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Vacina da hepatite B

Vacina da hepatite B

A infecção pelo hepatite B é de evolução silenciosa e pode ser muito grave

Ela leva a complicações do fígado como cirrose hepática e câncer no fígado, entre outros problemas

Estima-se que 1/3 da população mundial já foi infectado pelo vírus da hepatite B

É inadmissível tantas complicações secundárias a uma doença prevenível por vacina

Como é a vacina

Trata-se de vacina feita por vírus inativado (morto), portanto, não tem como causar a doença.

É composta por proteína de superfície do vírus da hepatite B purificado, hidróxido de alumínio, cloreto de sódio e água para injeção.

Pode conter fosfato de sódio, fosfato de potássio e borato de sódio.

A rede pública utiliza a apresentação multidose (mais de uma dose por frasco), que contém timerosal (derivado do mercúrio) como conservante.

Quem deve tomar a vacina:

Todos as pessoas que não possuem contra indicação devem ser vacinadas para a hepatite B

Atualmente, ela faz parte da rotina de vacinação das crianças e já é aplicada nas primeiras  24 horas de vida.

Ela está especialmente indicada para as gestantes que não foram vacinadas

Quem não pode receber a vacina:

  • Pessoas com história de alergia grave (Anafilaxia) com qualquer componente da vacina ou com dose anterior.
  • Pessoas que desenvolveram púrpura trombocitopênica após dose anterior de vacina com componente hepatite B.

Adiamento da vacina:

Em algumas situações, a vacina deve ser postergada até melhores condições:

  • Pacientes com imunossupressão severa, como portadores de HIV com CD4 muito baixo
  • Quadros infecciosos agudos, como vômitos e diarreia

Como a vacina deve ser administrada:

Crianças:

Esquemas com 4 doses:

  • 1ª dose: ao nascimento
  • 2ª dose:  2  meses de vida
  • 3ª dose: 4 meses de vida
  • 4ª dose: 6 meses de vida

Esquemas com 3 doses:

  • 1ª dose: ao nascimento
  • 2ª dose:  2  meses de vida
  • 3ª dose: 6 meses de vida

Prematuros vacinados ao nascer necessitam, obrigatoriamente, de quatro doses.

Crianças mais velhas, adolescentes e adultos

Esquemas com  3 doses

  • A 2ª dose deve ser dada após pelo menos 1 mês da 1ª dose
  • A 3ª dose deve ser dada pelo menos 5 meses após a 2ª

Vacina conjugada A e B

Existem ainda vacinas com a hepatite A e B conjugada.

Quando existe indicação das 2 vacinas, a vacina conjugada pode ser administrada.

Esquema para a vacina conjugada A+B

  • Para crianças menores de 16 anos = apenas duas doses com intervalo de seis meses.
  • > 16 anos e adultos =  o esquema é de três doses, tal qual a vacina B sozinha.

Esquema vacinal para pessoas imunodeprimidas

Pessoas com imunidade baixa, como os portadores de HIV, doenças auto-imunes, transplantados, etc, possuem maior dificuldade para responder à vacina.

Por isso o esquema vacinal nessa pessoas é um pouco diferente:

  • Recomenda-se evitar a administração da vacina conjugada A+B nessas pessoas.

Elas devem receber as vacinas separadamente. Mesmo que sejam administradas no mesmo dia, devem ser aplicadas em sítios diferentes.

  • A dose deve ser dobrada

Saiba mais sobre vacina em pacientes vivendo com HIV aqui

Não se perde dose de vacina

Significa que mesmo que já tenha passado muito tempo da última dose, em caso de esquemas incompletos, basta completar o esquema

Vacinação de gestantes

Toda gestante deve fazer os exames de sangue específicos para a hepatite B durante o pré-natal.

Caso sejam suscetíveis (nunca tiveram contato com a vacina e não possuírem resposta à vacina), devem ser vacinadas

O esquema da vacinação em gestantes é similar ao das não gestantes, com 3 doses.

Aplicação da vacina:

  • Sempre por via intra-muscular.
  • Não são necessários cuidados especiais antes da vacinação.
  • Em caso de febre, deve-se adiar a vacinação até que ocorra a melhora.
  • Compressas frias aliviam a reação no local da aplicação.
  • Qualquer sintoma grave e/ou inesperado após a vacinação deve ser notificado ao serviço que a realizou.
  • Sintomas de eventos adversos graves ou persistentes, que se prolongam por mais que 24 a 72 horas (dependendo do sintoma), devem ser investigados para verificação de outras causas.

Possíveis reações à vacina:

Mais comum (3% a 29% dos vacinados) – alterações no local da aplicação:

  • Dor no local da aplicação;
  • Endurecimento;
  • Inchaço;
  • Vermelhidão.

Mais raros (1% a 6% dos vacinados) –  manifestações gerais:

  • Febre (baixa, tolerada, aparece nas primeira 24 horas após a aplicação e acaba sozinha)
  • Cansaço
  • Tontura
  • Dor de cabeça
  • Irritabilidade
  • Desconforto gastrintestinal

Extremamente rara (menos de 0,01% dos vacinados) – reações mais graves:

  • Púrpura trombocitopênica idiopática (evento tão raro que até hoje não se sabe ao certo se tem relação com a vacina ou se os casos foram apenas coincidência). Nestes casos, as manchas roxas ou avermelhadas na pele e a diminuição da contagem de plaquetas que caracterizam a doença surgiram poucos dias a até dois meses depois da vacinação.
  • Anafilaxia também é muito rara: um caso cada 600 mil adolescentes e adultos vacinados, sendo mais rara ainda em crianças.

Como saber se houve resposta

Para se ter certeza da resposta vacinal, um exame de sorologia Anti HBs deve ser feito 6 meses após a aplicação da 1ª dose.

O que fazer quando não há resposta vacinal

A 2ª dose deve ser administrada 2 ou 4 semanas após a primeira dose.

A partir da 2ª dose já existe resposta, mas para uma proteção em longo prazo, uma 3ª dose deve ser feita a partir dos 6 meses após a 1ª.

Quando não há resposta vacinal, a pessoa deve receber novamente as 3 doses.

Em caso de imunodepressão, o segundo esquema deve ser preferencialmente dobrado.

Dose de reforço

É natural que, após algum tempo, os níveis de anticorpos protetores (anti HBs) diminuem.

Para a população geral a dose de reforço após a negativação dos valores de Anti-HBs é discutível.

Mas em alguns casos, a vigilância dos valores dos anticorpos protetores e a dose de reforço está recomendada:

  • Pessoas com maior risco de exposição como os profissionais da saúde e profissionais do sexo;
  • Pessoas com imunidade baixa.

Vacina da hepatite B para viajantes:

O ideal é se vacinar 6 meses antes da viagem.

Mas existe a opção de vacinação de curto prazo, que deve ser feita pelo menos três semanas antes da partida.

A vacinação de curto prazo oferece somente cerca de 70 a 80% de proteção;

Saiba mais sobre vacinas em viajantes aqui

 

Fonte:

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Dra. Keilla Freitas
Dra. Keilla Freitas
Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.
http://www.drakeillafreitas.com.br/

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