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Corrimento: Quando Devo Me Preocupar?

Publicado: 22/07/2025


Nem sempre o corrimento é um sinal de alerta. O corrimento vaginal é uma manifestação comum e, em muitos casos, faz parte do funcionamento normal do corpo. No entanto, alterações na cor, no cheiro, na quantidade ou consistência podem indicar quadros de infecções que merecem atenção, especialmente quando há outros sintomas associados.

Continue a leitura deste artigo e entenda melhor sobre quando o corrimento é considerado normal, quais são os sinais de alerta e quando procurar um infectologista para avaliação especializada.

O Corrimento Vaginal

Os corrimentos vaginais podem ser classificados em dois grupos, sendo eles o fisiológico ou seja, natural e o patológico ou seja anormal de doença. É normal que a região íntima da mulher apresente secreções naturais (fisiológicas), sendo elas:

  • Coloração transparentes ou branca;
  • Sem odor forte;
  • Sem sintomas como dor ou coceira;

A quantidade de aspecto da normalidade pode variar de pessoa para a pessoa e na mesma pessoa por diferentes como:

  • Variações naturais durante o ciclo menstrual
  • Gravidez (aumento da lubrificação)
  • Excitação sexual
  • Uso de anticoncepcionais hormonais
  • Estresse ou alterações emocionais

Já o corrimento patológico pode apresentar características como:

  • Coloração amarelada, acinzentada, esverdeada, presença de grumos como de leite coalhado;
  • Mau cheiro, às vezes bastante característicos que podem inclusive sugerir causa etiológicas e que tendem a ser ainda mais fortes após as relações sexuais
  • Textura;
  • Viscosidade

Sintomas associados podem ser

  • Coceira,
  • Ardência,
  • Dor ao urinar
  • Dor durante a penetração na relação sexual (dispareunia)
  • Dor em baixo ventre

Esses sinais podem indicar infecções causadas por bactérias, fungos ou protozoários, e merecem avaliação médica.

Principais Causas do Corrimento Vaginal

Existem diversas condições, principalmente infecciosas, que podem causar quadros de corrimento vaginal anormal.

Vaginose Bacteriana

Essa condição é causada por um desequilíbrio na flora vaginal, causado principalmente por uma bactéria chamada Gardnerella vaginalis e provoca corrimento acinzentado, fluido com cheiro forte bem característico (geralmente comparado ao odor de peixe podre) pode causar ardência ou coceira mas é raro

É comum após relações sexuais e não está ligada exclusivamente a doenças sexualmente transmissíveis.

Candidíase vaginal

Esse tipo de infecção é provocado por fungos do tipo Candida, geralmente após o uso de antibióticos, independente de sua indicação, calor e/ou umidade genitais excessivas, excesso de consumo de carboidratos simples que acabam virando açúcar no organismo ou qualquer situação que leve a baixa imunidade até mesmo o estresse físico, mental ou emocional. Pacientes diabéticos também possuem maior risco de desenvolver esta situação, inclusive de forma frequente.

O corrimento sugestivo desse agente é visto como branco espesso como nata ou com muitos grumos lembrando leite coalhado ou queijo tipo cottage. Está comumente associado a intensa coceira, ardor e vermelhidão genital e associado a sintomas intensos de coceira e irritação.

Tricomoníase

É causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis e, geralmente, apresenta um corrimento esverdeado ou amarelado, espumoso, com odor desagradável, dor ao urinar, coceira e ardência vaginal e dor durante a penetração sexual

Gonorreia

Corrimento com aspecto purulento típico em quantidade variada, frequentemente associado

Clamídia

O corrimento é geralmente discreto, mucopurulento mais silencioso em termo clínicos mas que também pode se associar a cervicite ou mesmo complicações

Herpes simples tipo 1 ou 2

Corrimento aqui pode estar relacionado ao exsudato de úlceras ou secreções associadas a inflamação sempre com a presença das lesão atípicas, vesículas ou úlceras dependendo do momento da evolução associado a dor e ardor intensos que inclusive costumam aparecer antes mesmo do surgimento das lesões.

Mycoplasma genitalium

Corrimento escasso, persistente

Ureaplasma urealyticum e Mycopalsma hominis

Mais comum em coinfecção com outros agentes.
Podem fazer parte da flora genital habitual

Actinomyces spp.

  • Muito associado ao uso prolongado de DIU, (especialmente não hormonais).
  • Corrimento purulento e fétido,
  • geralmente com sinais inflamatórios importantes.

Citomegalovírus (CMV) e outros vírus

Raro como causa de vaginite isolada, mas pode causar secreção em imunossuprimidas.

Cervicite

A cervicite é a inflamação do colo do útero. Quadro que pode estar presente junto ao corrimento vaginal anormal como aos causados por gonorréia e se apresentam da seguinte forma:

  • Ardor ou dor ao urinar quadro que pode se confundir com infecção urinária apesar de poder estar junto também
  • Dor pélvica, ou seja no baixo ventre que também pode se confundir com infecção urinária ou cólica pré-menstrual
  • Dor durante penetração sexual, ou ate mesmo sangramento após relação sexual
    Sangramentos fora do período menstrual

Infecção genital é uma IST?

