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Influenza: tudo o que você precisa saber

Influenza: tudo o que você precisa saber

Influenza não é nada mais do que a chamada gripe.

Existem dois tipos de vírus Influenza, o tipo A e o tipo B. O H1N1 é do grupo Influenza A

Apesar de todas as linhagens circularem, variando sua incidência a cada ano, é o H1N1 que causa maiores complicações nos grupos de risco.

A influenza ocorre durante todo o ano, mas é mais frequente no outono e no inverno, quando as temperaturas caem, principalmente no Sul e Sudeste do País.

Neste ano de 2017

Como diferenciar o H1N1 de uma virose comum?

O H1N1 cursa com um quadro febril (temperatura axilar acima de 38,7 graus), geralmente maior que 39 graus, constante, de inicio súbito associado a bastante cansaço, dor no corpo e tosse seca intensa.

Sintomas gerais:

  • Calafrios;
  • Mal-estar;
  • Cefaleia (dor de cabeça);
  • Mialgia (dor nos músculos);
  • Dor de garganta;
  • Artralgia (dor nas articulações);
  • Prostração;
  • Rinorreia (corrimento nasal);
  • Tosse seca.

Sintomas menos frequentes que também podem estar presentes.

  • Diarreia;
  • Vômito;
  • Fadiga;
  • Rouquidão;
  • Hiperemia conjuntival (olhos vermelhos, as vezes ardendo, parecendo conjuntivite).

Quanto tempo duram os sintomas?

A evolução natural do H1N1 é febre alta constante até o 3º dia quando começa a abaixar a partir do 3º-4º dia e no 6º dia já termina.

Tosse seca e cansaço podem ainda prevalecer por mais algumas semanas sem que isso configure qualquer complicação.

Como esse vírus é transmitido?

O vírus é transmitido por gotículas respiratórias que entram no corpo penetrando nas mucosas de olhos, nariz ou boca.

Isso pode acontecer de duas formas: por transmissão direta pessoa a pessoa ou indireta pelas mãos ou produtos contaminados.

As  gotículas respiratórias são partículas muito pequeninas que medem menos que 5 μm (não podem ser vistas a olho nu) e saem do corpo do doente a través de tosse, espirro ou fala.

Transmissão direta: 

Quando o doente fala, as gotículas podem chegar até um metro de distancia, já quando espirra, elas podem chegar até 2 metros.

como-se-transmite-h1n1

Transmissão indireta:

Quando a pessoa tosse cobrindo a boca com as mãos, ou passa as mãos na boca, estas gotículas ficam nas mãos dos doentes e passam para objetos e superfícies quando o doente os toca com as mãos sujas.

As gotículas podem ficar viáveis (capazes de infectar) nestas superfícies ou objetos por até 72 horas.

Nesse período, qualquer pessoa que tenha contato irá se contaminar com o Vírus, mesmo que o doente já não esteja mais ali.

Por quanto tempo as pessoas doentes podem transmitir o vírus?

O tempo de transmissão varia de acordo a idade e imunidade da pessoa.

Crianças começam a transmitir o vírus 24 horas antes de apresentar qualquer sintoma, e até 2 semanas após a última febre.

Já adultos, começam a transmitir cerca de 12 a 24 horas antes dos sintomas até 5 a 7 dias após a última febre.

Pessoas com imunidade baixa podem transmitir ainda por mais tempo.

O que é grupo de risco?

Grupo de risco são pessoas que possuem maior chance de evoluir com complicações caso tenham o H1N1.

O tratamento especifico com Tamiflu (Oseltamivir) é indicado apenas para estas pessoas.

