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Vacinação fracionada contra a Febre Amarela

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Vacinação fracionada contra a Febre Amarela –  Perguntas frequentes.

A Febre Amarela é uma doença transmissível por picada de mosquito que pode causar quadros graves e até a morte.

Apesar de não ter casos da doença em áreas urbanas desde 1942 (1), os casos novos estão aumentando em várias cidades do Brasil, especialmente em São Paulo.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou na manhã do dia 16 de Janeiro de 2018 a campanha de Vacinação fracionada contra a Febre Amarela.

A campanha que teria inicio em 3 de fevereiro e abrangeria 53 municípios será adiantada e ampliada.

Agora, o início da campanha será em 29 de Janeiro e será realizada em 54 municípios.

Veja as unidades de vacinação para Febre Amarela em São Paulo.

Nas demais áreas do Estado de São Paulo com indicação permanente de vacinação, a vacina seguirá sendo aplicada com a dose total.

 

Fonte: G1 de 16/01/18 e Secretaria de saúde de SP

A Vacina contra a Febre Amarela é uma vacina de grande eficácia.

Existem vários tipos de vacinas (2).

A vacina da Febre Amarela é vírus vivo atenuado (vírus vivo enfraquecido), possui maior risco de efeitos colaterais se comparada a outras vacinas feitas de vírus morto ou pedaço do vírus, como a vacina da gripe.

Por isso, a vacina da Febre Amarela não deve ser dada a todas as pessoas.

Especialmente em situações de surto eminente como o que estamos passando, os riscos e benefícios da vacinação (riscos de possíveis efeitos colaterais da vacina naquela pessoa contra possibilidade de se infectar) devem ser pesados caso a caso entre o paciente em risco e o médico infectologista que o acompanha.

O que significa “dose fracionada” da vacina ou vacinação fracionada?

Dose fracionada ou vacinação fracionada contra a Febre Amarela é a mesma vacina já usada usada e conhecida.

O que muda é que a dose utilizada (a quantidade de vacina usada na aplicação) é menor que a habitual, usual ou padrão.

  • A dose padrão é de 0,5 ml e a dose fracionada é de 0,1 ml

Ou seja, com a mesma quantidade de vacina que, na dose padrão, se vacinava uma única pessoa, com a dose fracionada pode-se vacinar 5.

É claro que por ter uma quantidade menor é esperado que esta dose fracionada seja melhor tolerada e tenha um menor risco de efeitos adversos.

Mas, o objetivo do uso da dose fracionada é ampliar o número de pessoas vacinadas em geral e não o de vacinar pessoas que possuem contra indicação à dose habitual ou inteira.

As contra indicações e riscos da vacina fracionada são as mesmas da dose padrão.

 

A dose fracionada é eficaz?

A Organização Mundial da Saúde – OMS determinou o fracionamento como opção quando há risco de a doença se expandir em cidades com elevado índice populacional e que não tinham recomendação para vacinação anteriormente.

Estudo realizado até o momento pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Biomanguinhos/Fiocruz) com 315 pessoas mostrou que a dose fracionada tem a mesma eficácia da dose inteira, mas com uma duração menor.

Estudos em andamento continuarão a avaliar a proteção posterior a esse período.

O Biomanguinhos/Fiocruz é a única instituição autorizada a fabricar e distribuir doses fracionadas.

As carteiras de vacinação terão um selo especial para informar que a dose aplicada foi a fracionada.

Quanto tempo dura a vacina?

Anteriormente, eram recomendadas, mundialmente, 2 doses.

Sendo a segunda dose de reforço após 10 anos da primeira e não era necessário mas nenhuma dose adicional.

A Organização Mundial da Saúde – OMS recomendou a dose única (da dose inteira) como padrão de imunização para todo o País.

A dose fracionada mantém níveis protetores de anticorpos no organismo por 8 anos.

A vacina da febre amarela com dose inteira deve ser tomada apenas uma vez na vida.

Já a vacina com dose fracionada deve-se realizar a segunda aplicação após 8 anos da primeira.

Quem deve tomar dose inteira (não fracionada) da vacina:

Os demais casos, deverão ser sempre avaliados e liberados previamente pelo médico que acompanha o caso:

  • Transplantados e portadores de doenças crônicas – como diabéticos, cardiopatas e renais crônicos.
  • Pacientes que vivem com HIV
  • Pessoas com término recente da quimioterapia
  • Pessoas com doenças hematológicas
  • Gestantes que moram em áreas de risco

Apenas gestantes não previamente vacinadas, que moram ou visitam áreas de risco deverão receber a vacina e esta será a dose inteira.

Gestantes que não moram em áreas de risco, não receberão nenhuma vacina da Febre Amarela (nem a fracionada, nem a inteira) – medir o risco benefício de cada caso.

Quem não deve tomar a vacina:

  • Grávidas que morem em locais sem recomendação para vacina,
  • Mulheres amamentando crianças com até 6 meses,
  • Pacientes imunodeprimidos,
  • Pacientes em tratamento imunossupressor (que abaixe a imunidade) como quimioterapia, radioterapia ou uso de corticoides em doses elevadas (como Lúpus e Artrite Reumatoide).

Em caso de dúvida, é fundamental consultar o médico infectologista.

Quem deve consultar o médico infectologista antes de tomar a vacina da Febre Amarela?

  • Pessoas que vivem com HIV,
  • Pacientes em tratamento quimioterápico concluído,
  • Pacientes transplantados,
  • Pacientes hemofílicos ou com outras doenças do sangue, como de doença falciforme.

 

Como se prevenir contra a Febre Amarela:

Para as pessoas que não podem tomar a vacina da Febre Amarela, e mesmo para aquelas que tomaram, é fundamental o uso e repelentes em áreas de risco

 

Referências:

  1. Boletim epidemiológico de Febre Amarela- Sinan; CVE/CCD/SES-SP
  2. Tipos de vacina
  3. Governo Federal

 

 


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CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

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