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Mononucleose – conheça

Mononucleose é uma infecção causada pelo Vírus Epstein-Barr (EBV)

Esse vírus geralmente não causa maiores problemas em pessoas com imunidade normal.

Mas está relacionado a complicações graves e ao desenvolvimento de câncer no sangue em pessoas com imunidade muito baixa.

Vírus da família herpes, bastante prevalente em todo o mundo

Cerca de 90% dos adultos no mundo já tiveram contato com o vírus da mononucleose

Nos Estados Unidos, estima-se que 50% das crianças entrem em contato com este vírus antes dos 5 anos de idade.

Entre os pré-adolescentes, sem contato prévio, 12 % se infectam a cada ano

Como o vírus atua no organismo

O vírus se aloja primeiramente nas células da mucosa da boca, nas glândulas produtoras de saliva.

Depois, ele atinge as células linfócitos tipo B que ficam nos linfonodos da faringe (garganta), a partir de onde se espalha para o sistema linfoide (linfonodos, fígado, baço)

O EBV também pode afetar as células no colo do útero da mulher.

Na fase aguda da infecção, ou em sua reativação, o vírus também pode ser encontrado circulando no sangue

Logo após o primeiro contato, o sistema imune se organiza para combater o vírus.

É essa resposta imune que causa os sintomas da infecção e é também o que torna possível o seu diagnóstico

Muitas pessoas conseguem eliminar o vírus sem ter sintomas de doença.

Mesmo quem não apresenta sintomas, pode transmitir o vírus durante fase de infecção ativa.

Formas de transmissão

Ocorre através do contato com secreções corporais, especialmente da orofaringe

Contato direto

  • Beijo na boca (apenas contato com os lábios já é uma exposição)
  • Compartilhamento de qualquer coisa que tenha tido contato com a mucosa oral (talheres, copos garrafas, canudos, etc, sem lavar)

Transmissão sexual

  • Contato da boca ou genital de pessoa sã (homem ou mulher) com o genital de mulher infectada
  • Contato dos genitais de pessoa sã (homem ou mulher) com a boca de pessoa infectada (homem ou mulher)
  • Contato do ânus de pessoa sã (homem ou mulher) com a boca de pessoa infectada (homem ou mulher)

Outras vias

  • Bebês mamando o leite de mães infectadas
  • Transfusão de sangue (raros casos)

Período de transmissibilidade

O vírus pode permanecer na saliva por meses ou anos após o primeiro contato

Mesmo pessoas que não ficaram doentes podem ser portadoras do vírus.

Período de incubação

O tempo entre o primeiro contato com o vírus e o aparecimento de sintomas é de 1 a 2 meses.

Quadro clínico

Cerca de metade das pessoas que se infectam apresentam algum sintoma da infecção aguda pela mononucleose

Estes sinais ou sintomas, na maioria das vezes são bastante inespecíficos:

  • Artralgia (dor nas articulações)
  • Mialgia (dos nos músculos)
  • Náuseas (enjoos), vômitos,
  • Anorexia (perda de apetite)
  • Fadiga (cansaço)
  • Tosse (geralmente seca)
  • Dor ocular
  • Fotofobia (incômodo da luz nos olhos)
  • Edema periorbital (Inchaço ao redor dos olhos)
  • Esplenomegalia (aumento do tamanho do baço)
  • Hepatomegalia (aumento do tamanho do fígado)
  • Ictericia (pele amarelada) – pode ocorrer em 10% das crianças e 30% dos adultos infectados

Manifestações da Mononucleose no sangue:

  • Anemia (redução dos glóbulos vermelhos)
  • Linfócitos atípicos (muito comum e típico do EBV)
  • Leucocitose (aumento das células brancas),
  • Leucopenia (diminuição das células brancas),
  • Linfocitose (aumento dos linfócitos),
  • Trombocitopenia (diminuição das plaquetas),

Manifestações mais raras da Mononucleose:

  • Meningite asséptica (inflamação não infecciosa das meninges – membranas que envolvem o cérebro),
  • Meningoencefalites
  • Neurite óptica (inflamação dos nervos dos olhos)
  • Paralisia de pares cranianos
  • Síndrome de Guillain-Barré
  • Mielite transversa
  • Pancreatite (inflamação do pâncreas)
  • Colecistite acalculosa (sem pedras)
  • Gastrite
  • Miocardite (inflamação do músculo do coração)
  • Adenite mesentérica (inflamação das glândulas do intestino)
  • Miosite (inflamação dos músculos)
  • Nefrite glomerular (inflamação nos rins)
  • Pneumonia

Na sua forma clássica, estão presentes 3 sintomas:

  • Febre
  • Faringite
  • Linfadenopatia cervical (ínguas no pescoço)

Febre

Temperatura variável, mas pode ser alta e constante.

Faringite

 

Inflamação da garganta que se apresenta com placas brancas nas amígdalas, confundindo-se facilmente com amigdalite bacteriana.

Petéquias em orofaringe posterior (manchinhas no céu da boca na parte de trás) são comuns e ajudam a diferenciar de outras faringites virais, mas não das bacterianas.

Edema uvular não é frequente, mas caso esteja presente, é bastante típico da infecção pelo EBV.

Linfadenopatia cervical (ínguas no pescoço)

Sabemos que existe uma séria de causa para linfadenopatia (veja aqui)

Mas no caso da Mononucleose, trata-se de uma causa reacional

Ou seja, a infecção não se encontra nelas. Elas aumentam devido ao estado inflamatório especialmente da garganta.