Os grupos de risco são:

  • Grávidas em qualquer idade gestacional, puérperas até 2 semanas após o parto (incluindo as que tiveram aborto ou nascimento natimorto);
  • Idosos  ≥ 60 anos, principalmente acima de 65 anos;
  • Crianças < 5 anos (principalmente menos de 2 anos, sendo as  menores de 6 meses com maior taxa de mortalidade);
  • População indígena aldeada;
  • Indivíduos menores de 19 anos de idade em uso prolongado de ácido acetilsalicílico (aspirina); 
  • Doenças crônicas:

– Doenças do pulmão (incluindo asma);

– Pacientes com tuberculose de todas as formas;

– Doenças Cardiovasculares (excluindo hipertensão arterial sistêmica);

– Doenças crônicas do rim como insuficiência renal;

– Doenças do fígado como hepatites crônicas ou cirrose de qualquer causa;

– Doenças do sangue como anemia falciforme;

– Distúrbios metabólicos como a diabetes mellitus, mesmo os bem controlados;

– Doenças neurológicas como Portadores de Esclerose Múltipla, disfunção cognitiva, lesão medular, epilepsia, paralisia cerebral, síndrome de Down, acidente vascular encefálico (derrame) entre outras;

– Pacientes com imunidade baixa como: imunodeficiência primaria, Imunossupressão associada a medicamentos, neoplasias, portadores de HIV, mesmo os que seguem o tratamento adequadamente;

– Obesos (especialmente aqueles com Índice de Massa Corporal – IMC ≥ 40 em adultos).

Quando procurar o médico devido ao H1N1?

Caso a pessoa doente seja do grupo de risco, ela deve procurar o médico tão logo comecem os sintomas sugestivos.

A eficácia do tratamento específico com Tamiflu (Oseltamivir) é maior quanto mais cedo começar e praticamente não tem benefícios se iniciado 48 horas após o inicio dos sintomas.

A complicação mais frequente para pessoas que não fazem parte do grupo de risco, são as infecções bacterianas, por isso estas pessoas devem procurar o atendimento caso a evolução da doença fuja do padrão, por exemplo:

  • Febre alta após 3 dias de sintomas;
  • Febre mantida após o 6º dia de sintomas;
  • Retorno da febre após sua resolução;
  • Mudança do aspecto da tosse de seca para produtiva (com secreção).

Todas os doentes devem procurar atendimento o mais rápido possível em caso do aparecimento de sinais de alarme que são:

  • Falta de ar de inicio súbito ou aumento súbito da pré-existente., arritmia ou taquicardia.
  • Persistência ou aumento da febre por mais de três dias (pode indicar.
  • Exacerbação de doença preexistente. Por exemplo: falta de ar, ou chieira no peito para as pessoas com doenças pulmonares, como enfisema, bronquite ou asma;
  • Aumento brusco e importante da dor muscular.
  • Sonolência ou confusão mental.
  • Exacerbação dos sintomas gastrointestinais em crianças;
  • Desidratação.

Todas as complicações do H1N1 levam a morte?

Apesar da Síndrome respiratória aguda grave (SRAG), quadro que leva a insuficiência respiratória,  ser a complicação mais temida, não é a mais frequente. As complicações do H1N1 são:

  • Pneumonia bacteriana e por outros vírus;
  • Sinusite;
  • Otite;
  • Desidratação;
  • Piora de doenças crônicas como insuficiência cardíaca, asma ou diabetes;
  • Pneumonia primária por influenza, que ocorre predominantemente em pessoas com doenças cardiovasculares (especialmente doença reumática com estenose mitral) ou em mulheres grávidas. Levando a SRAG.

Só existe um tratamento disponível para tratar o H1N1?

Como a maioria das pessoas que não fazem parte do grupo de risco, o H1N1 passa como qualquer outra gripe.

O tratamento específico está indicado apenas para as pessoas pertencentes aos grupos de risco.

O tratamento especifico quando indicado é realizado com o Tamiflu (Oseltamivir) que vem em forma de cápsulas. o Tratamento dura 5 dias.

A dose varia de acordo com a idade e deve ser ajustada em pacientes com insuficiência renal.

