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Infecções de Pele: o que Você Precisa Saber

Infecção De Pele
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As infecções de pele são condições mais frequentes do que as pessoas imaginam e podem se manifestar por diversas formas de acordo com suas causas. Geralmente, esse tipo de infecção pode derivar das bactérias presentes na nossa própria pele.

Ao encontrarem uma porta de entrada, como por exemplo, fissuras e feridas, essas bactérias que não causam doenças quando não ultrapassam a barreira da pele, podem gerar alguns danos devido a infecções. Continue a leitura deste artigo e saiba mais sobre como prevenir infecções de pele de repetição.

As Infecções de Pele

Conhecidas também como infecções cutâneas, as infecções de pele costumam surgir quando há um desequilíbrio na flora bacteriana. Com isso, podem se apresentar como acnes, furúnculos, abcessos, ou até mesmo doenças mais graves causadas por estafilococos.

Além disso, existem outros tipos de infecções cutâneas que atingem os pés, virilhas, mãos e outros lugares derivados de fungos.

Fatores de Risco

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Assim como outras condições, essas infecções podem afetar mais facilmente pessoas com os seguintes fatores:

  • Imunidade baixa;
  • Obesidade;
  • Edema crônico;
  • Insuficiência venosa;
  • Insuficiência linfática;
  • Diabetes mellitus;
  • Desnutrição;
  • Etilismo;
  • Uso de drogas injetáveis;
  • Infecção pelo vírus HIV;
  • Internação hospitalar recente;
  • Uso recente de antibióticos (independente da indicação);
  • Terapia de hemodiálise;
  • Uso crônico de corticoide tópico (pomadas, gel, etc).

Diagnóstico

Sempre que possível, deve-se tentar identificar o agente causador da infecção para um tratamento assertivo

Essa identificação é feita apenas através da análise de material infectado que deve ser coletado com a técnica adequada.

Tratamento

O tratamento dependerá da causa, localização, gravidade e evolução do caso

Quando não for possível coletar amostra adequada para identificar a causa, o tratamento será feito de acordo às principais causas para este tipo de infecção.

Tipos de infecção de pele

Celulite ou erisipela

Celulite

  • Causas principais:
    • Streptococcus Beta hemolítico do grupo A;
    • Streptococcus pyogenes;
    • Stafilococcus aureus;
    • Bactérias do tipo Bacilos aeróbicos gram negativos (menos frequente);
    • Fungos.
  • Seus sintomas são locais:
    • Edema (inchaço);
    • Hiperemia (vermelhidão);
    • Calor;
    • Dor;
    • Celulite.

Dependendo da gravidade e da resposta do organismo da pessoa, pode levar a sintomas sistêmicos e alterações dos exames de sangue.

veja mais detalhes aqui

Infecções purulentas da pele

  • Acne vulgar
    Acne vulgar

Também conhecido como espinha

Muito relacionado à oleosidade da pele

Tratam-se de pápulas e pústulas inflamatórias que afetam geralmente rosto, tórax, ombro e costas

Na maioria das vezes não tem indicação de tratamento antibiótico oral.

Cuidados no controle da oleosidade da pele, hormônios e alimentação podem ajudar na prevenção dos quadros

Medidas de descolonização da pele podem ajudar.

  • Erupções acneiformes

Erupções acneiformes

Tipo de reação cutânea, localizada principalmente em face induzida por:

  • medicamentos sistêmicos (orais ou endovenosos)
    • Corticóides,
    • Hormônios androgênios,
    • Lítio,
    • Isoniazida
    • Fenitoína
    • Corticotropina
    • Ciclosporina
    • Dissulfiram
    • Azatioprina
    • VItaminas B2, B6, B12
  • Cosméticos,
  • Produtos químicos

Acne keloidalis nuchae (Acne quelóide da nuca)

Acne keloidalis nuchae

Inflamação crônica e cicatrização dos folículos pilosos do pescoço posterior mais frequente em homens de pele escura.