Mas dependendo do nível de inflamação causada pelo vírus, pode inclusive ocorrer aumento dos linfonodos em outras partes do corpo.

Fadiga

O cansaço é um sintoma muito inespecífico mas pode durar até 3 meses para se resolver totalmente.

Rash

Rash maculopapular (manchinhas vermelhas na pele, que se parecem a alergia, mas não coçam)

O uso de antibióticos tipo ampicilina ou amoxicilina favorecem o seu aparecimento

É bastante comum que o médico, vendo placas brancas na amígdala de alguém com dor de garganta e febre trate como amigdalite bacteriana com amoxicilina, antibiótico de primeira escolha nesse tipo de infecção.

O paciente então evolui com rash na pele, o que pode ser falsamente atribuído a uma alergia ao antibiótico.

Diagnóstico

Testes sorológicos

Identificam anticorpos específicos. Conseguem identificar pessoas com infecção recente, passada ou reativada

  • Anti EBV IgG
  • Anti EBV IgM

Testes moleculares

Identificam material genético do vírus

Mais usadas em casos específicos como suspeita de transmissão da gestante ao feto ou pessoas com imunidade muito baixa.

Pode ser feito no sangue ou na saliva.

Reinfecção ou reativação da doença

Após o primeiro contato, a pessoa não mais terá infecção aguda, mesmo se tiver outros contatos com o vírus.

Isso ocorre porquê após a primeira infecção, o sistema imune produz anticorpos que defendem o organismo diante de novos contatos.

Contudo, tal qual o seu primo herpes simples, este vírus pode ficar latente no organismo.

Em caso de queda grave de imunidade, este vírus pode se reativar e causar algumas complicações relatadas abaixo.

Felizmente, diferente do herpes simples, a queda da imunidade necessária para a reativação do EBV é muito grande.

A reativação da EBV é uma preocupação apenas em pacientes na fase AIDS ou pacientes transplantados

Complicações:

  • Complicação mais comum é hepatite aguda com todos ou alguns comemorativos de lesão ao fígado.

A hepatite geralmente se cura sozinha e não deixa sequelas.

  • Obstrução de vias aéreas
  • Hepatite fulminante é rara.
  • Casos mais graves são raros e estão ligados a infecções em  pessoas com imunodeficiências prévias específicas para o EBV
  • Casos de morte são excepcionalmente raros e estão relacionados à ruptura do baço ou necrose extensa do fígado
  • Leiomiomas, leiomiosarcomas (mais comum em crianças com imunidade muito baixa)
  • Câncer no sangue (complicação que pode estar presente em pessoas transplantadas)
  • Leucoplasia oral (mais comum em pacientes com HIV na fase AIDS ou outras causas de imunidade extremamente baixa)

Doença linfoproliferativa pós-transplante

Infecção prévia ou aguda pelo EBV pode levar a vários tipos de neoplasias hematológicas em pacientes transplantados

Pode ocorrer em qualquer paciente pós-transplantado de órgãos sólidos ou medula de outro doador.

Isso pode ocorrer em 2 situações:

  • Primeiro contato com o EBV após o transplante (contato no ambiente ou transmissão a partir de um doador portador)
  • Reativação do vírus em quem já teve contato prévio e teve uma queda mito grande da imunidade devido ao transplante.

Tratamento:

  • cirurgia com retirada das lesões
  • radioterapia (irradiação das lesões)
  • Tratamento antiviral para supressão do EBV
  • Tratamento cm imunoglobulinas
  • Combinações de quimioterapias
  • Anticorpos monoclonais
  • Linfócitos T citotóxicos

Fonte:

 

CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

8 thoughts on “Mononucleose – conheça

  1. Olá doutora primeiro eu queria agradecer pelo site e pela ajuda
    Doutora eu gostaria de saber quanto tempo as inguas do EBV permanecem no corpo e o que eu posso fazer para elas pararem de doer

    1. isso varia de pessoa para pessoa. Você precisa se consultar com um médico infectologista de sua confiança para te avaliar pessoalmente e indicar melhor forma de tratamento para o seu caso.

  2. Boa noite, Dra Keilla

    Os sintomas da mononucleose (especificamente irritação da garganta) podem persistir por meses? No caso, o exame acusa IgM negativo e IgG positivo. Outros exames de infecções deram negativo.

    1. Bom dia. Isso varia de pessoa para pessoa. Você precisa se consultar com um médico infectologista de sua confiança para te avaliar pessoalmente e indicar melhor forma de tratamento para o seu caso.
      IgM é visto geralmente em contato mais recente e o IgG é visto já depois de um tempo do primeiro contato e geralmente permanece reagente por toda a vida.

  3. Olá doutora, gostaria de saber depois de quanto tempo após desenvolver todos os sintomas e melhorar da doença posso transmiti-la para o meu parceiro. Tive a 2 semanas atrás e já estou melhor, apenas tenho fadiga.

    1. Boa noite. A transmissão ocorre principalmente no período de incubação que dura de 30 a 45 dias. No entanto, o vírus pode permanecer na saliva por meses ou anos após o primeiro contato e, em circunstâncias especiais, ele ainda pode ser transmitido.
      Converse com seu medico sobre a aderência ao tratamento, ele é a pessoa mais indicada para essa avaliação no momento.

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