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Cirrose hepática: conheça

Last updated on maio 17th, 2018 at 07:39 pm

Cirrose hepática

O fígado pode ser atacado de várias formas o tempo todo

Ele possui uma grande capacidade de regeneração quando machucado.

Como estas agressões são geralmente transitórias, o fígado se recupera sem maiores problemas.

Mas quando essa agressão supera a capacidade de regeneração, ou por ser muito intensa ou por ocorrer por longos períodos, ocorre a cicatrização do fígado.

Figado com muita cicatriz está caminhando para a  cirrose.

Causas de cirrose:

  • Cirrose por hepatite crônica pelo vírus B ou C.
  • Doenças que comprometem as vias biliares, incluindo a atresia de vias biliares na infância.
  • Etilismo (hepatite alcoólica)
  • Hepatite autoimune.
  • Doença hepática gordurosa não alcoólica.
  • Doenças metabólicas na infância.
  • Tumores hepáticos primários.
  • Abuso de drogas
  • Medicamentos
  • Doenças infecto-parasitárias
  • Infecções virais agudas ou crônicas

Como ocorre a cirrose?

A cirrose ocorre quando a agressão aos hepatócitos (células do fígado) ultrapassa a sua capacidade de regeneração

Isso pode ocorrer por causa de uma lesão muito intensa (mesmo que em um período curto) e/ou por um longo período

Quando o fígado perde sua capacidade de regeneração, ocorre a degeneração de suas células (hepatócitos)

A degeneração dos hepatócitos altera a arquitetura do fígado prejudicando a irrigação sanguínea e a síntese de proteína levando a uma cicatrização do órgão.

Essas cicatrizes são compostas por fibras, a chamada fibrose hepática.

A pessoa pode permanecer sem sintomas por muitos anos até começar a apresentar sintomas das complicações da hepatite.

Por outro lado, uma pessoa pode ter cirrose hepática sem apresentar nenhum sinal ou sintoma (cirrose hepática compensada)

Sintomas de cirrose hepática

  • Icterícia
  • Prurido
  • Eritema palmar (palmas das mãos avermelhadas)
  • Sangramento digestivo alto
  • Melena (saída de sangue digerido pelas fezes)
  • Enterorragia (saída de sangue vivo pelas fezes)
  • Perda de massa muscular
  • Ascite (liquido abdominal)
  • Anasarca (inchaço generalizado) / Edema (inchaço localizado)
  • Derrame pleural (liquido no pulmão)
  • Encefalopatia hepática (delirium) – quadro grave e rápido de alteração da consciência.
  • Falência do rim
  • Aumento das mamas (ginecomastia)
  • Atrofia (redução do tamanho) dos testículos
  • Varizes em cabeça de medusa

Tratamento da cirrose

Não existe cura para a cirrose. Existe controle e prevenção.

Como é feito o controle dos sintomas

  • Tratando doenças de base que pioram o quadro (como hepatites B ou C, etilismo, etc)
  • Evitando medicamentos que pioram os sintomas (geram a descompensação da cirrose)
  • Controle dietético restritivo
  • Medicações de auxiliam no controle de sintomas e das complicações

Dieta do paciente cirrótico:

Pessoas com cirrose descompensada, como aqueles que já apresentaram sangramento digestivo, devem ter cuidados especiais com a dieta:

  • Diminuição da ingesta de sódio (sal) – até 1,5 g /dia
  • Dieta rica em carne branca (peixe, peru, frango)
  • Restrição de líquidos (alguns casos, apenas 1,5 litro/dia)

O que deve ser considerado para a realizar a orientação dietética no paciente cirrótico:

  • Gravidade de doença
  • Presença de doença descompensada (água na barriga,água no pulmão, sangramento do intestino, confusão mental, etc)
  • Níveis de sódio no sangue
  • Níveis de proteína no sangue
  • Funcionamento do rim

Fatores que aceleram a progressão para cirrose hepática:

  • Idade superior a 40 anos no momento da infecção
  • Sexo masculino
  • Etilismo
  • Outras infecções associadas como hepatite B ou HIV
  • Outras comorbidades associadas como imunossupressão; esteatose hepática; resistência à insulina

 

Transplante hepático

 

Ao contrario de órgãos como rim, não existe nenhum aparelho que consiga substituir as funções do fígado, mesmo que momentaneamente

É por isso que quando o fígado mostra sinais inequívocos de sua incapacidade para cumprir suas funções, o paciente é colocado na fila do fila do transplante

No entanto, existe uma série de pré-requisitos que devem ser cumpridos para que a pessoa possa entrar nessa fila, e várias outras para que possa permanecer nela

O paciente candidato ao transplante de fígado é colocado em uma lista única de espera estadual para transplante, de acordo com a compatibilidade sanguínea (Sistema ABO).