Existe também o Zanamivir que é inalado. Usado apenas em situações onde o Tamiflu não pode ser usado (por exemplo, em casos de alergia) e tem uma serie de restrições ao uso (por exemplo, não pode ser usado em crianças menores de 5 anos de idade).

Todos podem tomar o Tamiflu?

O Tamiflu pode ser usado por recém  nascidos, gestantes, idosos, etc.

Como prevenir o H1N1 ou outros vírus Influenza?

  • Vacinação anual contra a gripe
  • Limpeza de superfícies e objetos provavelmente contaminados com água e sabão, detergente. ou álcool a 70% (lembrando que para o álcool funcionar deve ser friccionado e não apenas derramado);
  • Higienização das mãos frequente  com água ou sabão ou álcool gel, principalmente antes de consumir algum alimento;
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter os ambientes bem ventilados, principalmente se houver pessoas tossindo no recinto;
  • Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de influenza (manter distancia acima de 1 metro);
  • Evitar sair de casa em período de transmissão da doença, principalmente se dor de grupos de risco;
  • Evitar aglomerações e ambientes fechados (procurar manter os ambientes ventilados);
  • Adotar hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e ingestão de líquidos.

Quando estão indicadas as profilaxias?

A Quimioprofilaxia é uma prevenção que realizamos para evitar que uma pessoa fique doente.

No caso do Vírus Influenza (H1N1 entre outros), realizamos a profilaxia com o mesmo remédio que usamos para o tratamento. Mas não são todas as pessoas que possuem esta indicação. 

A Profilaxia está indicada apenas para pessoas que pertencem aos grupos de risco para complicações.

Veja as condições para a realização da profilaxia:

– Pessoas que não vacinaram contra a gripe este ano ou vacinaram há menos de 15 dias;

– Aqueles que tiveram contato com pessoa com infecção suspeita ou confirmada pelo Vírus Influenza;

– A última exposição deve ter ocorrido nas últimas 48 horas (exposições há mais tempo não têm benefícios com a profilaxia).

Fonte: 

CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

29 thoughts on “Influenza: tudo o que você precisa saber

  1. Porque os jovens com menos de 19 anos que usam aspirina fazem parte do grupo de risco? Como a aspirina prejudica o sistema de imunológico desses?

    1. Boa tarde. O ácido acetilsalicílico, principal componente da aspirina, pode intensificar a ação do vírus influenza, facilitando a instalação da síndrome de Reye, que é uma infecção que causa inflamação do cérebro e do fígado.

  2. Boa noite doutora. Li em mais de um canal que o tamiflu não pode ser tomado por crianças menores de 01 ano. Em seu canal a Sra. diz que ele pode ser tomado por recém nascidos. E agora?

    1. Obrigada por sua participação.
      Segundo orientações do fabricante, o Tamiflu (Fosfato de oseltamivir) é indicado para o tratamento da gripe em adultos e crianças com mais de 12 anos.
      No texto. Uso várias referências (contidas no próprio texto) que podem sim trazer conflito por exemplo orientações do controle de doenças infecciosas do Estados Unidos e orientações do ministério da saúde do Brasil.
      Nos próximos dias farei uma nova revisão desse texto com todas as informações atualizadas e suas respectivas fontes.
      Você pode acompanhar essas atualizações em nosso site. Na página principal.

  3. Olá Dra. Há 3 dias fui diagnosticada com H1N1 no pronto socorro. E desde ontem comecei a tomar o Tamiflu. Os sintomas de gripe (coriza, garganta) e febre passaram. Porém, a tosse continua, mas não é mais tosse seca apenas. Às vezes é tosse com catarro. O que está me preocupando é que dói demais o peito ao tossir. Muito mesmo. Fora isso, os sintomas que sinto agora são cansaço, tontura e dor de cabeça. É normal sentir dor ao tossir? Obrigada.