Podem ocorrer pápulas foliculares, pústulas e cicatrizes hipertróficas

  • Rosácea
Rosácea em face
Rosácea em face
Rosácea ocular
Rosácea ocular

Vermelhidão crônica no rosto

  • Caracterizadas por:
    • Telangiectasia (veja imagem abaixo),
    • Eritema,
    • Pápulas,
    • Nódulos,
    • Espessamento dos tecidos moles
    • Proeminência sebácea da face central

Fatores de risco para o seu aparecimento

  • Alterações auto-imunes
  • Reações inflamatórias a microrganismos cutâneos
    • Demodex folliculorum (ácaro que vive nos folículos sebáceos)
    • Helicobacter pylori (bactéria causadora da gastrite)
    • Supercrescimento bacteriano do intestino delgado
    • Staphylococcus epidermidis
    • Bacillus oleronius
    • Chlamydia pneumoniae
  • Hiper reatividade vascular,
  • Exposição à luz ultravioleta
  • Fatores genéticos.
    • Antígeno leucocitário humano (HLA)

Fatores que podem piorar o quadro:

  • Álcool,
  • Comida picante,
  • Bebidas quentes,
  • Temperaturas extremas
  • Exposição solar
  • Estresse psicológico
  • Exercício
  • Irritação de produtos tópicos
  • Certos medicamentos, como ácido nicotínico e vasodilatadores
  • Consumo de Café
  • Tabagismo
Rosácea com telangiectasia
Rosácea com telangiectasia

Miliária

Miliária

causada pelo acúmulo de suor sob os ductos sudoríparos écrinos obstruídos pela queratina.

Furúnculo

Furúnculo

Inflamação superficial ou profunda do folículo piloso (lugar onde nascem os pelos)

A causa mais comum é bacteriana, mas fungos, parasitas e vírus também podem ocasionar este problema.

O tratamento varia de acordo com a causa

Carbúnculo

Carbúnculo

Conjunto de Furúnculos que se formam embaixo da pele e drenam seu conteúdo para o exterior através de folículos pilosos

Foliculite

Inflamação da porção superficial ou profunda do folículo piloso.

A foliculite pode ser infecciosa ou, menos frequentemente, não infecciosa.

A causa mais comum é a bacteriana. Mas fungos, vírus (como foliculite herpética) e parasitas também podem ser os agentes causadores.

Tratamento geralmente é sistêmico com algumas condutas tópicas que podem ajudar

Foliculite da barba - causada por S aureus

Foliculite da barba – causada por S aureus https://www.uptodate.com/contents/images/DERM/129418/Folliculitisbarbae.jpg

Foliculite por pseudomonas aeroginosa - foliculite de banheira de hidromassagem
Foliculite por pseudomonas aeroginosa – foliculite de banheira de hidromassagem https://www.uptodate.com/contents/images/ID/98255/Pseudomonasfolliculitis.jpg

 

foliculite herpética
foliculite herpética https://www.uptodate.com/contents/images/DERM/129425/Herpesfolliculiits.jpg

 

Foliculite por fungo - tinea barbae
Foliculite por fungo – tinea barbae https://www.uptodate.com/contents/images/DERM/117243/Tineabarbae3.jpg

 

Foliculite por dermatophyte -  Majocchi's granuloma
Foliculite por dermatophyte – Majocchi’s granuloma https://www.uptodate.com/contents/images/DERM/103535/Mjcchgrnlmextrm.jpg

 

ImpetigoImpetigo

Infecção superficial da pele, causada por bactérias

Muito comum em crianças de 2 a 5 anos, mas também pode afetar adultos.

Pode ser primária (infecção bacteriana direta na pele normal) ou secundária (infecção em locais de pequenos traumas na pele, como escoriação, abrasão, picada de insetos, ou condição subjacentes, como eczema ou alergia)

Mais comum em situações de umidade e calor e pode ser transmitida com facilidade entre pessoas com contato próximo.

Tratamento é feito com antibióticos orais

Descolonização de pele também pode ajudar

Impetigo Bolhoso

Impetigo Bolhoso

Pápulas que evoluem para vesículas rodeadas de eritema.

Posteriormente, tornam-se pústulas que se ampliam e se decompõem rapidamente.

Formam-se então crostas espessas e aderentes, com uma característica aparência dourada

Impetigo não Bolhoso

Impetigo não Bolhoso

Geralmente há menos lesões que na forma de apresentação não bolhosa e com maior afetação do tronco

Formam-se bolhas parecidas a queimaduras. Quando estouram, liberam um líquido amarelo claro

Esta apresentação em adultos deve levar à investigação de causa de baixa imunidade, como o HIV.

Ectima

Forma ulcerativa de impetigo em que as lesões podem atingir camadas tão profundas da pele que pode afetar camadas de gordura deixando cicatrizes permanentes

Infecção produtora de pus causada pelo Streptococcus pyogenes ou Staphylococcus aureus.

A lesão inicial é uma mancha avermelhada e inchada, que evoluiu para uma pequena bolha que se rompe formando uma ou várias úlceras perfuradas, recobertas por crostas espessa e aderente da cor de mel, cercada por margem violácea elevada

Ectima

Ectima gangrenoso

Ectima gangrenoso
Variante do Ectima causada por outra bactéria, a Pseudomonas aeruginosa.
Causa invasão bacteriana perivascular com necrose isquêmica secundária
Tratada com antibióticos e procedimentos cirúrgicos de limpeza quando necessário.

