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Problemas neurológicos do HIV

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Problemas neurológicos do HIV

A incidência de Transtornos neurocognitivos em pacientes com HIV diminuiu muito com o uso dos antirretrovirais (ARV).

De 6,49 pessoas a cada 1.000 portadores de HIV ano na era pre-TARV, passou para 0,66 a cada 1.000.

Ainda assim, é de grande prevalência nessa população.

Novos métodos diagnósticos têm identificado perdas cognitivas em pacientes que vivem com HIV cada vez mais cedo.

Isso aumenta a prevalência desse transtorno nessa população e nos deixa mais cientes da magnitude do problema.

Porque pacientes com HIV tem maior risco de problemas no cérebro?

  • O vírus HIV já pode ser detectado no sistema nervoso central (líquor) apenas alguns dias após o início da infecção
  • O vírus HIV pode ser encontrado no cérebro mesmo anos após a supressão viral no sangue
  • O vírus HIV não ataca apenas as células CD4. Ele também usa as células do cérebro, entre outras, como reservatórios
  • A atração que o vírus apresenta pelas células neurológicas levam a um aumento da inflamação no sistema nervoso central.
  • Infecção avançada pelo HIV e a lesão imune podem iniciar um processo neuropático que continua mesmo após o tratamento e restauração das células CD4, independente da carga viral atual.

Fatores de risco para desenvolvimento de problemas neurológicos em pacientes com HIV:

  • Anemia
  • Doença vascular
  • Alterações metabólicas com diabetes mellitus.
  • Coinfecção HIV com Hepatite C
  • Pré-disposição genética
  • Altas concentrações do vírus HIV no liquor

Quais são os Transtornos neurológicos associados ao vírus HIV

  • Delirium
  • Infecções oportunistas em Sistema nervoso central
  • Leucoencefalopatia multifocal progressiva
  • Linfoma do sistema nervoso central
  • Encefalites
  • Neuropatia do HIV
  • Prejuízo neurocognitivo assintomático
  • Transtornos neurocognitivos com sintomas suaves
  • Demência

Delirium

São alterações da função cerebral e do nível de consciência, em geral de instalação brusca.

A pessoa pode estar agitada, tranquila ou prostrada, mas sempre está confusa.

É parecido com a demência, mas diferente dela, no delirium o quadro aparece de uma hora para a outra.

Delirium geralmente está associado a alguma outra causa médica reversível

  • Toxicidade secundária a alguma substância ou remédios
  • Alterações metabólicas
  • Infecções, principalmente as no sistema nervoso central
  • Alterações hormonais
  • Alterações cardiovasculares como infarto do coração ou arritmia
  • Neurológicos como derrame ou convulsões
  • Alterações da oxigenação do pulmão
  • Traumas
  • Retirada brusca de álcool, outras drogas recreacionais ou medicações (abstinência)
  • Neoplasias no sistema nervoso central

Prejuízo neurocognitivo assintomático

Pontuação abaixo da média em testes cognitivos em pelo menos 2 horas, sem comprometimento funcional ou sintoma observável ou referido.

Demência

  • Disfunção subcortical
  • É a maior causa de transtornos neurocognitivos do HIV
  • Ela ocorre com o CD4 abaixo de 200 cell/microL (ou seja, na fase AIDS)

Fatores de risco para desenvolvimento de demência nos pacientes com AIDS

  • Circulação do vírus no organismo por muito tempo
  • Baixo nível educacional
  • Idade avançada
  • Anemia
  • Uso de drogas
  • Gênero feminino

Causas de demência no paciente com HIV:

  • Grande quantidade de vírus HIV no líquor
  • Toxicidade a remédios
  • Transtornos metabólicos
  • Infecções, especialmente as do sistema nervoso central
  • Alterações hormonais
  • Neoplasia do sistema nervoso central
  • Alterações cardiovasculares (como infarto do coração ou derrame)
  • Alterações pulmonares
  • Traumas como batidas da cabeça
  • Retirada brusca de álcool ou outras drogas.

Sintomas sugestivos de demência:

  • Perda da atenção-concentração
  • Perda de memória, especialmente memória recente
  • Alteração do comportamento
  • Sintomas de depressão
  • Redução da velocidade e precisão das habilidades psicomotoras

Infecções neurológicas em Sistema nervoso central

Relacionadas à baixa imunidade (fase AIDS), estas infecções podem levar a complicações irreversíveis com comprometimento importante da capacidade de realização de atividades simples da vida diária.

Exemplos: encefalite por CMV, Neurotoxoplasmose, Neurocriptococose.

Leucoencefalopatia multifocal progressiva

Perda lenta, progressiva, multifocal e irreversível das funções neurológicas causada pela reativação do vírus JC.