  4. Dr a. Keila Freitas. Apesar de ter tomado a vacina, estou com sintomas,muito parecidos com os da Influenza B.
    Dor no corpo
    Calafrios
    Prostação
    Perda de apetite
    Dores de cabeça
    Náusea e diarréia (com dores fortes no abdômen )
    Quadro febril
    Trabalho em ambiente fechado e tenho contato com diversos tipos de pessoas.
    O que vc me recomenda?
    PS. Tenho 51 anos
    Atenciosamente.

  5. Dra,
    Minha filha de 30 dias foi diagnosticada com h1n1. Desde o primeiro dia de sintoma ela está internada, ela recebeu medicamento pra febre ao meio dia do dia 17/5, desde então não teve mais febre, que antes havia chegado a 38. O médico optou por nao entrar com Tamiflu devido a ela não apresentar complicações no pulmão nem ter tido mais febre. Após 3 dias do início dos sintomas ela ainda corre algum risco? O Dr entrou com um antibiótico e inalação com burotec.

  6. Atualizando o quadro da minha filha…
    Depois de 5 dias do início dos sintomas, não teve mais febre, apresenta respiração normal, apresenta tosse, que teve seu pico de intensidade e quantidade de tossidas ontem, mas hoje percebemos que reduziu muito. Nas minhas medições ela apresenta 35 a 45 respiradas por minuto,. Não apresenta cansaço para mamar. No momento nossa preocupação é com o Berotec medicado, 1 gota por inalação, sendo a cada 4 horas. Aparentemente ela fica agitada…

  7. Oi hj fui ao medico e estou com suspeita h1n1 os exames feitos em laboratorios da o resultado exato da doença?

  8. Por favor Dr estou no momento com o quadro de influência h1n1 e minhas plaquetas estão 133000 pode ser por causa da gripe.

    1. é comum queda de plaquetas durante qualquer quadro viral. quando isso ocorre em geral, a pessoa não tem nenhum problema desse tipo antes do evento e logo apos o evento, o esperado é ocorrer a recuperação dos exames.
      O ideal é que você seja acompanhado por um infectologista para ver como você está, ver como está os demais exames, acompanhar a sua evolução e solicitar demais exames mais específicos caso seja necessário.

  9. Dra liguei para agendar uma consulta mas so tem horário na terça. Meu filho pegou influenza A e ja esta medicado e se recuperando mas com i imunidade baixa tenho medo de ter pego e passar para ele de novo, existe essa possiblidade? Tomei a vacina ontem e a noite suei muito e hoje a tarde notei minhas fezes meio moles. Alem disso minha garganta esta arranhando fora isso estou disposto e sem febre alguma, voce acha mescessario marcar um horário?Terca feira seria muito longe nao ?

    1. Uma pessoa que acabou de pegar influenza, fica imune ao vírus da mesma cepa, ou seja, mesmo se tiver contato logo em seguida com o vírus de mesmo tipo ela não vai se reinfectar.
      Sobre os seus sintomas pós vacinais, é possível que seja apena uma reação vacinal se os sintomas duraram pouco e foram leves, se persistiram ou estão mais fortes, não são da vacina, e uma avaliação médica é necessária para avaliar outras possíveis causas para os sintomas apresentados.

  10. Dra, estou com uma gripe forte, dores fortes pelo corpo com pontadas. Tive febre no segundo e terceiro dia. Hj estou no quinto dia e nao melhora. Estou rouca e agora apareceu tosse com muco.. Tem chance de ser uma gripe h1n1?

  11. Dra. estou há mais de um mes com tosse seca, fiz tratamento para faringite, depois do tratamento a tosse veio com mais força, seguida de dor de garganta e gripe muito forte, tem 7 dias e os sintomas não passam, já fui em clinico geral, pronto atendimento, alergista e otorrino…. tem probabilidades de ser h1n1?

    1. Existem uma infinidade de causas para tosse persistente, inclusive não infecciosa, isso realmente deve ser investigado pelo médico em consultório ( não pronto socorro), existem inclusive exames para descartar H1N1 se o médico julgar que pode ser necessário.

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