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Dengue: O que fazer nos primeiros sintomas?

Publicado: 26/08/2025


Se você também quer saber como reconhecer e agir em um quadro de dengue, fique comigo. Eu já te adianto que dá para fazer muita coisa.

Olá, sou a Dra. Keilla Freitas – sua infectologista e neste blog eu te ajudo a entender sobre as infecções.

A gente não pode perder o medo do que nos parece comum. Apesar da grande maioria das infecções por dengue evoluírem bem, sem maiores problemas, existem, sim, casos graves que podem matar. Apesar de terem, sim, situações de maior risco para isso, qualquer um, até mesmo jovens sem doenças, podem ter complicações ruins e aquilo que você fizer nos primeiro dias pode definir se terá ou não complicações.

A dengue está longe de acabar e graças a fatores como mudanças climáticas e aumento de mobilidade das pessoas, o mosquito aedes viajou e prosperou em outros locais, como sul da Europa, dos Estados Unidos, do Japão e da China. Não é mais uma doença restrita a alguns países tropicais. Ela está se espalhando de forma dramática pelo mundo.

Olhem só esses dados que são super recentes: em 2024, o mundo registrou um recorde, com mais de 14 milhões de casos e 9 mil mortes. Isso é o dobro de 2023 e doze vezes mais do que em 2014. A dengue se tornou uma ameaça global, o que reforça a importância de estarmos bem informados, independentemente de onde moramos, por isso, já compartilhe este artigo com seus amigos.

Como agir em um quadro de dengue

A primeira coisa é suspeitar de que pode ser dengue e para reconhecê-la precisamos entender melhor como são os sintomas. A dengue tem três fases bem definidas. A primeira é a fase febril, que dura, em média, de três a sete dias. É a fase que a gente reconhece com mais facilidade: a febre sobe de repente e vem acompanhada de dor de cabeça forte, dor atrás dos olhos, dores pelo corpo todo, cansaço extremo e, às vezes, manchas vermelhas na pele que podem coçar bastante e se confundir com quadros alérgicos.

Nessa fase, a coisa mais importante a se fazer é se hidratar e não é aquela hidratação de quando a gente vai para um lugar quente ou está fazendo atividade física não. É hidratação para valer, de 3 a 6 litros de líquido por dia. Pode ser água, soro de reidratação oral, sucos naturais, água de coco, chás claros. Evitar bebidas açucaradas, refrigerantes ou energéticas. Idealmente, de forma fracionada ao longo do dia para não aumentar desconforto ou náuseas.

A hidratação na dengue é fundamental para prevenir complicações, uma vez que mantém o sangue menos concentrado, que é um dos principais fatores que aumenta o risco de complicações, além de manter uma circulação eficaz do sangue em todo o corpo, evitando queda de pressão e falência de órgãos. Além disso, uma hidratação adequada ajuda a dar conforto, diminuindo mal-estar, dores de cabeça, entre outros sintomas dessa fase.

Quando a febre começa a baixar, a doença ainda não está indo embora, estamos entrando na 2ª fase da doença e é justamente aí que está o maior período, quando o paciente começa a se sentir melhor é que inicia-se a fase mais crítica. Ela acontece, geralmente, entre o terceiro e o sétimo dia a partir do início dos sintomas.

Nessa segunda fase ou fase crítica, acontece o vazamento de plasma do sangue para o espaço entre as células. Como resultado, o sangue fica mais concentrado. A gente consegue ver isso por meio de um exame de sangue bem simples, o hemograma, observando o aumento de um índice chamado hematócrito. O valor normal do hematócrito varia, mas se ele aumenta 20% ou mais em relação ao seu valor inicial, é um sinal de alerta de concentração do sangue e necessidade de hidratação intravenosa, ou seja, internação hospitalar

Outra coisa que acontece nessa fase é a queda das plaquetas, um exame que também faz parte do hemograma, e uma das células que ajudam na coagulação do sangue, ou seja, evitando sangramentos. Na dengue, elas podem cair bastante, com riscos, inclusive, de sangramento espontâneo, como em gengivas, nariz, ou mais graves, como intestinais. Muitos pacientes nessa fase, internar apenas para observação das plaquetas.