86% das pessoas tiveram contato com este vírus durante a infância e nunca ficaram doentes. Este vírus pode passar toda a nossa vida hibernando no rim ou órgãos linfoides, sem causar problemas algum. Mas quando a imunidade fica muito baixa, como na AIDS, esta infecção reativa e ataca nossas fibras nervosas, mais precisamente a bainha de mielina que envolve nossas fibras nervosas e neurônios, as células de nosso cérebro.

A bainha de mielina é uma capa isolante e protetora que envolve nossas fibras nervosas, como a capa de um fio de eletricidade.

Sintomas da Leucoencefalopatia multifocal progressiva:

  • Alteração mental
  • Alteração do sistema motor (hemiparesia, monoparesia)
  • Ataxia
  • Sintomas visuais (hemianopia, diplopia)
  • Afasia
  • Convulsões
  • Atrofia cerebelar
  • Diagnóstico é feito com a detecção do vírus JC por técnicas moleculares realizadas no líquido da coluna.
  • Contudo, a não detecção do vírus não exclui o diagnóstico.
  • Esta doença é tão grave que uma vez instalada, reduz a expectativa de vida do pacientes com AIDS para alguns meses.

Como prevenir os distúrbios neurológicos em pacientes vivendo com HIV:

 

Fonte:

 

 

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Dra. Keilla Freitas
CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.
https://www.drakeillafreitas.com.br/quem-somos/

11 thoughts on “Problemas neurológicos do HIV

  1. Dr.. com reabilitação é possível recuperar os movimentos após ser acometido pela leoconcelepatia lempi

    1. Não. quando a pessoa chega nesse ponto, já está com sequelas.
      A grande questão é se é mesmo este o diagnósticos, pois dependendo do quadro neurológico existe uma série de estratégias que podem melhorar os sintomas e evitar progressão do quadro.

      1. Doutora, eu não tinha conhecimento disso ainda. Há pouco tempo falei sobre, com minha infecto, por perceber uma piora muito grande na minha memória. O que eu devo fazer exatamente se minha médica não souber como me auxiliar? Ela pediu uma ressonância pra ver se tenho alguma lesão. Eu não tenho medo sobre nada com relação ao HIV, somente isso. Por favor me responda. Um beijo

        1. Isso é algo que deve ser acompanhado e avaliado não apenas pelo infectologista, mas pelo neurologista. Existem coisas que a Infecto precisa saber para poder manejar e outras que passa para a outra área que é a da neurologia. Existem vários exames e testes que se faz para diagnosticar o déficit e até mesmo, mesurar o grau de perda, mas Ressonância não faz isso, apenas exclui outras causas para este problemas. Caso o diagnóstico se confirme, os 2 profissionais devem trabalhar juntos: infectologista e neurologista especialista em cognição.
          s

          1. Boa noite. A perda de memória, dificuldade de raciocínio podem ser tratados e há como melhorar esse quadro?

          2. Sim, há muita coisa a ser feita para melhorar e evitar piora dependendo de cada caso. Isso deve ser avaliado e acompanhado juntamente pelo seu infectologista e neurologista especialista no assunto.

  2. Doutora, minha mãe é soro positivo e faz tratamento há 23 anos. Houveram muitas pontes no seu tratamento e hoje, depois de uma pneumonia ela foi diagnosticada com Leucoencefalopatia multifocal progressiva, voltamos com a medicação e ela apresentou a lempi, que já esta sendo tratada. Esta muito debilitada, e com sinais de demência. Esta totalmente dependente, debilitada do lado esquerdo, afetou todo o lado direito do cérebro. No caso dela, é poucos meses como foi dito a cima?

    1. A grande questão é se é mesmo este o diagnósticos, pois dependendo do quadro neurológico existe uma série de estratégias que podem melhorar os sintomas e evitar progressão do quadro.
      Isso é algo que deve ser acompanhado e avaliado não apenas pelo infectologista, mas pelo neurologista. Caso o diagnóstico se confirme, os 2 profissionais devem trabalhar juntos: infectologista e neurologista especialista em cognição.

  3. Queria saber mais sobre o vírus !! Eu tenho um irmão com o vírus e ta muito difícil pra família lidar queria saber se tem algum sintomas de agressividade de confusão , confundir uma pessoa com inimigo ???????

    1. Boa noite. Sim, no próprio texto explica sobre um transtorno que pode estar associado ao vírus HIV.
      Isso é algo que deve ser acompanhado e avaliado não apenas pelo infectologista, mas pelo neurologista. Existem coisas que a Infecto precisa saber para poder manejar e outras que passa para a outra área que é a da neurologia. Caso o diagnóstico se confirme, os 2 profissionais devem trabalhar juntos: infectologista e neurologista.

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