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Conheça mais sobre a caxumba

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Caxumba é o nome dado a uma doença infecciosa viral, também chamada de papeira.

Ela é causada por um vírus da família dos paramyxovirus e inflama as glândulas que produzem saliva podendo levar ao inchaço dessas glândulas. 

Existem 3 glândulas que produzem saliva: as parótidas, submandibulares e a sublinguais, o vírus da caxumba geralmente acomete as parótidas.

glandulas salivares

Outras causas para o aumento das parótidas

Existem muitas condições que podem levar a sintomas similares aos da caxumba, infecciosas ou não,.

É bom tê-los em consideração, pois a maioria deles não possuem vacinas para prevenção:

Vírus

Bactérias

  • Como o staphylococcus aureus;

Doenças autoimunes

  • Síndrome de Sjogren
  • Sarcoidoses;

Outras causas não infecciosas

  • Cálculos nas glândulas salivares,
  • Tumores
  • Uso medicamentos como diuréticos tiazídicos (hidroclorotiazida)

Sintomas

O tempo de incubação (tempo entre a infecção e o inicio do sintomas) varia entre 14  e 18 dias. 

Os sintomas mais característicos são dor e inchaço nas laterais do pescoço, logo abaixo do maxilar, isso pode ocorrer em um ou nos dois lados.

crosbi

Também podem estar presentes outros sintomas que aparecem geralmente 2 dias após as glândulas começarem a inchar:

  • Febre;
  • Cansaço;
  • Dor de cabeça;
  • Falta de apetite.

Os sintomas podem durar de 10 dias a 2 semanas.

Formas de transmissão

O vírus é transmitido através de gotículas respiratórias e isso pode acontecer de 2 maneiras:

  • Contato direto
  • Contato indireto.

Transmissão por contato direto

Ocorre de pessoa a pessoa que ocorre quando a pessoa infectada fala ou tosse a menos de 1 metro de distância da outra pessoa.

Transmissão por contato indireto

Ocorre quando a pessoa infectada protege a boca com as mãos ao tossir, ou levando às mãos à boca ou nariz.

Uma vez com as mãos contaminadas, qualquer objeto ou superfície que tocar fica contaminado também e assim a pessoa saudável acaba contaminando suas mãos ao tocar nestes locais ou objetos e ao passar as mãos nos olhos, nariz ou boca (como, por exemplo, se alimentar sem lavar as mãos), pode se infectar.

Também pode-se pegar o vírus ao  compartilhar copos, garrafas ou talheres sem previa limpeza.

Tempo de transmissão

A pessoa infectada pode transmitir o vírus a partir de 3 dias antes do inicio dos sintomas  até 5 dias após o inicio dos sintomas.

As pessoas também podem contrair o vírus e transmiti-lo sem nunca chegar a desenvolver qualquer sintoma.

Possíveis complicações

A complicação mais frequente se dá nos homens. 38% dos homens que adoecem após a puberdade desenvolvem  orquite (inflamação dos testículos).

A orquite pode levar a problemas de fertilidade em cerca de 13% dos homens acometidos.

Contudo, a esterilidade é muito rara e com maior risco quando o acometimento testicular é bilateral (nos dois testículos). 

Suspeita-se desta complicação quando alguns dias após o inicio do quadro de caxumba, inicia-se de maneira súbita: febre alta (de 39 a 41 graus), seguida de dor importante, inchaço e vermelhidão dos testículos. 

Nas mulheres a taxa de complicação é bem menor. Apenas 7% das mulheres que adoecem após a puberdade desenvolvem ooforite (inflamação dos ovários).

Outras complicações mais raras:

  • Meningite (inflamação das membranas que envolvem o cérebro) ou encefalites (cérebro);
  • Outras síndromes neurológicas como Síndrome de Guillain Barré, entre outras;
  • Surdez, principalmente em crianças;
  • Tireoidite, miocardite, pancreatite, nefrite, artrite.

Caxumba na gestação

Este vírus não foi associado a má formações fetais, mas se a infecção ocorrer no primeiro trimestre da gestação, existe um risco aumentado de aborto.

Confirmação diagnóstica

A suspeita diagnóstica é feita pela historia clínica exame físico.

Já a confirmação pode ser feita através de:

  • Detecção direta do vírus no sangue
  • Culturas do vírus ou exames sorológicos que detectam os nossos anticorpos criados após entrar em contato com o vírus.

Tratamento

Não existe tratamento específico.

O  indicado é controle dos sintomas com anti inflamatórios e analgésicos e controle das complicações, caso apareçam. 

Compressas locais quentes ou frias pode ajudar no controle dos sintomas.

Métodos de prevenção

A prevenção é tomar a vacina tríplice viral (MMR) que protege contra caxumba, sarampo e rubéola e está prevista no Calendário Nacional de Imunização.

Para a uma melhor proteção a vacina tem que ser tomada em 2 doses.

Quem já tomou 2 doses, independente da idade com que tomou, não precisa tomar mais.

Esta vacina pode ser tomada a partir de 1 ano de idade. No SUS as duas doses estão disponíveis para todas as pessoas até os 19 anos, e apenas uma dose para as maiores de 19 anos.

O SUS só começou a oferecer a vacina tríplice viral a partir de 2002, isso significa que muitos adultos podem não ter recebido nenhuma dose desta vacina.

Quem teve a doença também desenvolve proteção, ficando imune.

Para aqueles que ainda não foram vacinados mas tiveram contato com pessoa doente, pode fazer a vacinação de bloqueio.

Contraindicações à vacina

Por se tratar de vacina de vírus vivo atenuado (vírus vivo enfraquecido), a vacina tríplice viral (MMR) não deve ser aplicada nas seguintes situações:

  • Gestantes (Mulheres que tomam a vacina devem evitar engravidar até 30 dias depois);
  • Pacientes imunodeprimidos como usuários crônicos de corticoides sistêmicos, pessoas com neoplasias, etc (Pacientes portadores de HIV com imunidade boa, podem tomar a vacina, mas devem ser liberados pelo seu médico Infectologista previamente);
  • Pessoas com alergia conhecida a neomicina.

Fonte:


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CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

4 thoughts on “Conheça mais sobre a caxumba

  1. Ola gostei muito do artigo .Gostaria de saber se depois de 1 ano e 8 meses tem como descobrir se perdi a audição por causa da caxumba ?

    1. Boa tarde maria. Os exames otorrinolaringológico é que indicam o provável motivo e o melhor tratamento. Procure um centro especializado para fazer todos os exames e saber o local do aparelho auditivo foi atingido causando a perda de audição.

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