Um dos pacientes que atendi com quadro de dengue este ano ilustra bem essa evolução da doença. Era um paciente jovem que chegou no consultório com todos os sintomas clássicos de dengue: febre alta, dor de cabeça, dores no corpo. A gente fez o diagnóstico e como o quadro era estável, ele foi para casa com todas as orientações de hidratação e cuidados.

No quinto dia, ele me ligou animado: “Dra., a febre baixou, as dores passaram. Acho que o pior já foi.” Eu o parabenizei, mas insisti: “Ótimo, mas agora é a hora de fazer o exame de controle.” E o resultado do hemograma me fez ligar para ele imediatamente.

A febre tinha ido embora, mas as plaquetas dele tinham caído drasticamente, chegando a 20.000/mm³. O hematócrito dele também tinha subido bastante. O que isso significa? Mesmo se sentindo bem, ele estava na fase mais perigosa da doença, com um risco alto de quadro grave como os sangramentos.

Ele foi internado imediatamente. Não existe um antiviral específico para dengue, mas a internação, nesse momento, é fundamental para fornecer ao paciente o suporte necessário. Iniciamos para este meu paciente uma hidratação venosa intensa, com litros de soro fisiológico pela veia. A hidratação vigorosa evita complicações graves, como choque, falência renal e falência de outros órgãos vitais.

Também não existe um remédio específico para estimular a produção de plaquetas, mas caso houvesse um sangramento, uma transfusão de plaquetas seria necessária e para fazer isso dentro do prazo seguro é fundamental já estar em ambiente hospitalar.

No caso, o meu paciente não chegou a necessitar de transfusão de plaquetas, pois teve apenas um sangramento nasal de pequena quantidade, nada grave que indicasse a transfusão, mas, com certeza, tudo seria muito muito mais intenso e estressante se ele estivesse em casa.

Ele ficou alguns dias internado, sob a nossa vigilância. Graças à hidratação adequada, o corpo dele conseguiu lutar sem maiores problemas e as plaquetas subiram aos poucos, e ele recebeu alta sem nenhuma complicação grave.

O que essa história nos ensina? A dengue é uma doença que exige acompanhamento. O perigo não está na febre, mas no que acontece por dentro, que a gente não consegue pensar com os sintomas. Esse quadro todo pode acontecer ainda em vigência da febre ou depois que ela vai embora. A questão é que mesmo se sentindo melhor, o acompanhamento e a realização de exames de sangue – especialmente, o hemograma – precisa continuar, estando o paciente internado ou em casa.

Então, para fechar este meu recado, guarde o seguinte:

  • Suspeitou de dengue – procure um serviço de saúde ou um médico e sua confiança já nos primeiros sintomas para tentar confirmar o diagnóstico;
  • Hidrate-se intensamente desde o início de qualquer quadro viral, mas com a dengue, esta hidratação deve ser ainda mais intensa, de 3 a 4, 6 litros de líquido por dia;
  • Não subestime a doença! Mesmo que os sintomas melhorem, o risco maior pode estar começando;
  • Siga as orientações médicas e faça os exames de controle, principalmente o hemograma, para monitorar as plaquetas e o hematócrito. O diagnóstico e o acompanhamento correto fazem toda a diferença;

Não perca a oportunidade de se vacinar contra a dengue, preferencialmente antes de ficar doente, mas se pegou dengue, procure um médico de sua confiança e converse com ele sobre o melhor momento para vacinar-se. Pegar dengue uma vez não te protege de pegar os outros subtipos e a cada dengue que se pega, maiores são as chances de complicações graves.

Compartilhe este artigo com aquela pessoa da qual você se lembrou enquanto estava lendo, vamos espalhar informação de qualidade.

E escreva aqui nos comentários, você já pegou dengue? Como foi para você? Precisou ficar internado? Foram quantos dias de cama?

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Dra. Keilla Freitas é pessoalmente responsável pela adaptação, curadoria e produção dos textos presentes neste site, além de sua manutenção financeira. Este site é orientado ao público leigo e as informações contidas na homepage têm caráter informativo e educacional. O seu conteúdo jamais deverá ser utilizado para autodiagnóstico, autotratamento e automedicação. Em caso de dúvida, o médico deverá ser consultado, pois, somente ele está habilitado para praticar o ato médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.
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