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Aumento dos Casos de Sarampo

Infectologista - Aumento dos Casos de Sarampo
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Sarampo

O Sarampo é uma doença viral que causa sintomas como febre, mal estar e erupções na pele, podendo ser muito grave, especialmente em crianças menores de 2 anos de idade.

Este vírus existe em todo o mundo, e circula mais no final do inverno e inicio da primavera. Em países com pouca cobertura de vacina, as epidemias de Sarampo costumam ocorrer a cada dois ou três anos.

Naqueles que conseguem manter altos níveis de cobertura vacinal, o número de casos tem caído muito, e ocorrem apenas pequenos surtos a cada cinco/sete anos.

Sarampo no Brasil

O último caso de Sarampo com vírus autóctone (vírus que não veio de outro pais e não era da vacina) havia sido em 2000.

Em 2016, o Brasil recebeu o certificado de área livre de sarampo. Nesse período, casos isolados e surtos de vírus importados (pessoas pegaram a doença em outros países) ocorreram eventualmente.

Em fevereiro de 2018, a doença voltou ao pais através do contato de brasileiros não vacinados com pessoas infectadas na Venezuela.

Até 15/04/19, foram confirmados no Brasil 73 casos de sarampo:

  • Pará: 43
  • São Paulo: 20
  • Amazonas: 4
  • Santa Catarina: 3
  • Rio de Janeiro: 1
  • Roraima: 1
  • Minas Gerais: 1

Fonte: GT-Exantemáticas/SVS/MS, Informe n°39, até 15 de abril de 2019.

Até 07/05/2019, foram confirmados no estado de São Paulo 27 casos de sarampo.

Fonte: SinanNet, Instituto Adolfo Lutz/SP, Fiocruz/RJ, dados em 07 de maio de 2019.

Como Evitar o Sarampo?

A principal forma de evitar a infecção é pela vacina.

Aumento de casos ocorrem devido à baixa cobertura vacinal da população.

Em 2017, dados preliminares indicavam uma cobertura no Brasil de 85,21% na primeira dose (tríplice viral) e de 69,95% na segunda dose (tetra viral).

Para acabar com o aumento de casos, é necessário uma vacinação de pelo menos 95% da população.

A vacina contra o Sarampo é de vírus vivo atenuado (enfraquecido) e é conjugada, ou seja,  existem outros vírus na mesma vacina:

  • Vacina tríplice viral (protege contra o sarampo, caxumba e rubéola) – SCR
  • Vacina tetra viral (protege contra o sarampo, caxumba, rubéola e varicela) – SCR-V

Vacinação de Rotina

Crianças entre 12 meses e 6 anos de idade

  • Uma dose de vacina SCR (tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) aos 12 meses de idade;
  • Uma dose de vacina SCR-Varicela aos 15 meses de idade.

A dose de SCR-Varicela deve ser administrada após uma dose anterior da SRC.

A vacina tetra viral pode ser aplicada até aos menores de seis anos de idade.

  • A partir dos cinco anos de idade, crianças sem comprovação de vacinação anterior aplicam uma dose da vacina SCR na primeira visita e uma segunda dose de SCR 30 dias após a primeira.

Caso apresente documentação com esquema de vacinação incompleto, completar o esquema já iniciado.

Crianças de 7 anos a adultos até 29 anos

  • Todos devem ter duas doses de SCR (recebidas a partir de um ano de idade e com intervalo mínimo de 30 dias).
  • Se esquema de vacinação estiver incompleto, completar o esquema já iniciado.
  • Para indivíduos sem comprovação de vacinação anterior, aplicar uma dose da vacina SCR na primeira visita e uma segunda dose de SCR 30 dias após a primeira.

Mais de 30 anos

  • Todos devem ter pelo menos uma dose da vacina SCR, mesmo se tiver histórico da doença.

Vacinação de Grupos de Risco

  • Profissionais da educação;
  • População institucionalizada;
  • Estudantes (ensino fundamental, médio e superior);
  • Trabalhadores da construção civil, do setor de turismo, de aeroportos e portos (por exemplo: agentes de viagens, guias turísticos, taxistas, funcionários de hotéis e de empresas de transportes aéreo, marítimo e terrestre, etc.);
  • Profissionais do sexo;
  • Mulheres puérperas e pós-abortamento;
  • Viajantes.

Todos os profissionais de saúde devem ter 2 doses da vacina SCR, com intervalo de 30 dias entre as doses.

Bloqueio Vacinal

Vacinação de suscetíveis em até 72 horas após notificação do caso, para interromper cadeia de transmissão.

A busca exaustiva de suscetíveis deve abranger os locais frequentados pelo caso confirmado nos últimos sete a 21 dias, incluindo todo o quarteirão, área residencial ou bairro se necessário.

