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Erisipela ou Celulite Infecciosa: Conheça A Doença

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Se você notar inchaço, vermelhidão e aparência brilhosa na sua pele, bem como o surgimento de bolhas ou bordas infladas pode estar passando pela chamada Erisipela ou Celulite Infecciosa.

Estas condições nada mais são do que infecções da pele causadas muitas vezes pelas próprias bactérias que habitam o exterior do nosso corpo. Continue a leitura deste artigo e conheça melhor a doença.

A Erisipela versus Celulite Infecciosa

Tanto a Erisipela quanto a Celulite Infecciosa são nomes que se referem a uma infecção de pele e habitualmente são tratadas como sinônimos.

Mas apesar de serem bastante parecidas e muitas vezes difíceis de diferenciar, existem alguma diferenças. Veja no quadro abaixo:

Erisipela ou Celulite Infecciosa: Conheça A Doença

Quem causa?

Estas infecções são causadas mais comumente por bactérias que colonizam nossa pele.

  • Estreptococos Beta hemolitico (grupo A, B, C, G e F) – 73 % dos casos
  • Staphylococcus aureus
  • Streptococcus pyogenes
  • Haemophilus influenzae do tipo B (celulite bucal)
  • Streptococcus pneumoniae
  • Neisseria meningitidis
  • Pasteurella multocidaCapnocytophaga canimorsus (em picadas de animais)
  • Aeromonas hydrophilaVibrio vulnificus (Histórico de exposição a água)
  • Pseudomonas aeruginosa (pessoas com imunidade baixa como portadores de AIDS e diabetes mellitus)
  • Streptococcus do grupo B (Recém Nascidos de parto normal filhos de mães com colonização genital)
  • Cryptococcus neoformans (Imunodeprimidos HIV negativos)
  • Helicobacter cinaedi (pessoas portadoras de HIV/AIDS)
  • Mycobacterium abscessus
  • Erysipelothrix rhusiopathiae (zoonose)
  • Streptococcus pneumoniae (4% dos casos de celulite orbital)

 

Por que surge?

Estas infecções são causadas por micro-organismos (bactérias) que vivem naturalmente em nossa pele, mas geralmente não causam problemas de saúde pois a pele funciona como um paredão protetor e não permite que as bactérias entrem em contato com nosso organismo.

Quando ocorre um pequeno trauma, que muitas vezes pode ser imperceptível, ou mesmo doenças de pele que afetam sua integridade, formam-se portas de entrada nesses paredão pelos quais as bactérias penetram 

Possíveis portas de entrada para micro-organismos:

  • Picada de inseto;
  • Arranhaduras;
  • Mordeduras;
  • Traumas;
  • Cortes
  • Prurido (Coceira);
  • Queimaduras
  • Espremer lesões de pele como cravos e espinhas
  • Lesões na pele às vezes imperceptíveis a olho nú.

Fatores de Risco

Apesar de poder afetar qualquer indivíduo, existem alguns fatores de risco que podem elevar as chances de infecção, por exemplo:

  • Obesidade;
  • Diabetes Mellitus mal controlada;
  • Insuficiência venosa;
  • Insuficiência linfática;
  • Edemas crônicos;
  • Enxerto de veia safena em membros inferiores
  • Pós-mastectomia radical (cirurgia de retirada das mamas que se faz no câncer de mama na qual também se retiram os linfonodos axilares)
  • Doenças dermatológicas (Doenças de pele)
  • Pé de Atleta (Infecções fúngicas no pé)
  • Onicomicose (Infecções fúngicas na unha)
  • Imunodeficiências
  • Cirurgias
  • Membros paréticos (membros parados por muito tempo, como paciente cronicamente acamados ou com problemas neurológicos que dificultam a movimentação do membro)
  • Tabagismo.
  • Etilismo
  • Uso de drogas endovenosas
  • Síndrome nefrótica

Os Sintomas

Pacientes infectados podem se queixar de sintomas como febre e calafrios antes mesmo de qualquer manifestação visível. Mas o diagnóstico clinico é feito através do exame físico com o surgimento de:

  • Inchaço com aspecto brilhante, quente e macio ao toque; por  vezes com aspecto de “casca de laranja”
  • Vermelhidão;
  • Dor
  • Calor
  • Bolhas 
  • Ínguas próximos ao local afetado

Além disso, dor intensa e mal estar generalizado também podem surgir durante a infecção. No entanto, os sintomas podem variar de acordo com a gravidade da infecção, predisposição da pessoa e tamanho da área acometida.

