Você está aqui
Home > HIV/AIDS > Diagnóstico do HIV: Como Fazê-lo

Diagnóstico do HIV: Como Fazê-lo

Infectologista - Diagnóstico do HIV: Como Fazê-lo
Compartilhe

Diagnóstico do HIV

Apesar de todo avanço nos tratamentos contra o HIV, esta infecção segue sendo um problema mundial.

Dados sobre o HIV, segundo a OMS, no ano de 2015 no mundo:
  • 36,7 milhões de pessoas vivendo com o Vírus do HIV;
  • 2,1 milhões de novas infecções;
  • Mais de 1 milhão de mortes por causas relacionadas ao HIV;
  • 7 em cada 10 pessoas com alto risco de se infectar pelo HIV que não realizaram exame para HIV no último ano, passaram por algum profissional de saúde. Mais de 75% desses profissionais poderiam ter solicitado o exame para HIV e não o fizeram.

Diagnóstico do HIV: Como Fazê-lo

O medo do diagnóstico

Estima-se que de 50-60% dos portadores de HIV não sabem do diagnóstico.

Esse atraso ocorre, muitas vezes, por desinformação ou preconceitos com relação ao HIV.

1 em cada 2 pessoas que faz diagnóstico do HIV possui o vírus no organismo há pelo menos 3 meses.

Entre os homens heterossexuais, o problema é ainda maior:

Metade dos homens heterossexuais com HIV fazem o diagnóstico 5 anos ou mais após terem se infectado.

Isso só aumenta o risco de transmissão a outras pessoas.

Cerca de 40% das transmissões são feitas a partir de pessoas que não sabem de seu diagnóstico.

Além disso, o atraso no diagnóstico atrasa o inicio do tratamento, o que leva a complicações causadas pelo HIV, não necessariamente relacionadas à baixa da imunidade (leia mais aqui).

Diagnóstico do HIV: Como Fazê-lo

O período de maior circulação de vírus no sangue é de 1 a 12 semanas após primeiro contato com o vírus.

Na região genital, o período de maior concentração viral ocorre entre 10 e 12 semanas após o primeiro contato.

O risco de transmissão do vírus é 26 vezes maior durante a infecção aguda que em fase mais crônica da infecção.

Estima-se que 10 a 50% das transmissões do vírus ocorram no primeiro ano após a infecção.

O diagnóstico precoce do HIV e o tratamento da infecção é a maior prevenção para novas transmissões e a maior garantia de expectativa de vida e perspectiva de qualidade de vida.

Diagnóstico do HIV: Como Fazê-lo

Quem tem Maior Risco?

Sabemos que não existe população em risco para se infectar pelo HIV. Existe, sim, estilo de vida de risco.

A distribuição dos casos de HIV entre as populações no mundo mostram como grande parte das pessoas que se infectam pelo HIV, não pertencem ao chamado “grupo de risco”.

Diagnóstico do HIV: Como Fazê-lo
Desenho tirado de: WHO – Pag 4

Diagnóstico do HIV – Onde fazer o teste?

  • Testes comprados em Farmácias (feitos pela própria pessoa);
  • Laboratórios;
  • Testes rápidos podem ser feitos, inclusive pelo Sistema Único de Saúde.

O que é Janela Imunológica?

É o tempo que um teste leva para dar o diagnóstico positivo de uma infecção, a partir do primeiro contato com o vírus.

Neste período, a pessoa pode já estar infectada e ainda sim o teste ter resultado negativo.

A janela imunológica muda de acordo com o tipo de teste.

Os testes para diagnóstico de HIV identificam diferentes estruturas.

Para entender como funcionam os exames diagnósticos do HIV, é preciso conhecer um pouco mais sobre os tipos do vírus HIV e como o vírus HIV age no organismo humano.

Marcadores Biológicos para o Diagnóstico do HIV

Desde o primeiro contato do HIV com o organismo até o estabelecimento da infecção, existe uma sequencia de acontecimentos.

Nessa sequencia, existe uma interação do vírus com o organismo e a liberação de vários elementos chamados marcadores. O diagnóstico do HIV é feito através da detecção destes marcadores.

