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Tipos de HIV : Saiba Quais São

Tipos de HIV
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Tipos de HIV : Saiba quais são

O Vírus HIV (do inglês, Vírus da Imunodeficiência Humana) faz muitas vítimas no mundo desde os anos 80.
Este vírus é o causador da AIDS (do inglês, síndrome da imunodeficiência humana). A AIDS já fez mais de 35 milhões de vítimas fatais no mundo.

Estudos filogenéticos indicam que este vírus está presente na África desde 1900. O HIV é descendente de um lentivirus causador da imunodeficiência em macacos.
Supõe-se que este vírus tenha sido passado dos macacos para o ser humano através de tribos africanas que caçavam macacos para se alimentar.

Em 2015 a organização Mundial de saúde estimou que havia cerca de 36,7 milhões de pessoas vivendo com o vírus HIV em todo o mundo.

Existem 2 Tipos de HIV:

  • HIV-1
  • HIV-2

Infecção pelo HIV-1

O vírus HIV foi identificado na França em 1992, mas recebeu o nome HIV -1 apenas em 1986
O HIV-1 causa a maior parte das infecções pelo vírus no mundo

Infecção pelo HIV-2

Ele recebeu esse nome pois foi o segundo vírus HIV identificado. O Vírus foi identificado em 1986 em Cabo-verde
Ele é estruturalmente parecido ao HIV-1 e como ele, é uma zoonose, doença que acometia apenas macacos

De todos os infectados pelo HIV no mundo, apenas 1 a 2 milhões são infectados pelo HIV-2. Incluindo aqueles infectados pelos 2 tipos

Onde podemos encontrar o vírus HIV-2

  •  Principalmente em países da África Ocidental e outros países com laços populacionais históricos com os mesmos
  • Sul da África: Zimbabwe, Angola, Moçambique, África do Sul
  • América do Norte: Estados Unidos, Canadá
  • América do Sul: Brasil, Venezuela
  • Europa: França, Espanha, Portugal, Reino Unido, Suécia, Alemanha, Itália, Suíça, Países baixos, Bélgica e Grécia
  • Oriente médio: Líbano, Israel, Egito
  • Ásia-Oceania: Índia, Filipinas, China, Nepal, Japão, Austrália, Nova Zelândia

Ainda assim a incidência deste tipo vem diminuindo em vários países da África.

De forma geral, é menos encontrado em pessoas com menos de 45 anos de idade.
Países como Guiné-Bissau, Senegal e Costa do Marfim têm tido a incidência de infecção por HIV-2 reduzidas nos últimos anos.

Nos Estados Unidos o primeiro caso de infecção pelo HIV-2 foi registrado em 1987 com apenas 166 casos registrados entre 1987 and 2009.
Apesar destes números serem provavelmente subestimados.

Co-infecção HIV-1 e HIV-2

Uma pessoa pode ser infectada pelo 2 tipos em lugares onde existe a circulação de ambos.
Estima-se que 5 a 10% das pessoas vivendo com HIV na África Ocidental possuem os 2 tipos.

Semelhanças entre os Tipos de HIV

  • Mesmo modelo genético
  • Mesmo modo de transmissão
  • Mesmo mecanismo de replicação (reprodução)
  • Mesmo desfecho. Ambas, se não tratadas, levam à fase AIDS

Diferenças entre os Tipos de HIV

Diferente risco de transmissão

  • Parece que o vírus HIV-2 é mais difícil de ser transmitido que o HIV-1. Principalmente em transmissão vertical (de mãe para filho).

Estudos realizados em gestantes no Gâmbia mostraram um risco de 6 a 21 vezes menor de transmissão do HIV-2 comparado ao HIV-1.

Isso parece estar relacionado a um número menor de vírus HIV-2 no sangue e menor concentração no trato genital do homem e da mulher.

Diferente patogenicidade (poder de causar doenças)

  • Considerando pessoas não tratadas, a infecção pelo HIV-2 parece ser de evolução mais lenta que o HIV-1.
  • Com menos vírus circulando no sangue, a destruição da imunidade é mais lenta.

O paciente demora mais tempo para chegar na fase AIDS mesmo sem tratamento, na infecção pelo HIV-2, comparado com o HIV-1

Diferenças no diagnóstico:

A maioria dos testes diagnósticos sorológicos contra o HIV disponíveis no Brasil são capazes de diagnosticar os 2 tipos.