Exames de imagem

O diagnóstico é basicamente feito pelo exame físico.

No entanto em algumas situações, exames de imagem devem ser solicitados sobretudo para descartar outros diagnósticos como trombose venosa profunda, ou descartar complicações como abscessos e osteomielite.

Complicações

Se não tratada adequadamente, infecção pode evoluir com complicações, algumas delas podem acontecer em horas.

  • Aumento da área infectada;
  • Descompensação da diabetes (em pacientes diabéticos);
  • Sepse (Infecção generalizada).
  • Grangrena/amputação
  • Cicatriz
  • Edema linfático
  • Abscesso
  • Embolismo
  • Meningite
  • Escarlatina
  • Pneumonia
  • Osteomielite (infecção do osso)
  • Descompensação da Diabetes Mellitus
  • Glomerulonefrite (inflamação dos glomérulos do rim)
  • Endocardite (infecção do coração)

Como medidas de prevenção estão manter os pés sempre bem limpos e secos, controlar as doenças de base como a diabetes, usar meias compressivas quando indicadas, entre outras coisas.

Tratamento da Erisipela

Quanto mais cedo o tratamento correto for iniciado, menores serão as chances de uma complicação adicional. 

Na maioria das vezes não é possível identificar com certeza o nome específico da bactéria causadora da infecção, pois para isso seria necessário cortar um pedaço da pele para fazer uma biópsia e geralmente isso não é necessário

O médico especialista consegue avaliar o tipo de apresentação, local, gravidade, epidemiologia comorbidades da pessoa entre outros detalhes e a partir de daí identifica quais são as prováveis bactérias esperadas para aquela situação.

A partir daí ele estabelece o melhor esquema de tratamento a melhor via de administração (oral ou intravenosa) e a programação do tempo de tratamento

Não se trata celulite ou erisipela com pomadas. O tratamento deve ser sempre sistêmico

o médico responsável pelo quadro poderá passar medicação de 7 a 14 dias, dependendo do estágio e gravidade da doença. 

Além disso, manter a região frequentemente limpa é essencial para ajudar no alívio da dor e desconforto causado pela condição.  

Dependendo da evolução, um médico cirurgião (geralmente o médico vascular ou mesmo ortopedista) poderá ser chamado para avaliar necessidade de algum procedimento de limpeza cirúrgica da pele.

Se houver a indicação de alguma limpeza cirúrgica ou desbridamento, aproveita-se a oportunidade para coleta de material para culturas.

Erisipela bolhosa

É uma apresentação clinica da erisipela  e não uma complicação.

Essa tipo de apresentação ocorre geralmente quando a bactéria S. aureus associa-se com o streptococo

O esquema de tratamento e o tempo de tratamento é similar, mas a recuperação e cicatrização pode demorar mais.

Erisipela ou Celulite Infecciosa: Conheça A Doença
Erisipela Bolhosa

Erisipela hemorrágica

Apresentação clinica da erisipela na qual observamos intenso eritema, aspecto equimótico acentuado e bolhas em

 

Erisipela de repetição

O fato de se ter uma erisipela ou mesmo uma celulite infecciosa uma primeira vez, não aumenta as chances de se ter uma outra.

Porém, se existirem fatores de risco e estes não forem resolvidos, podem haver novos quadros.

Ainda assim a recorrência local está relatada em apenas 20% das pessoas com condições predisponentes.

Tratamento profilático com antibióticos são praticamente proscritos pois em geral apenas ajuda na indução de mutação e seleção de bactérias resistentes.

Descolonização de pele costuma ser pouco efetivo mas é algo que se pode lançar mão

O principal método de prevenção é identificar os fatores de risco de tratá-los.

 

 

 

Fontes:

 

 

 

 


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Dra. Keilla Freitas
CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.


https://www.drakeillafreitas.com.br/quem-somos/

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