Erisipelóide

Erisipelóide
Uma das formas de apresentação da infecção Zoonótica (microorganismo que normalmente afeta animais e afeta o ser humano de forma não habitual), geralmente causada por exposição ocupacional (exposição ocorre geralmente no trabalho)

Causada por uma bactéria chamada Erysipelothrix rhusiopathiae, comum em animais como porco, cavalos, galinhas, peixes, etc.

Além da forma cutânea localizada (Erisipelóide) existem outras formas de apresentação:

Formas de apresentação da infecção por Erysipelothrix rhusiopathiae

Infecção cutânea localizada (Erisipelóide) – vide imagem acima
Tipo de celulite de evolução lenta, de cor violácea com centro claro e borda elevada que afeta principalmente dedos e dorso da mão (áreas de exposição)

Infecção cutânea difusa
Dado também por exposição ocupacional ou ingesta de alimentos contaminados mal cozidos.

Infecção sistêmica
Apresentação incomum com bacteremia, febre e quadro de sepse.

Endocardite

Quadro grave de infecção do coração, acometendo as válvulas cardíacas com altas taxas de complicações como:

  • Insuficiência cardíaca
  • Perfuração de válvula com necessidade de cirurgia cardíaca
  • Insuficiência valvar com necessidade de cirurgia cardíaca
  • abscesso miocárdio (músculo do coração)
  • Infarto cerebral (acidente vascular cerebral por trombos)
  • Insuficiência renal
  • Glomerulonefrite proliferativa

Outras manifestações da infecção pelo Erysipelothrix rhusiopathiae

  • Abscesso cerebral
  • Meningite
  • Endoftalmite
  • Abscesso intra abdominal
  • Abscesso do psoas
  • Abscesso epidural e paravertebral
  • Pneumonia
  • Fascitis necrotizante
  • Osteomielite (Infecção nos ossos)
  • Artrite séptica
  • Infecção de prótese
  • Peritonite relacionada à diálise peritoneal com bacteremia

Pioderma gangrenoso

Inflamação crônica da pele frequentemente associada a doenças inflamatórias cronicas que afetam o corpo como um todo como doença inflamatória intestinal, artrite e distúrbios linfoproliferativos.

A doença pode começar como uma pústula isolada ou lesões espalhadas no tronco ou extremidades. Evoluindo para úlceras cutâneas dolorosas, marcadas por bordas solapadas e eritema periférico.

Hidradenite supurativa

Hidradenite supurativa

Inflamação crônica da pele que envolve as glândulas sudoríparas

A oclusão folicular é o evento mais provável responsável pelo desenvolvimento inicial das lesões

Fatores de risco

  • Genético
  • Obesidade
  • Estresse
  • Tabagismo
  • Hormônios
  • Medicações hormonais

Abscesso

Abscesso

Pode estar ou não associada a quadros de celulite bacteriana

Bactéria causadora mais comum é o S. aureus, mas pode ter outras causas, inclusive não bacterianas

Coleção visível, geralmente dolorosa, com hiperemia.

O tratamento é feito à base de antibióticos sistêmicos (orais e por vezes endovenosos) e drenagem do abscesso.

Compressas com água morna podem ajudar para a organização e drenagem espontânea do abscesso.

Se esta drenagem não ocorrer espontaneamente, terá que ser feito por procedimento médico

Sempre que possível, uma coleta da secreção é feita a partir da drenagem, com aspiração, para analisá-la e tentar identificar o agente causador do quadro.

Coletas de material por swab (cotonete) a partir de secreção externa em abscessos que já estão drenando podem apontar para bactérias que estão colonizando a pele e não as que estão verdadeiramente causando a infecção e por isso não devem ser consideradas.

Como Prevenir Infecção de Pele de Repetição

  • Investigação completa do estado do sistema imune da pessoa;
  • Controle de fatores que aumentam o risco;
  • Garantir uma boa limpeza das mãos;
  • Descolonização da pele (mupirocina nasal);
  • Clorexidina ou banhos de alvejante;
  • Curso prolongado de antibióticos na próxima crise;
  • Cobrir feridas abertas;
  • Realizar desinfecção ambiental.
Mais Informações sobre este assunto na Internet:

Artigo Publicado em: 5 de set de 2018 e Atualizado em 04 de outubro de 2022

 


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Dra. Keilla Freitas
CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.


https://www.drakeillafreitas.com.br/quem-somos/

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