Os diferentes tipos de teste detectam diferentes tipos de marcadores. O marcador que o teste consegue detectar definirá o tempo minimo para se conseguir o diagnóstico por aquele teste (janela imunológica).

Material Genético

São testes moleculares de detecção direta do vírus (RNA- HIV).

Chamados de PCR-HIV (Técnica de Reação em Cadeia de Polimerase) ou Carga Viral.

Testes com menor tempo de janela imunológica, muito sensíveis e específicos. Usados para:

  • Diagnóstico em bebês menores de 18 meses;
  • Controle de tratamento;
  • Testes diagnósticos indeterminados.

Antígenos

Antígenos são proteínas do próprio vírus. São elas que entram em contato com algumas células de defesa, causando a produção de anticorpos.

Cada vírus é constituído por vários tipos de proteínas. Algumas estão presentes no HIV tipo-1 e outras no HIV tipo-2.

Diagnóstico do HIV: Como Fazê-lo

Anticorpos

Testes que detectam anticorpos (proteínas que nosso organismo produz ao entrar em contato com o vírus). Existem 2 tipos de anticorpos:

  • Imunoglobulina M – IgM: anticorpos que são produzidos durante fase precoce do contato com o vírus.
  • Imunoglobulina – IgG: anticorpos que são produzidos em etapas mais tardias.

Diagnóstico do HIV: Como Fazê-lo

Diagnóstico do HIV – Testes de Triagem ou Rastreio

O diagnóstico do HIV é feito através da realização de exames específicos. Existem vários tipos de exames. À medida que os testes foram evoluindo, os tipos de marcadores que conseguem identificar foram mudando.

Os testes de rastreio são os primeiros que devem ser realizados. Eles são testes de Imunoensaio ou Elisa e fazem o diagnóstico do HIV através da detecção dos marcadores biológicos.

Testes mais novos conseguem identificar marcadores que se encontram mais cedo no sangue, possibilitando um diagnóstico mais precoce. Diferentes testes fazem o diagnóstico do HIV identificando diferentes marcadores no sangue.

Testes de Primeira Geração

Este teste identifica a presença de anticorpos específicos de tipo IgG. Eles são menos sensíveis e menos específicos que as gerações seguintes, pois podem positivar erroneamente por contaminantes de proteínas celulares.

Em média, a janela de seroconversão destes testes é de 6 a 8 semanas. Atualmente, esses ensaios deixaram de ser utilizados na rotina diagnóstica dos laboratórios.

Testes de Segunda Geração

Identificam algumas proteínas do próprio vírus. Em comparação com os ensaios de primeira geração, os de segunda geração são mais sensíveis e específicos, por conter uma maior concentração de proteínas relevantes. Em média, a janela imunológica dos ensaios de segunda geração é de 28 a 30 dias.

Testes de Terceira Geração

Identifica algumas proteínas virais e a identificação simultânea de anticorpos anti-HIV IgM e IgG. A possibilidade de detectar anticorpos da classe IgM (que são expressos antes dos anticorpos IgG)  torna esse ensaio mais sensível do que os de gerações anteriores.

Testes de Quarta Geração

Este teste detecta ao mesmo tempo o antígeno p24 e anticorpos específicos anti-HIV de tipo IgM e IgG. Em média a janela imunológica deste teste é de 15 dias.

Testes de rastreio são testes bastante sensíveis e por isso possuem altas taxas de resultados falso positivos. Por isso, quando um destes testes possui um resultado positivo, um teste complementar deverá ser feito.

Diagnóstico do HIV – Testes Complementares

  • Western blot (WB);
  • Imunoblot (IB);
  • Imunofluorescência indireta (IFI);
  • Testes moleculares.

A maioria destes testes detecta apenas anticorpos. Então, uma pessoa com infecção muito recente pode ter um teste de rastreio de 4ª geração positivo e um WB negativo, pois ainda não houve tempo de aparecerem os anticorpos.

