossir, espirrar ou mesmo ao falar.

Falando normalmente, as partículas podem chegar até 1 metro de distância.

Durante a tosse ou espirro as partículas infectantes podem alcançar 2 metros ou mais se não houver nenhuma barreira.

O período de maior transmissão é durante as primeiras 2 semanas do inicio da tosse.

Mesmo pessoas sem sintomas podem ter e transmitir a doença.

Uma pessoa infectada não tratada pode transmitir a bactéria até 3 ou mais semanas após o inicio da tosse.

Quando tratada, a transmissão pode ocorrer até 5 dias após inicio do tratamento adequado.

Sintomas

Os sintomas em geral começam entre 3 a 12 dias após o contato com a pessoa infectada.

Os sintomas de doença evoluem por fases. Ao todo a doença dura mais ou menos 6 semanas, não menos de 2.

Estágio 1 – Fase inicial ou Catarral

Os sintomas são muito parecidos com resfriado comum, outros vírus respiratórios ou até mesmo quadros alérgicos como:

  • Congestão nasal
  • Rinorreia
  • Espirros
  • Febre baixa
  • Sufusão conjuntival (parecido com conjuntivite)

Estágio 2 – Tosse Coqueluchoide

  • Crises de tosse intensa que se iniciam abruptamente e duram vários minutos.
  • A tosse por vir seguida de um grito alto, que é na verdade o barulho do ar passando por uma garganta ainda parcialmente fechada.
  • Tosses tão intensas que podem ser seguidas de vômito, lipotimia (quase desmaio) e rosto muito vermelho.
  • Crianças menores que 1 ano de idade, podem inclusive, não conseguir respirar.

Estágio 3 – Convalescênça

  • Tosse crônica por pelo menos 4 semanas.

Complicações

Mais relacionadas à infecção em crianças pequenas (menores que 6 meses).

Mas adultos com imunidade baixa ou doenças pulmonares crônicas, também podem ter quadros mais graves.

  • Apneia: Associada ao quadro de tosse paroxística.
  • Pneumonia: complicação grave, com inchaço e sangramento pulmonar, mais comum em crianças pequenas.
  • Convulsões e Encefalite (inflamação do cérebro).
  • Morte.

Como Confirmar o Diagnóstico

Exames Sorológicos

Testes que identificam anticorpos específicos no sangue.

Existem vários tipos: IgG específico, IgA específico, IgM específico

Devem ser sempre interpretados por um médico pois podem indicar: Infecção ativa, infecção prévia ou apenas vacinação prévia.

Para confirmar infecção ativa, o ideal é repetir estes exames de 1 a 2 semanas após a primeira coleta para comprar a curva dos valores apresentados.

Exames de Detecção Direta

Feitos a partir de secreção nasofaríngea (nariz e/ou  garganta)

  • Ensaio fluorescente direto
  • Teste molecular (detecção de material genético)

Tratamento

Antibióticos específicos como:

  • Azitromicina
  • Eritromicina
  • Claritromicina
  • Sulfametoxazol/Trimetoprim

Diagnóstico diferencial (outras causas de tosse persistente)

  • Pneumonia viral ou bacteriana
  • Sinusite viral ou bacteriana
  • Resfriado comum
  • Fibrose cística
  • Pneumonia intersticial
  • Bronquiolite
  • Laringotraqueobronquite
  • Gastroenterite
  • Refluxo esofagiano
  • Intussuscepção (um tipo de obstrução intestinal –  comum em crianças)
  • Tuberculose

Como se prevenir

Profilaxia pós exposição

Deve ser realizada apenas em pessoa com fatores de risco, complicações e quem teve contato próximo.

O que é contato de risco:

Aproximar o próprio rosto do rosto da pessoa com sintomas a menos de 1 metro de distância.

Pessoas com contato direto com secreção respiratória,  nasal ou oral.

Quem deve receber a profilaxia:

Crianças pequenas que não receberam a vacina contra a coqueluche (pertussis).

Adultos com imunidade muito baixa.

Adultos com doença pulmonar crônica (como enfisema pulmonar).

Como é feita a profilaxia

A profilaxia é feita com os mesmos antibióticos usados para o tratamento mas em doses bem menores.

Deve ser iniciada até 21 dias depois do inicio da tosse da pessoa com quem teve o contato.

Não está indicada a profilaxia contra a coqueluche em gestantes que tiveram contato com pessoa infectada.

Vacinação

A vacina contra a coqueluche está indicada para todas as crianças de acordo a sua idade (vide calendário aqui).

Adultos também devem se vacinar em algumas situações.

  • Vacina para crianças = DTPa ou DTPw ou dTpa
  • Vacina para adultos = dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto)

Quais os adultos que devem se vacinar:

  • Pessoas com Imunidade baixa
  • Pessoas com problemas pulmonares crônicos como enfisema pulmonar
  • Gestantes
  • Contactantes de gestantes

Mesmo quem teve a coqueluche devem receber a vacina, pois a proteção pela infecção não é permanente.

A infecção prévia pela coqueluche não dá proteção para a vida toda

Quando se vacinar:

  • Pessoas com imunidade baixa ou doença pulmonar a cada 10 anos
  • Contactantes de gestantes a cada 5 anos
  • Gestantes com vacinação completa, devem receber nova dose da vacina preferencialmente até a 20ª semana de gestação, independente da data da última vacina.

 

Fonte:


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CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

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