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Queimaduras por águas-vivas e caravelas

Queimaduras por águas-vivas e caravelas
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Queimaduras por águas-vivas e caravelas são frequentes no verão

Mudanças climáticas levando ao aumento de temperatura dos oceanos pode levar ao aumento das águas-vivas e caravelas nas praias, aumentando acidentes com banhistas.

As águas-vivas e caravelas são animais marinhos cobertos por células que injetam toxinas. O veneno, que serve para paralisar a presa, não é fatal aos seres humanos, mas provoca dores, fisgadas, irritações na pele, cãibras e sensação de queimadura.

Águas-vivas: são gelatinosas, com aspecto de guarda-chuva ou prato. Possuem tentáculos urticantes. Nadam na água, geralmente em grupo e, em sua maioria, são pequenas e inofensivas.

Caravelas: têm o corpo gelatinoso, de cor roxo-azulada, com uma parte semelhante a uma bexiga, vísivel acima da linha da água. Os tentáculos podem ter até 30 metros e são muito urticantes.

Queimaduras por águas-vivas

Como podem ser as queimaduras por águas-vivas e caravelas:

Dor:

  • Variam desde uma suave irritação ou ardência até  queimaduras com dor pulsátil ou latejante;
  • A dor pode ficar restrita à área do contato, ou irradiar para virilha, abdome ou axila;
  • As dores podem ser tão fortes que vítima pode desmaiar;
  • O tempo dos sintomas pode variar de 30 minutos a 24 horas.

Lesão:

  • A área que entra em contato com os tentáculos geralmente torna-se hiperemiada (vermelha);
  • Podendo surgir placas urticariformes lineares;
  • Erupção inflamatória;
  • Flictênula;
  • Edema (inchaço);
  • Pequenas hemorragias na pele e até mesmo necrose.

Gravidade

Acidentes leves:
  • As lesões costumam regredir após 24 horas, deixando lesões eritematosas lineares que podem permanecer por meses.
Acidentes  graves:
  • Cefaleia, mal-estar,
  • Náuseas, vômitos,
  • Câimbras,
  • Rigidez abdominal,
  • Diminuição da sensação de temperatura e toque,
  • Dor lombar grave,
  • Espasmos musculares, perda da fala,
  • Sialorreia (aumento da produção de saliva),
  • Sensação de constrição na garganta,
  • Dificuldade respiratória,
  • Arritmias cardíacas,
  • Paralisia,
  • Delírio e convulsão.
  • A morte pode ocorrer por efeito da intoxicação, que gera insuficiência respiratória e choque, ou por anafilaxia.

 

Os tentáculos de algumas espécies podem atingir uma distância considerável do corpo do animal.

Mesmo aparentemente mortas e jogadas na praia, águas-vivas e caravelas têm tentáculos que podem grudar na pele e infligir graves lesões.

Roupas de neoprene evitam a inoculação da toxina.

Cobrir o corpo com óleo somente evita que os tentáculos preguem na pele. 

Todas as águas-vivas são capazes de causar algum dano, porém apenas algumas espécies são realmente perigosas, como as vespas-do-mar.

Queimaduras por águas-vivas

O que fazer em caso de queimaduras por águas-vivas e caravelas:

  • A vítima deve manter a calma e sair da água o mais rápido possível.
  • Não se deve tentar remover os tentáculos aderidos com as próprias mãos.
  • Em terra, faça a remoção cuidadosa dos tentáculos aderidos à pele, sem esfregar a região atingida.
  • Sempre use luvas na remoção dos tentáculos aderidos à pele da vítima.
  • Os tentáculos podem estar ainda carregados de veneno e inocular a toxina nas mãos do socorrista, fazendo dele outra vítima.
  • Lave abundantemente com água do mar.
  • Não utilize água doce, pois ela poderá estimular mais descarga da toxina
  • É importante estar atento para a vítima que é resgatada da água em estado de euforia e com grande movimentação e que, de repente, torna-se calma e cooperativa.
  • Esta mudança brusca de comportamento pode significar uma séria manifestação de disfunção do Sistema Nervoso Central chamada choque neurogênico, causada pelo aumento nos níveis de intoxicação sistêmica.

Como retirar os tentáculos das águas-vivas e caravelas:

  • Não tente, de modo algum, remover os tentáculos aderidos com técnicas abrasivas, como esfregar toalha, areia ou algas;
  • Banhe a região com ácido acético a 5% (vinagre) por 10 minutos para desativar os tentáculos ainda íntegros e neutralizar a ação da toxina;
  • Remova suavemente os restos maiores dos tentáculos aderidos com a mão enluvada e com o auxílio de uma pinça.
  • Para retirar os fragmentos menores e invisíveis corte o pelo do local com um barbeador ou com uma lâmina afiada.
  • Pode-se aplicar espuma de barbear em spray, sem esfregar a região;
  • Lave mais uma vez com água do mar e reaplique novos banhos de ácido acético a 5% (vinagre) por 30 minutos;
  • Alguns autores demonstram que o resfriamento do local da lesão com bolsas de gelo reduz a dor local, enquanto outros contraindicam este procedimento.
  • A dor é, em geral, controlada por meio do tratamento da dermatite e com analgésicos sistêmicos;

 

Fonte:

 

 

 

 

 


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CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

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