Testes Rápidos para o Diagnóstico do HIV

Permitem a detecção de anticorpos anti-HIV na amostra de sangue do paciente em até 30 minutos, por isso podem ser realizados no momento da consulta. Podem ser feitos com:

  • Amostra de sangue obtida por punção venosa;
  • Amostra de sangue obtida a partir punção da polpa digital;
  • Amostras de fluido oral;
  • Dependendo do fabricante, podem também ser realizados com soro e/ou plasma.

Os testes rápidos permitem que o paciente, no mesmo momento que faz o teste, tenha conhecimento do resultado e receba o aconselhamento pré e pós-teste.

Os testes rápidos em geral detectam apenas os anticorpos, não detectam material genético ou proteínas do vírus.

Limitações do Teste Rápido

O teste rápido possui 99% de sensibilidade e especificidade em infecções crônicas pelo HIV, mas possui uma taxa de falso negativos (resultado negativo em quem tem o vírus) em até 12% das infecções agudas.

Situações ideais para a realização do teste rápido como rastreio de HIV

  • Populações que moram em locais de difícil acesso à saúde;
  • Gestantes em trabalho de parto que não fizeram o acompanhamento no pré-natal;
  • Situações de acidentes no trabalho;
  • Populações com risco sociais com grande possibilidade de perda de seguimento.

Teste de Fluido Oral

Diagnóstico do HIV: Como Fazê-lo

O teste do fluido oral é um teste rápido, de triagem, que pode ser encontrado em farmácias. O teste detecta anticorpos contra o HIV no fluido oral da pessoa.

O exame fornece o resultado que pode ser analisado a olho nu, em até 30 minutos, e pode ser executado em qualquer local.

Vantagens do teste de fluido oral
  • Fácil acesso;
  • Resultado rápido;
  • Maior privacidade;
  • Não precisa ser feito por pessoa treinada;
  • Aumento dos casos diagnosticados.
Desvantagens do teste de fluido oral
  • Testes de fluido oral parecem ser menos sensíveis que os testes rápidos de sangue (falso negativo);
  • Podem ter problemas de armazenamento, validade ou erros de realização, o que pode comprometer os resultados;
  • Pode dar uma falsa sensação de segurança (falso negativo).

Interpretação dos Valores Absolutos no Resultado do Teste

Diagnóstico do HIV: Como Fazê-lo

Muitas pessoas que fazem mais de um teste diagnóstico ficam muito preocupadas com o significado dos valores absolutos dos testes. Isso gera uma ansiedade desnecessária.

O único teste diagnóstico cujo valor absoluto importa é o teste molecular, o de carga viral. Nos demais testes, o valor absoluto do resultado não possui nenhuma importância clínica.

Kits diferentes, realizados em momentos diferentes em uma mesma pessoa terão valores diferentes. O importante é o significado destes valores com relação aos valores de referência do teste.

  • Reagente (positivo);
  • Não reagente (negativo);
  • Indeterminado.

Por exemplo, teste de quimioluminescência realizados em dias diferentes com os seguintes resultados: 0,156 0,220 e 0,313, não significam absolutamente nada, desde que seus resultados signifiquem não reagentes ou negativos, de acordo com os valores de referência.

Diagnóstico do HIV – Janela Imunológica

O tempo da Janela imunológica varia de acordo com o tipo de teste.

Diagnostico De Hiv
Fontes: Manual MS / UpToDateCDC 

 

 O tempo de reativação presente no quadro acima é o tempo mínimo em média que os testes levam para se positivar. Contudo, o tempo máximo para isso ocorrer também muda de teste para teste. Para os testes de 3ª geração, este tempo máximo é de 180 dias e para os testes de 4ª geração é de 90 dias, segundo o Ministério da Saúde.

Causas de Resultados Falso-Positivos no Diagnóstico do HIV

Alguns dos exames existentes no Brasil para diagnosticar a infecção pelo HIV buscam anticorpos anti-HIV nas amostras de sangue.

Apesar de sua elevada especificidade, esses testes podem apresentar resultados falso-positivos em alguns casos. Por isso, é importante o paciente se submeter a um novo teste.

Um teste positivo deve ser sempre seguido de um teste confirmatório de outro tipo, feito por pessoa treinada.

