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Microcefalia é causada pelo vírus zika

Cientistas do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos – CDC, confirmaram que o Zika Vírus (ZIKV) realmente causa microcefalia fetal em filhos de mães que se infectaram durante a gravidez.

O artigo de revisão foi  publicado no New England Journal of Medicine de 13 de Abril de 2016. pesquisadores americanos realizaram uma revisão bibliográfica.

Eles analisaram estudos científicos publicados em todo o mundo e muitos realizados aqui mesmo no Brasil.

Como chegou-se a confirmação do Zika como causa de microcefalia:

Foram seguidas uma série de normas cientificas chamadas de “critérios de Shepard”, publicadas em 1994 pelo pediatra Thomas Shepard.

Ele estabeleceu  critérios para definir se um agente poderia ser considerado teratogênico (substância ou evento que pode prejudicar um desenvolvimento normal do bebê no útero).

Além disso, foram considerados testes de causalidade definidos por Sir Austin Bradford Hill em 1965, que foram analisados separadamente.

Já havia sido encontrado uma associação importante entre infecção pelo ZIKV na gestação e o aparecimento de microcefalia e outros defeitos congênitos graves.

Mas até agora, apesar da fortes suspeitas, ainda não havia sido declarada uma relação causal (Vírus Zika como causador das má formações).

Foram encontrados 3 dos 7 critérios de Shepard:

  • Confirmação de que as exposições ocorreram durante o tempo mais importante do desenvolvimento (mães que se infectaram pelo Zika no primeiro e segundo trimestre da gestação, tempo mais importante do desenvolvimento fetal, tiveram maiores chances de desenvolver microcefalia)
  • Observaram outros sinais de má formação associadas como excesso de pele em couro cabeludo, lesões oculares como catarata, movimentos anormais das articulações, etc, e todos estes sinais seguiam mais ou menos o mesmo padrão.
  • Exposições raras causam efeitos raros (grávidas vindas de países que não possui casos de Zika, que viajaram para áreas endêmicas do Vírus e se infectaram,  tiveram bebês com microcefalia, que é um defeito de nascença raro)

Além desses critérios, o ZIKVs já foi isolado em liquido amniótico, fluido espinhal e tecido cerebral de bebês afetados.

Perguntas ainda sem reposta:

  • Qual é a porcentagem das mães infectadas pelo Zika na gestação cujo bebê não é afetado? ( ou seja, qual o risco real de complicações fetais nas gestantes infectadas?);
  • O vírus pode ser transmitido pelo leite materno?;
  • Quais as possíveis complicações nos bebês infectados após o nascimento?;
  • O vírus pode ser passado pela saliva?;
  • Por quanto tempo o vírus pode permanecer no esperma em níveis capazes de infectar durante o ato sexual?;
  • O homem pode transmitir o vírus pelo sêmen mesmo sem apresentar sintomas?.

Isso tudo sem contar o que nos falta percorrer em termos de aperfeiçoamento de meios diagnósticos, vacinas e tratamentos.

Contudo, os longos caminhos da construção do conhecimento científico são percorridos um passo de cada vez e com a colaboração e interesse dos cientistas de todo o mundo, esse processo se faz bem mais rápido.

Além disso, esta declaração também afasta outros rumores absurdos, sensacionalistas e  sem nenhum fundamento cientifico, como o de que larvicidas ou vacinas vencidas estariam causando a microcefalia.

Outras causas de microcefalia

Fonte:

CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

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