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Febre Amarela – Prevenção

Febre Amarela - prevenção
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Febre Amarela – prevenção

Não se pode fazer controle de vetores silvestres. Ou seja, não há como matar mosquitos dentro da floresta.

Por isso, a principal prevenção contra a Febre Amarela é a vacinação de pessoas suscetíveis.

Além disso, pessoas que não podem ser vacinas devem ser protegidas através do uso de repelentes e da vacinação de rebanho .

Mas, para ser eficaz em nível populacional e evitar a propagação da vírus, a vacinação deve ser feita ANTES da instalação do vírus naquela região.

O ideal é vacinar a população antes mesmo da detecção do vírus nos  macacos sentinelas

As áreas de risco são definidas muito antes de se ter casos de Febre Amarela em Humanos naquelas regiões.

Na verdade pode-se ter uma previsão das próximas áreas de risco, antes mesmo do aparecimento da epizootia (detecção de vírus em macacos)

Como o vírus se propaga

Mosquitos de 2 gêneros diferentes: Haemagogus Sabethes, são os agentes que transmitem a doença.

Eles vivem apenas em áreas de mata, na copa das árvores e se alimentam de sangue. Por isso os macacos são alvos fáceis.

O ser humano nesse caso é um hospedeiro acidental.

Ou seja, o vírus não precisa do ser humano para se perpetuar, o ser humano é picado pelo mosquito ao entrar em seu habitat. 

Ao picar um animal infectado, o mosquito se infecta. Mas, ao contrário dos macacos, eles não ficam doentes.

Os mosquitos infectados colocam os seus ovos na água que fica armazenada nas partes ocas das copas das árvores e transmitem o vírus aos seus descendentes.

Além disso, os ovos depositados nesses locais não eclodem todos ao mesmo tempo, permitindo que um único lote de ovos dê origem a diversos grupos de mosquitos no decorrer do tempo, favorecendo a sobrevivência da espécie no ambiente por um longo período.

Os ovos do Haemogogus também podem permanecer viáveis por períodos de seca, eclodindo na chegada da nova estação de chuvas.

Os filhos de um mosquito infectado pela Febre Amarela já nascem infectados.

Como os macacos infectados adoecem e muitos morrem, as novas gerações de mosquitos, já infectados, precisam se deslocar em busca de novos macacos.

Ao picá-los, transmite o vírus para os mesmos, propagando a doença.

O mosquito vive e consegue se distanciar até 6 km do local onde nasceu.

O horário de maior atividade do mosquito é do meio-dia até o pôr do sol, com alguns estudos indicando dois picos: das 12h às 14h e das 16h às 17h.

Em condições normais, o vírus se propaga a uma velocidade de 1 Km por dia.

Um longo caminho

O vírus da Febre Amarela que está causando tantos problemas na região sudeste percorreu um longo caminho.

O Vírus saiu da Amazônia, área endêmica (lá é constantemente área de risco) e chegou em São Paulo por 3 vias:

  • 2016 = Rio Preto e São José do Rio Preto
  • 2017 = São João da Boa Vista

Corredores ecológicos

São faixas de vegetação que ligam fragmentos florestais ou unidades de conservação separadas pela atividade humana. Reduzindo ou prevenindo a fragmentação de florestas existentes.

Essa programação é feita a partir de estudos sobre deslocamentos de espécies, sua área de vida (área necessária para o suprimento de suas necessidades vitais e reprodutivas) e a distribuição de suas populações

Essas faixas possibilitam o deslocamento dos animais entre as áreas isoladas garantindo a troca genética entre as espécies e a dispersão de sementes, aumento a cobertura vegetal

Trata-se de uma estratégia que organiza a ocupação humana no meio ambiente de forma a manter as funções ecológicas no mesmo território

Tem o objetivo de amenizar os impactos das atividades humanas na natureza.

O Vírus da Febre Amarela usa estes corredores ecológicos para se deslocar.

 

Considerando as atividades dos vetores e do vírus, é possível prever com bastante antecedência os caminhos que o vírus seguirá e por onde ele chegará.

Isso possibilita concentrar os esforços de vacinação nos locais que terão este primeiro contato, bloqueando a expansão do vírus.

 

Referência:

 


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CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

2 thoughts on “Febre Amarela – Prevenção

  1. Pretendo viajar para nordeste. Tenho 71 anos, sou hipertenso e safenado. Há risco em vacinar contra a febre amarela.

    1. A idade acima de 60 anos aumenta sim os riscos de reação vacinal grave mas não é uma contra indicação absoluta. Varias outras coisas devem ser pesadas. Sugiro que procure um médico infectologista de sua confiança para avaliar junto a você os riscos e benefícios em se vacinar para febre amarela ou não.

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