Fatores que podem interferir no resultado dos exames:
  • Vacina contra influenza A H1N1;
  • Artrite reumatoide;
  • Doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, doenças do tecido conectivo e esclerodermia);
  • Colangite esclerosante primária;
  • Terapia com interferon em pacientes hemodialisados;
  • Síndrome de Stevens-Johnson;
  • Anticorpo antimicrossomal;
  • Anticorpos HLA (classe I e II);
  • Infecção viral aguda;
  • Aquisição passiva de anticorpos anti-HIV (de mãe para filho);
  • Tumores malignos;
  • Infecção ou contato com outros retroviros;
  • Múltiplas transfusões de sangue;
  • Anticorpo antimúsculo liso.

Causas de Resultados Falso-Negativos no Diagnóstico do HIV

Existe uma série de fatores que pode atrapalhar o resultado destes testes:

  • Testes feitos antes do tempo de janela imunológica;
  • Testes moleculares feitos sozinhos em pessoas controladores de elite;
  • Erro de transcrição da identificação do paciente ou resultados;
  • Troca de amostras;
  • Erro na execução do procedimento do teste;
  • Utilização do volume incorreto de tampão ou amostra;
  • Leitura do resultado do teste no momento incorreto;
  • Interpretação incorreta do resultado;
  • Erro de interpretação do resultado quando aparecem bandas fracamente reagentes;
  • Erro no uso e interpretação do fluxograma de testagem;
  • Uso de dispositivos de Teste Rápido danificados ou fora do prazo de validade;
  • Uso do tampão/reagente de outro conjunto diagnóstico de testagem rápida;
  • Conservação inadequada dos dispositivos de testes.

Por isso, o teste confiável é aquele realizado em local confiável.

 

Fontes:


Compartilhe
Dra. Keilla Freitas
CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.


https://www.drakeillafreitas.com.br/quem-somos/

1.152 thoughts on “Diagnóstico do HIV: Como Fazê-lo

  1. Doutora, tudo bem?
    É possível um exame Action de farmácia ser positivo e dois de 4ª geração + um PCR darem negativo? Tudo isso com uma janela de 160 dias. Quero saber se a senhora acha que devo ficar tranquila

  2. Com 120 dias da relação de risco fiz um teste Action de farmácia e na minha visão tinha dado positivo. Me desesperei, fui ao CTA fiz o teste 1 e teste 2 e ambos deram negativo. Fiz um 4ª geração no lab. Fleury e deu NÃO REAGENTE 0,09 e fiz um PCA de 20 cópias de detecção que deu NAO DETECTÁVEL. Eu posso ficar tranquilo? Provavelmente interpretei mal o de farmacia? A moça do CTA me disse não gostar do de farmácia!

  3. dra me ajuda to muito nervoso, tive um relação de risco e 1 mes depois tive inguas no pescoço e virilha, rash na pele mas sem frebe e uma linha escura na unha do pe e da mão. sera q estou infectado? me ajuda to mt nervosooo estou preste a entregar o exame hiv para um concurso público

  4. Dra, estou com inguas no pescoço, unha com uma mancha roxa, algumas bolinhas vermelhas no rosto e torax, pode ser hiv? isso apareceu um mes depois do contato sexual e eu fiz teste elisa 4g com 20 dias.

  5. Boa tarde Dra, 1 mês após meu ultimo ato sexual, fiquei com os ganglios da mandibula inchado, minhas unhas do dedão estão manchadas, tive boqueira e alguns dias atras tive resfriado, mas já passou. Pode ser HIV?

  6. Doutora
    Tive um relação de risco, com 15 dias senti dor de garganta,uma linha branca na unha,dores musculares e articulações,febre, dermatite seborreica no rosto, fiz exames com 30 45 60 de 4 geração, com 50 dias um pcr tudo negativo, agora com 80 dias apareceu gengivite e uma forte dor abdominal por 10 dias, refiz o exame de 4 geração com 81 dias e deu negativo
    Na minha idade so tem um infectologista e me liberou
    Com todos esses sintomas o 4 geração obrigatoriamente teria que positivar?

Deixe uma resposta

Top