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Infecção Meningocócica – Saiba Mais

Infecção meningocócica
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Infecção meningocócica. O meningococo (Neisseria meningitidis) é uma bactéria causadora de graves infecções. Doenças meningocócicas podem afetar o revestimento do cérebro, medula espinhal e corrente sanguínea. Em todos os casos, existe o risco de uma infecção fatal.

Continue a leitura deste artigo para conhecer melhor essa bactéria tão perigosa e saber como lidar com as infecções causadas por ela.

Tipos de Meningococos

Existem vários tipos e subtipos de meningococo e podem se apresentar de várias formas:

  • Meningite (quando a bactéria infecta a meninge, capa protetora do cérebro);
  • Meningococcemia (quando a bactéria causa infecção generalizada);
  • Meningite com meningococcemia.

Como o Meningococo pode ser transmitido?

Essa bactéria tem como característica uma transmissão por meio do contato direto com uma pessoa doente, ou seja, pode ser disseminada pela troca de secreções respiratórias, ou vindas da garganta.

Passar muito tempo em ambientes fechados com uma pessoa infectada aumenta as chances de contaminação, assim como o contato com escarros e saliva deixada muitas vezes por um beijo.

Infecção meningocócica

Infecção Transmissível causada pela Neisseria menigititis, bactéria que vive naturalmente no sistema respiratório humano. É uma infecção muito perigosa. Ela mata 13% das pessoas doentes.

É a segunda maior causa de meningite bacteriana, em pacientes que não possuem fatores de risco aparentes para meningites.

Sintomas:

Ela pode se apresentar de 3 formas:

  • Apenas como Meningite meningocócica
  • Meningococcemia sem evidência de Meningite
  • Meningite com Meningococcemia

Independente de sua apresentação, sua evolução é dramática, podendo levar uma pessoa de totalmente saudável para gravemente doente e morte em menos de 24 horas.

 

A primeira coisa a aparecer geralmente é a mialgia (dor muscular) – mais intensa que a que vemos na gripe. Outras vezes, o primeiro sintoma é a amigdalite ou faringite.

Outros sintomas iniciais inespecíficos:

  • Sintomas respiratórios como dor de garganta, coriza
  • Febre
  • Dor de Cabeça
  • Perda de Apetite
  • Nauseas, vômitos
  • Dificuldade de concentração

Algumas horas depois da fase inicial, aparecem os sintomas mais especificamente ligados ao tipo de apresentação:

Meningite meningocócica:

  • Rigidez de Nuca
  • Fotofobia (a luz incomoda os olhos)
  • Alteração do nível de conciência (confusão mental, agitação, sonolência extrema)

Meningococcemia:

  • Rash (lesões de pele)

As manchas na pele podem variar do rash típico das meningites às petéquias hemorrágicas

– Não coçam

– Manchas hemorrágicas em mucosas  (céu da boca, olhos, pálpebras)

– Lesões arroxeadas

– Petéquias (lesões discretas, de 1-2 mm, mais comuns em tronco e pernas que NÃO desaparecem ao serem pressionadas).

 

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Exemplos de lesões de pele na meningococcemia

 

Sinais de alerta – levar imediatamente ao hospital

  • Dor nas pernas
  • Mãos e pés anormalmente frios
  • Pontas dos dedos com mudança da cor (azulados)
  • Alterações da cor da pele (palidez estranha, aparecimento de manchas ou pele azulada – cianose)

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Complicações

  • Delirium, rebaixamento do nível de consciência (pessoa não acorda), convulsões
  • Sinais de Sepse
  • Coagulação intravascular disseminada (Alteração generalizada do sistema de coagulação do sangue)
  • Hemorragias na pele com necrose (morte do tecido da pele)
  • Complicações cardíacas (inflamação do coração, falha do coração que pode levar a líquido nos pulmões)

Sequelas

  • Disfunções neurológicas, como paralisia cerebral
  • Vasculite
  • Pericardite

Fator de risco para doença meningocócica

  • Idosos e crianças
  • Imunidade baixa como pessoas com HIV, mesmo sem AIDS
  • Pessoas que viajam para a Africa

Como se transmite

Ela pode ser transmitida de uma pessoa a outra pela conversa, beijo, compartilhamento de copos e talheres sem lavar, etc.

A pessoa portadora da bactéria pode nunca ter sintomas da doença e ainda transmitir para alguém que a tenha.

O quadro inicial da meningococcemia pode ser facilmente diagnosticado como Gripe, ainda mais porque a época de maior circulação dessa bactéria é justamente durante o Inverno.