Intensificação Vacinal

Busca de faltosos, bolsões de não vacinados e vacinação oportuna de rotina.

Campanhas de Vacinação

Vacinação em massa de determinada população.

Campanhas de Seguimento

Rotina de busca de não vacinados ou com esquema incompleto.

Varredura

Busca de não vacinados entre seis meses a 49 anos para completar o esquema.

Monitoramento Vacinal

Monitoramento das coberturas ajuda a avaliar o índice de vacinação da população e a determinar estratégias que podem ser realizadas.

Imunização passiva

A imunoglobulina deve ser administrada em pessoa suscetível, que possua contra indicação à vacina, sem histórico vacinal e que tenha sido exposta à infecção há menos de 6 dias.

Pacientes que fizeram uso da imunoglobulina e que possuem indicação de se vacinar contra vírus vivo atenuado, devem aguardar 6 meses.

Quem está Protegido?

  • Quem já teve infecção comprovada pelo sarampo;
  • Quem tomou pelo menos 2 doses da vacina a partir dos 12 meses de idade, com pelo menos 1 mês de intervalo entre as doses.

Quem deve Tomar a Vacina?

Todas as crianças, adolescentes e adultos que não possuem contra indicação e que:

  • Nunca foram vacinados;
  • Não possuem comprovação da vacinação;
  • Não tenham tido infecção confirmada pelo Sarampo em algum momento da vida.

Na dúvida se a vacinação está completa ou se teve infecção prévia, a vacinação está indicada.

Quem não Pode Tomar a Vacina? (Contra-indicações)

  • Gestantes;
  • Mulheres que pensam em engravidar (devem aguardar pelo menos 4 semanas após a vacina);
  • Pessoas com imunidade baixa por doença ou medicação;
  • Histórico de anafilaxia após aplicação de dose anterior da vacina (evento bastante raro);
  • Menores de 6 meses de idade;
  • Pessoas com quadro de febre, independente da causa.

Não há limite de idade para o recebimento da vacina.

Idosos com indicação da vacina e sem contra indicações à mesma, podem recebê-la.

Esquema de Vacinação:

São necessárias 2 doses da vacina.

  • Em crianças a partir dos 12 meses, o intervalo recomendado entre as doses é de 3 meses;
  • Crianças mais velhas, adolescentes e adultos: intervalo de um mês.

A Vacina e o Ovo

Apesar de ter traços de proteína de ovo de galinha em sua fórmula, mesmo pessoas com alergias graves à ovo não possuem contra indicação à vacina.

O recomendado nestes casos é apenas que a vacinação seja feita em ambiente hospitalar, por segurança.

Alergia ao ovo de galinha não contra-indica a vacina.

Efeitos Adversos da Vacina

Reações vacinais graves são bastante raras. Em geral as reações são brandas.

Reações que podem começar entre 5 e 12 dias após a vacinação:

  • Febre, normalmente baixa;
  • Erupções na pele parecidas com sarampo;
  • Reações locais como ardência, vermelhidão, dor e formação de nódulo;
  • Dor de cabeça, irritabilidade, lacrimejamento, vermelhidão dos olhos e coriza.

Reações que podem começar com mais de 14 dias após a vacinação:

  • Manchas vermelhas no corpo, podem aparecer de 7 a 14 dias após a vacinação, durando em torno de dois dias;
  • Ínguas podem aparecer entre 7 a 21 dias após a vacinação.

Reações Vacinais mais Raras:

  • Inflamação das meninges (meningite), em geral benigna, pode ocorrer entre o 11º e o 32º dia após a vacinação.
  • Inflamação do cérebro (encefalite) pode surgir entre 15 a 30 dias após a vacinação (ocorre um caso a cada 1 milhão-2,5 milhões de vacinados com a primeira dose).
  • Manifestações hemorrágicas (púrpura trombocitopênica) com evolução benigna entre 12 a 25 dias após a vacinação, mas sua ocorrência contraindica doses subsequentes (ocorre um caso a cada 30 mil-40 mil vacinados).
  • Dor articular ou artrite surgem em 25% das mulheres vacinadas após a puberdade, aparecendo cerca de 1 a 21 dias depois da vacinação. Essa reação é transitória, benigna e não contraindica outras doses da vacina.
  • Inflamação das glândulas parótida, pode ocorrer de 10 a 21 dias após a vacina.

Reações graves ou que não passem após 24 ou 72 horas (dependendo do sintoma), devem ser avaliadas pelo médico, a fim de descartar outras causas.

 

Fonte:

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Dra. Keilla Freitas
CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.


https://www.drakeillafreitas.com.br/quem-somos/

2 thoughts on “Aumento dos Casos de Sarampo

  1. Dra, qual exame devo fazer pra saber se já tive catapora?

    Pode me dizer o nome completo do exame por favor?

    Obrigado.

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