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Doença de Chagas: saiba mais

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A doença de Chagas é uma infecção causada por um protozoário flagelado chamado Trypanosoma Cruzi.

Suas maiores manifestações são doenças gastrointestinais e cardiomiopatias.

Esta última leva, muitas vezes, à insuficiência cardíaca refratária, uma das principais indicações de transplante cardíaco nos países endêmicos.

Modo de transmissão

A infecção é geralmente transmitida através das fezes infectadas do vetor barbeiro.

Essas fezes são depositadas pelo vetor durante sua refeição e posteriormente inoculadas através da ferida em pele ou membrana mucosas.

A transmissão pode ocorrer também por transmissão vertical (de mãe para filho), transfusão de sangue, acidentes laboratoriais, transplante de órgãos sólidos por doador infectado e ingestão de alimentos ou líquidos contaminados.

Epidemiologia

  • A difusão da doença pelo mundo se deve a três principais fatores:
  • Exposição dos moradores rurais às várias picadas do barbeiro infectado ao longo dos anos,
  • Êxodo rural que trouxe os moradores das áreas rurais para as áreas urbanas
  • Migração de pessoas dos países da América Latina, onde a doença é endêmica, para os países desenvolvidos.

Transformando esta doença em um problema mundial.

Sabe-se que o barbeiro vive nas rachaduras das paredes das casas de pau a pique (casa rústica cuja parede é feita de paus entrelaçadas cobertos com lama) e telhados de palha.

A Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) realizou esforços para erradicação da transmissão por vetores domésticos em países da América latina.

Com isso houve um aumento da proporção da transmissão vertical atualmente estimada em 26% das novas infecções.

A prevalência global estimada de pessoas infectadas caiu de 18 milhões de pessoas em 1991, para 5.7 milhões em 2010.

Contudo ainda é uma doença que traz muitos prejuízos humanos e econômicos para os países da América Latina, com anos de vida perdidos por incapacidade, cerca de 7,5 vezes maior que a malária.

Como o T. cruzi se reproduz

O barbeiro ingere o parasita quando se alimenta do sangue do ser humano ou outos mamíferos.

Uma vez dentro do inseto, o T. cruzi vai caminhando pelo sistema gastrointestinal e vai se diferenciando até sair pelas fezes do barbeiro.

O barbeiro libera suas fezes enquanto se alimenta do sangue do mamífero.

Depois que o barbeiro vai embora, quando o mamífero coça a área da picada, é que acaba jogando as fezes infectadas para dentro do organismo.

Uma vez dentro do hospedeiro (ser humano ou outros mamíferos) o parasita entra nas células e tecidos, principalmente músculos como o do coração.

Nas células, ele se multiplica até sair e cair na corrente sanguínea ou infectar novas células.

Fases e sintomas da doença de Chagas

O período de incubação (tempo entre o momento da infecção e o início dos sintomas) varia de acordo à via de transmissão.

  • Transmissão pela fezes do barbeiro entrando pela picada: cerca de 1 a 2 meses
  • Transmissão por transfusão de sangue: pode chegar a mais de 4 meses.

Alguns dos sintomas de fase aguda podem ser:

  • Inchaço e dor no local por onde o T. cruzi entrou,
  • Manifestações graves como as miocardites agudas e meningoencefalite (são raras, ocorrem em cerca de 1% dos casos),
  • Sintomas inespecíficos e brandos como febre,
  • Mal estar geral,
  • Hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e baço),
  • Alterações no hemograma (aumento dos linfócitos)
  • Também podem ser totalmente assintomáticos.

Casos de transmissão oral (como beber o suco da cana moída com o barbeiro infectado) parecem ter maior incidência de manifestações agudas mais graves.

A fase crônica começa quando a quantidade do parasita no sangue diminui, isso costuma ocorrer após 8-12 semanas da infecção.

Mas as pessoas infectadas seguem transmitindo a doença, mesmo na fase crônica e assintomática.

Além disso, o barbeiro, uma vez infectado, transmite a doença pelo resto de sua vida.

Transmissão vertical (de mãe para filho)

“Aproximadamente de 1-10% das crianças nascidas de mães infectadas pelo T. cruzi, já nascem infectadas.

A sua maioria são assintomáticas ou apresentam sintomas inespecíficos, mas nos casos sintomáticos podem apresentar baixo peso ao nascer, hepatoesplenomegalia, anemia, meningoencefalite e insuficiência respiratória com alto risco de mortalidade.

As que sobrevivem tem as mesmas chances de complicações crônicas que os indivíduos que se infectam quando adultos.

Quando a doença pode se reativar

  • Infecção pelo vírus HIV,
  • Transplante de medula óssea,
  • Tratamento de câncer
  • Transplante de órgãos sólidos (após o transplante de órgãos, a pessoa deve receber vários medicamentos que enfraquecem o seu sistema imune para não rejeitar o órgão recebido, isso a deixa suscetível a várias infecções graves

Tratamento da doença

O tratamento da doença aguda tem altas chances de cura, mas é raro fazer o diagnóstico nessa fase.

O tratamento da fase de reativação tem ótima resposta.

Já o tratamento na fase crônica tem poucas chances de resposta e é controverso.

Quando indicado as opções de tratamento são:

  • Benzonidazol
  • Alopurinol

Referências:


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CRM-SP 161.392 RQE 55.156-Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.

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