Contudo, como o vírus tipo-1 é praticamente o único circulando no Brasil, os testes diagnósticos para o HIV, priorizam esse tipo.

Quando suspeitar de infecção pelo HIV-2

  • Parcerias sexuais de países onde o HIV-2 é endêmico
  • Parcerias sexuais sabidamente infectadas pelo HIV-2
  • Transfusão de sangue ou injeções com agulhas não estéreis em países onde o
    HIV-2 é endêmico
  • Compartilhamento de agulhas com indivíduos de um país onde o HIV-2 é
    endêmico
  • Compartilhamento de agulhas com indivíduos sabidamente infectados pelo HIV-2
  • Filhos de mulheres que têm fatores de risco para o HIV-2
  • Suspeita clínica de AIDS, com teste de anticorpos anti-HIV-1 negativo
  • Suspeita clínica de AIDS, com resultados de WB para HIV-1 com os padrões indeterminados incomuns
  • Diagnóstico suspeito de infecção pelo HIV com resultados sorológicos atípicos (ex: teste sorológico de rastreio reagente com teste de WB negativo)
  • Sorologia confirmada para HIV com níveis muito baixos ou indetectáveis da carga viral do HIV-1
  • Teste sorológico de triagem positivo e WB ou teste molecular negativo
  • Queda progressiva de linfócitos CD4 com carga viral para HIV-1 indetectável
  • Testes sorológicos que indiquem reatividade para a proteína gp36 ou gp105 do
    HIV-2.

Como diagnosticar HIV tipo 2

  • Testes de rastreio com detecção de antígeno/anticorpos para HIV-1 e HIV-2
  • Testes Rápidos que identificam os 2 tipos
  • Confirmação com testes de anticorpos que diferenciam os 2 tipos de HIV

Diferenças no tratamento

  • O HIV-2 possui maior risco de desenvolvimento de resistência
  • A Síndrome de Reconstituição Imune após o inicio do ARV no HIV-2 é mais lenta e mais branda que nas infecções por HIV-1
  • A recuperação dos níveis de linfócitos CD4 nas infecções pelo HIV-2 é mais lenta se recuperada às infecções pelo HIV-1

Risco de morte

  • Risco de morrer em pessoas com Imunidade boa, parece ser menor naqueles infectados com HIV-2 comparado com o HIV-1
  • Já pessoas com imunidade baixa possuem risco de morte semelhante para ambos virus.
  • Cerca de 1/4 a 1/3 das pessoas portadoras de HIV-2 que não estão em tratamento antirretroviral podem ter níveis indetectáveis de do vírus no sangue. Algumas dessas pessoas podem evoluir com diminuição dos níveis de CD4, mesmo com carga viral indetectável

 

Fonte:

 


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CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

13 thoughts on “Tipos de HIV : Saiba Quais São

  1. A janela imunológica é a mesma para os 2 tipos de hiv? Existe algum exame mais sensível para o hiv-2? Pois os exames: PCR, Western Blot, apenas alcançam o hiv-1, certo?

  2. Dra, existe alguma cepa viral que os atuais exames não detectem?
    No exame que fiz vem “(incluindo o grupo “O”) o que seria isso? Obgda

  3. Doutora,
    um teste 4 geração para antigêno p24 também, também detectaria o HIV-2? O HIV-2 tem essa proteína também?
    E um exame de carga viral, conseguiria detectar?
    Obrigado!

  4. Dra, existe alguma cepa viral que os atuais exames não detectem?
    No exame que fiz vem “(incluindo o grupo “O”) o que seria isso? Obgda

  5. Dra, existe alguma cepa viral que os atuais exames não detectem?
    No exame que fiz vem “(incluindo o grupo “O”) o que seria isso? Obgda

  6. Bom día
    Dra. A co-infecção com dois cepas do vírus diferente (HIV-1 e HIV-2) Aumenta a probabilidade de desenvolver os sintomas da AIDS?

    1. Não necessariamente. O problema nesse caso está na escolha do tratamento. Nem todos os antivirais têm ação sobre os 2 tipos de vírus.
      SE o tratamento não for adequado, aumenta o risco de haver complicações.

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