Isso é algo que temos que ter em consideração pois este paciente que recebe alta do Pronto Socorro com medicação para a Gripe pode voltar após poucas horas com um quadro clínico muito grave.

É muito importante que as família estejam bem orientadas quanto aos sinais de alerta em qualquer quadro aparentemente viral, para não tardar o retorno ao hospital.

O que pode aumentar o número de infecções pelo meningococo?

Algumas das causas orgânicas que são capazes de aumentar os riscos de uma infecção por meningococos são:

  • População não vacinada, ficando assim suscetível;
  • Aparecimento de novos subtipos de meningococo;
  • Condições precárias de habitação;
  • Baixa umidade relativa do ar.

As estratégias de prevenção dessa infecção são:

A principal estratégia para a prevenção das infecções originadas pela bactéria “Neisseria meningitidis” é a vacinação. No entanto, medidas como o isolamento da pessoas com suspeita de infecções e as chamadas quimioprofilaxias podem ajudar no controle da disseminação das doenças causadas pelo meningococo. Veja a seguir como cada estratégia funciona:

Vacinação

A vacinação deve ser realizada em todas as pessoas que não tenham contraindicação a ela. Deve ser feita antes da exposição e está prevista no calendário nacional de vacinação.

Isolamento

O Isolamento de uma pessoa doente serve para proteger pessoas suscetíveis (funcionários do hospital, outros pacientes do hospital, familiares, etc) contra a exposição ao agente infeccioso.

Como a doença é transmitida por contato direto, pessoas suspeitas devem ficar em isolamento por gotículas durante todo o período de transmissão.

O período de transmissão ocorre a partir de 7 dias antes das manifestações da doença até 24 horas depois do início do tratamento adequado.

Como realizar o isolamento:

  • A pessoa deve ser internada em um quarto privativo (um único paciente no quarto), preferencialmente. Se não for possível, o outro leito deve ficar a uma distância de no mínimo 1 metro;
  • A porta do quarto deve permanecer sempre fechada;
  • Todas as pessoas que entrarem no quarto (inclusive visitas), devem usar máscara cirúrgica (tapando nariz e boca) durante todo o tempo que permanecerem no quarto;
  • Ao sair do quarto, a máscara deve ser jogada no lixo (não pode guardar para usar depois);
  • O paciente não pode sair do quarto ( exemplo: caminhar pelo corredor do hospital), a não ser que seja preciso (exemplo: realizar algum exame);
  • Caso o paciente precise sair do quarto, deverá usar a máscara cirúrgica todo o tempo que estiver fora;
  • O paciente não precisa usar máscara cirúrgica quando estiver no quarto.

Quimioprofilaxia

A quimioprofilaxia é o uso de antibióticos em pessoas saudáveis para evitar que fiquem doentes. Está indicado apenas para os contatos dos casos suspeitos e deve ser realizada o mais cedo possível, até 24 hs após o último contato.

Quem consideramos contato:

  • Pessoas que moram na mesma casa (principalmente crianças pequenas);
  • Pessoas que dormem no mesmo dormitório se o doente morar em área fechada (albergue, alojamento, quartel, asilo, presídio, etc);
  • Crianças menores de 7 anos que estudem na mesma escola ou adultos que tiveram contato íntimo;
  • Exposição direta às secreções do paciente, como beijos na boca, compartilhar escovas de dente ou garrafas ou talheres sem lavar;
  • Profissionais de saúde, apenas se realizaram respiração boca a boca ou intubação oro traqueal ou aspiração de secreção de vias áreas sem o uso de máscara;
  • Contatos em aviões são todos os que se sentaram lado a lado, na frente, atrás, em um vôo de 8 horas ou mais.

Imunização contra a doença meningocócica

A Vacina quadrivalente ACWY pode ser administrada em pessoas entre 9 meses e 55 anos de idade.

Ela faz parte das vacinas pré-viagem para pessoas que viajarão para areas de grande risco, especialmente Africa. Existem tantos casos da África que a área é conhecida como ” Cinturão da Meningite”.

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Cinturão da meningite

Quimioprofilaxia

Quem tiver contato com pessoas com suspeita ou confirmação de doença meningocócica deve ser avaliada por um médico infectologista para verificar a indicação de quimioprofilaxia.

A quimioprofilaxia deve ser feita preferencialmente nas primeiras 24 horas após o contato. E depois de 2 semanas não tem nenhuma eficácia.

Fonte:

Artigo Publicado em: 31 de jul de 2017 e Atualizado em: 13 de outubro de 2020


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Dra. Keilla Freitas
CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.


https://www.drakeillafreitas.com.br/quem-somos/

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