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Tratamento da Chikungunya na Fase Aguda e Crônica

Infectologista - Tratamento da Chikungunya na Fase Aguda e Crônica
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Tratamento da Chikungunya deve ser Dividido de Acordo com o Tempo de Evolução da Infecção

Tratamento da Chikungunya na Fase Aguda

O tratamento da Chikungunya é sintomático e deve ser adaptado de acordo com as características e gravidade dos sintomas de cada paciente, considerando as doenças pré-existentes e fatores de risco para complicações.

A finalidade do tratamento é controlar febre, dor, desidratação e prevenir falência de órgãos e comprometimento funcional.

O tratamento analgésico tem o paracetamol como droga de escolha, devendo ser usado com cautela em pessoas com doenças hepáticas. A dipirona também pode ser utilizada para alívio da dor e febre.

Nos casos da dor refratária à dipirona e ao paracetamol, podem ser utilizados os analgésicos opioides como cloridrato de tramadol e codeína.

Remédios que não podem ser usados na fase aguda da infecção (fase de febre)

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINE)devido à possibilidade de dengue como diagnóstico diferencial.
  • Aspirina (AAS) – devido ao risco de síndrome de Reye  e de sangramentos.
  • Corticosteroides – devido ao risco de possíveis efeitos adversos.

Quando internar o paciente?

Pacientes que apresentam sinais de gravidade:

  • Acometimento neurológico;
  • Sinais de choque;
  • Instabilidade hemodinâmica;
  • Dispneia (falta de ar);
  • Dor torácica;
  • Vômitos persistentes;
  • Sangramento de mucosas;
  • Descompensação de doença de base;
  • Todo recém nascido com suspeita da doença.

Tratamento da Chikungunya na Fase Sub-Aguda ou Crônica

A Dor da Chikungunya é uma das complicações mais frequentes da Infecção. Ela pode permanecer até 2 anos após a infecção.

Em pacientes com persistência das dores articulares, pode ser utilizado AINE oral por um período máximo de sete dias.

Indicação do uso de corticoides na dor pela Chikungunya

  • Dor articular não responsiva a AINE e analgésicos;
  • Artrite importante;
  • Dor moderada a intensa;
  • Dor debilitante.

O uso de corticoides está indicado apenas nas fases sub-aguda e crônica da doença.

Qual corticoide usar?

A medicação padrão recomendada para uso oral é a prednisona, na dose inicial de 0,5 mg/kg por dia.

Se a resposta ao tratamento for adequada, deve-se continuar a prednisona na dose recomendada até a resolução total das dores articulares, com uma duração máxima de 21 dias, seguida de redução gradual da medicação.

Durante a fase de desmame, se a dor recorrer, recomenda-se retornar para a dose anterior e tentar repetir o desmame de forma mais lenta e gradual.

Quais problemas que o uso de corticoides podem causar?

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Os riscos podem ser a curto e longo prazo, locais ou sistêmicos e podem ser bastante graves. Saiba mais aqui: O perigo do uso errado do corticoide.

Os riscos do uso de corticoides aumentam de acordo com a dose, o tempo de uso e a suspensão abrupta do mesmo.

Por isso, apesar de poder ser comprado sem receita médica, o corticoide deve ser usado apenas sob prescrição e acompanhamento médico.

O que fazer com os pacientes que não respondem aos corticoides?

O manejo de pacientes deve ser feito por médicos com experiência no uso desses tipos de medicamentos:

  • Hidroxicloroquina;
  • Sulfassalazina (melhor resposta quando usada em conjunto com o Metotrexato);
  • Metotrexato.

Existe um número limitado de publicações sobre o uso destas drogas na fase crônica de CHIKV e a maioria dos estudos incluiu um pequeno número de pacientes, com diferentes metodologias utilizadas.

A cloroquina tem algum efeito antiviral, mas não foi demostrado ser mais eficaz do que outros anti-inflamatórios no manejo da artralgia aguda e crônica pelo CHIKV.

O metotrexato tem sido amplamente utilizado, particularmente em pacientes que apresentam uma poliartrite sistêmica (dor articular generalizada).

O uso de qualquer medicação nessa fase deve ser muito bem acompanhada por um médico especialista.

Tratam-se  de medicações que podem trazer graves prejuízos à saúde se usados por pessoas não entendidas.

Fonte: Medscape


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Dra. Keilla Freitas
CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.


https://www.drakeillafreitas.com.br/quem-somos/

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