Algumas são classicamente infecções de transmissão sexualmente como tricomoníase, clamídia e gonorreia, podendo ser passada inclusive em relações homossexuais femininas. Elas podem ficar muitos anos colonizando o organismo de forma totalmente assintomática ou mesmo causando inflamação de forma mais subclínica, ou seja pouco ou nenhum sintoma por um período até aparecer os sintomas relacionados já às suas complicações

Além disso existem outras que podem sim ser transmitidas pela via sexual mas que não precisam desse histórico para ocorrer pois podem ocupar a própria microbiota do organismo. exemplos desse grupo são candidíase, vaginose bacteriana, Ureaplasma urealyticum e Mycoplasma hominis

Pare de estigmatizar que corrimento vaginal tem a ver com falta de higiene ou com estilos de vida sexual de risco.

Causas de corrimento vaginal anormal não infecciosos

  • Fístulas vaginais
    • corrimento com odor fecal ou urinário
  • Corpo estranho vaginal
    • causa mais comum em meninas ou idosas
  • Neoplasias cervicais ou vaginais
    • corrimento serossanguinolento, fétido
  • Atrofia vaginal
    • vaginite atrófica em pós-menopausa
    • corrimento amarelado e sangramento leve

Complicações

  • Doença inflamatória pélvica
    • Inflamação do tubo e útero
  • Diminuição da fertilidade
    • risco aumentado de gravidez ectópica
  • Infertilidade
  • Complicações da gestação
    • Parto-prematuro (antes do tempo com graves risco ao bebê)
    • Baixo peso ao nascer,
    • Ruptura prematura de membranas levando a infecções e parto prematuro
  • Aumento do risco de câncer cervical
    • Especialmente em quem já está infectado pelo vírus HPV
  • Aumento do risco de pegar ISTs outras como HIV

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por meio de uma anamnese detalhada e exames físicos ginecológicos. Mas a confirmação do agente etiológico só é feita através da coleta de secreções para análise e identificação do agente.

Exames complementares como exames de imagem, devem ser solicitados quando necessário especialmente na suspeita de complicações ou para exclusão de diagnósticos diferenciais.

Sempre que houver o diagnóstico de uma possível ISTs deve-se realizar rastreio para todas as demais ISTs, independente da presença ou não de outros sintomas associados.

Com o diagnóstico fechado é possível realizar o tratamento adequado para cada tipo de infecção

Tratamento

O tratamento é dirigido ao agente em específico, podem ser com antimicrobianos endovaginais, orais, ou mesmo endovenosos e o tempo varia conforme o agente e gravidade do caso.

O tratamento do parceiro é fundamental nos casos das etiologias sabidamente de transmissão sexual mas em caso de outras que estejam sendo de repetição ou de difícil controle deve-se considerar também tratar o parceir@ independente del@ apresentar sintomas ou não

O exame direcionado do parceiro é interessante mas não para indicar o tratamento uma vez que pode ter resultados falso negativos especialmente se estiver com pouco ou nenhum sintoma.

Como Prevenir Os Corrimentos Infecciosos

Existem algumas medidas simples que podem ajudar a evitar o surgimento de corrimentos anormais como:

  • Fortalecer sua microbiota genital
    • Evitar o uso de antibióticos sempre que possível
    • uso de probióticos específicos
    • Suplementação de vitaminas se indicadas
    • Fortalecimento do sistema imune (regularizar sono, dieta, ativudade fisica, saúde mental)
  • Mudanças na vida sexual
    • Uso de preservativos durante as relações sexuais
    • Testar periodicamente você e seu parceiro para ISTs
  • Mudanças na dieta
    • Evitar carboidratos simples
    • Tomar bastante líquido
    • Cuidar da saúde intestinal ingerindo bastante fibras
  • Mudanças no guarda roupa
    • Usar calcinhas de algodão
    • Abolir o uso da calcinhas sintéticas
    • Dar preferência para roupas ventiladas,
    • Evitar ficar com roupas íntimas molhadas ou úmidas por muito tempo como roupas de banho
  • Mudanças na higiene íntima
    • Evitar utilizar protetores diários prolongadamente.
    • Durante a menstruação, evitar usar absorvente íntimo interno por longos períodos,
    • Não dormir nem tomar banho com absorventes íntimos internos
    • Evitar duchas vaginais
    • Evitar sabonetes agressivos,
    • Evitar perfumes íntimos
    • Avaliar a real indicação de sabonetes íntimos – eles podem agredir mais a mucosa ou prejudicar
    • ainda mais a microbiota natural de proteção
    • Não lavar região genital após urinar

Quando Procurar um Infectologista

O acompanhamento com um médico infectologista de sua confiança é indicado sempre que houver corrimento com odor forte e alteração de cor, febre, coceira, dor, ardência ao urinar ou ao ter relações sexuais.

Além disso, mulheres com baixa imunidade, que fazem uso prolongado de antibióticos ou com histórico de ISTs devem manter acompanhamento mais próximo, principalmente se houver repetição dos sintomas, mesmo após tratamento, infecções recorrentes ou de difícil controle.

Detectar uma infecção logo no início é essencial para evitar complicações, como infertilidade e dor crônica. Se você apresenta sintomas ou tem dúvidas, consulte um infectologista.

Mais informações sobre este assunto na Internet:

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Dra. Keilla Freitas é pessoalmente responsável pela adaptação, curadoria e produção dos textos presentes neste site, além de sua manutenção financeira. Este site é orientado ao público leigo e as informações contidas na homepage têm caráter informativo e educacional. O seu conteúdo jamais deverá ser utilizado para autodiagnóstico, autotratamento e automedicação. Em caso de dúvida, o médico deverá ser consultado, pois, somente ele está habilitado para praticar o ato médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.
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