Desde 2006, no Brasil, o critério para ordem na lista de adultos respeita um índice baseado na gravidade da doença, conhecido como MELD (Model for End-Stage Liver Disease).

Pacientes mais graves, possuem MELD maior e são priorizados

 

Os casos urgentes (hepatite fulminante) têm prioridade absoluta na lista de espera do transplante.

A sobrevida desses pacientes é muito curta e devem ser operados com urgência.

Uma fila com muitas perdas

A necessidade de transplante é infinitamente maior que o número de doadores.

Desde 2004, entre 900 e 1 mil transplantes são feitos anualmente no Brasil.

Cerca de 7 mil candidatos esperam por um transplante de fígado no Brasil, sendo 4 mil no Estado de São Paulo.

Há cerca de 4 a 5 doadores para cada 1 milhão de habitantes no Brasil.

Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos este número é de 25 doadores para cada 1 milhão de pessoas com indicação do transplante

Com tantas dificuldades, muitas pessoas acabam falecendo nas filas, antes mesmo de terem a oportunidade do transplante

Transplante split

Uma pessoa com morte cerebral, que é doadora de órgãos, geralmente doa o seu fígado para uma única pessoa.

Mas diferente do coração, aqui existe a possibilidade de usar o mesmo órgão para mais de uma pessoa.

Nesse caso o fígado é dividido em 2 partes, sendo a parte maior doada para um adulto e a menor para uma criança, geralmente.

Transplante entre vivos

Uma pessoa compatível também pode doar o seu fígado estando viva.

Diferente do rim, nós temos apenas um fígado, então, para doar este órgão em vivo o doador precisa se submeter a uma cirurgia grande, na qual será retirada até 70% de seu fígado.

No doador vivo, o fígado saudável restante se recupera e chega a quase 90% do volume original após alguns meses da cirurgia.

Após o transplante

Uma que recebe transplante de fígado precisa tomar medicações que abaixam a imunidade pelo resto da vida.

Caso contrário, o próprio organismo rejeita o órgão, perdendo o implante.

Dependendo da causa da cirrose, se a mesma não for tratada antes do transplante, a doença ativa pode atacar o novo órgão.

Por isso, a doença de base que levou à cirrose deve ser avaliada e caso esteja ativa, deve ser tratada.

Em alguns casos, como nos portadores de  hepatite C  crônica com indicação de transplante hepático, indica-se inclusive, postergar o tratamento da hepatite para depois do transplante.

Como é feita a prevenção da cirrose?

Diagnóstico precoce de hepatites crônicas

Infecções como hepatite pelo vírus B e hepatite pelo vírus C geralmente não apresentam sintoma ou alterações nos exames de sangue de rotina até que a doença já esteja avançada

Por isso é muito importante realizar exames diagnóstico específicos

Investigar e acompanhar qualquer lesão hepática

Não é raro o aparecimento de alterações nos exames de sangue que indiquem alguma lesão aguda ao fígado.

Essa alteração pode ocorrer, inclusive, durante a realização de exames de rotina ou checkUp, sem o aparecimento de sintomas.

É muito importante que ocorra o acompanhamento médico com exames seriados e a avaliação da possíveis causas para isso.

Geralmente são situações transitórias e podem até passar sozinhas, mas deixar essa investigação e acompanhamento de lado, pode fazer com que se perca uma excelente oportunidade de diagnóstico e de tratamento.

Identificar e tratar as causas tratáveis de hepatites

Hepatite é a inflamação do fígado.

Antes de chegar à fase de cirrose, o fígado passa pela fase de inflamação

Existem muitas causas de hepatites agudas que são auto-limitadas. Ou seja, se curam sozinhas.

Nesses casos, a conduta principal passa por evitar maiores lesões ao fígado e deve ser feita sob supervisão médica.

Outras causas que levam à hepatite crônica, como hepatites autoimunes ou virais, podem sim ter indicação de tratamento.

Se não for realizado o tratamento específico quando indicado, a doença evoluirá silenciosamente até a fase de cirrose ou até mesmo de câncer do fígado.

Fonte:

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Dra. Keilla Freitas
Dra. Keilla Freitas
Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.
http://www.drakeillafreitas.com.br/

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