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Vírus Herpes Simples Tipo 1 e 2

Vírus Herpes Simples Tipo 1 e 2 podem provocar lesões em qualquer parte do corpo.

Contudo, há predomínio do tipo 2 nas lesões genitais e do tipo 1 nas lesões periorais.

Como se transmite:

  • Contato direto por relação sexual

Não é apenas uma Infecção Sexualmente Transmissível  (IST). Existem outras formas de transmissão do vírus, geralmente por contato direto com a lesão.

A pessoa pode ser portadora do vírus sem nunca ter desenvolvido lesões.

Apesar da transmissão ser mais importante durante o contato direto com as lesões, relações sexuais sem preservativo com pessoas portadoras, mesmo sem lesões, também podem causar infecção.

O uso do preservativo evita a transmissão sexual sem as lesões, mas não previne a transmissão por relação se houver lesões visíveis.

  • Contato direto pelo beijo

Apenas se tiver lesões visíveis (a saliva em si não é um material infectante)

  • Contato indireto através do compartilhamento de objetos de uso comum

– Utensílios de cozinha sem lavar

– Beber na mesma garrafa

– Usar o mesmo objeto

Esse tipo de transmissão ocorre apenas se houver lesões visíveis.

  • Transmissão vertical  (de mãe para filho durante a gestação)

Não precisa de ter lesões visíveis, mas geralmente ocorre apenas quando a gestante tem a primeira infecção durante a gestação.

Saiba mais sobre herpes gestacional e herpes neonatal aqui.

  • Transmissão perinatal

Ocorre de mãe para filho quando o bebê passa pelo canal do parto (parto normal), e a mãe possui lesões ativas neste momento.

Como fazer o diagnóstico:

Apenas entre 13% e 37% dos portadores desenvolvem alguma lesão em algum momento da vida.

O diagnóstico da lesão não pode ser feito por exame de sangue.

Exames de sangue determinarão apenas que a pessoa teve contato com o vírus (exames sorológicos) ou que possui vírus circulando no sangue (testes moleculares).

Os anticorpos específicos contra o herpes costumam aparecer no sangue após 12 semanas do contato.

Mas uma pessoa pode ter tido contato com o herpes há muitos anos sem nunca ter apresentado lesões.

É por isso que a suspeita diagnóstica se faz pelo puro exame físico e a confirmação apenas por exame da lesão.

Vírus Herpes Simples Tipo 1 e 2
Exemplos de lesões pelo Vírus Herpes Simples Tipo 1 e 2

 

Tipos de Infecção:

  • Primária
  • Não primária
  • Recorrente

Infecção primária:

Primeiro aparecimento de lesões em indivíduos que nunca tiveram contato com o herpes simples tipo 1 (HSV-1) ou herpes simples tipo 2 (HSV-2).

O período entre o contato com o vírus e os sintomas da primeira crise é de 4 dias em média (entre 2 e 12 dias).

Infecção não primária:

Aparecimento de lesões referentes ao herpes tipo 1 em indivíduo que já possui anticorpos para herpes do tipo 2 ou vice-versa.

Suspeitamos do diagnóstico quando indivíduos com história prévia de lesões em orais aparece com lesões genitais ou vice-versa.

Infecção recorrente:

Novo aparecimento de lesões ou novo aumento de vírus no sangue após a primeira infecção, sendo o vírus de mesmo tipo que a infecção anterior.

 

Sintomas:

Apresentação sub-clínica

87,4% das infecções pelo vírus herpes simples não apresentam sintomas.

O número de vírus do herpes simples 1 e 2 aumenta no sangue sem a presença de lesões na pele.

O indivíduo pode não tomar conhecimento da infecção ativa, mas pode transmiti-la, principalmente em casos de relação sexual sem preservativo.

 

Infecção primária (primeira infecção):

O quadro se inicia de 2 a 12 dias (no geral 4 dias) após o primeiro contato com vírus.

O quadro pode se iniciar com febre, mal-estar, dor de cabeça ou mialgia (dor muscular).

Disúria (dor para urinar), com ou sem retenção urinária (especialmente nas mulheres).

A dor e/ou coceira local começam antes do aparecimento das lesões.

Linfadenopatias (ínguas ou aumento dos gânglios) aparecem em 50% dos casos. Elas podem aparecer de um só lado ou ambos. Elas rapidamente evoluem para vesículas (bolinhas) sobre base eritematosa (vermelhas), muito dolorosas e de localização variável.

O conteúdo dessas vesículas é geralmente citrino (como água), raramente turvo.

Quando há acometimento do colo do útero, é comum o corrimento vaginal, que pode ser abundante.

Entre os homens, o acometimento da uretra pode provocar corrimento uretral e raramente é acompanhado de lesões extragenitais.

O quadro pode durar de duas a três semanas.

Após a infecção genital primária pelo Vírus Herpes Simples Tipo 1 e 2, o vírus ascende pelos nervos periféricos sensoriais, penetra nos núcleos das células dos gânglios sensitivos e entra em um estado de latência.

A ocorrência de infecção do gânglio sensitivo não é reduzida por qualquer medida terapêutica.

Primeira infecção em portadores de HIV:

Entre as pessoas com infecção pelo HIV, as manifestações tendem a ser dolorosas, atípicas e de maior duração.

Em geral, é uma manifestação mais severa caracterizada pelo surgimento de lesões eritemato-papulosas de um a três milímetros de diâmetro.

 

Vírus Herpes Simples Tipo 1 e 2
Exemplos de lesões pelo Vírus Herpes Simples Tipo 1 e 2

Infecção não primária

Após a infecção genital primária por HSV-2 ou HSV-1, respectivamente, 90% e 60% dos pacientes desenvolvem novos episódios nos primeiros 12 meses, por reativação viral.

As infecções seguintes costumam apresentar menos sintomas gerais que a primária.

Apresenta sintomas basicamente locais com menos lesões que a primeira.

É comum iniciar com quadro de dor local antes do aparecimento das lesões.

Infecção recorrente (herpes simples de repetição)

Quantidade de lesões e quadro clínico são mais brandos que as primeiras. O tempo do quadro também é menor. Em geral dura de 2 a 5 dias, mesmo sem tratamento específico.

Fatores que podem aumentar o risco de novas crises:

  • Exposição a radiação ultravioleta,
  • Traumatismos locais,
  • Menstruação,
  • Estresse físico ou emocional,
  • Depressão,
  • Insônia,
  • Uso prolongado de antibióticos (imunodeficiência),
  • Tratamentos que diminuem a imunidade, como comprimidos de corticoides ou imunossupressores,
  • Outras causas de imunodeficiência.

O tratamento de uma crise não diminui o risco de novas crises.

Não existe vacina para prevenção.

O uso de remédios profiláticos são adotados em último caso, uma vez que a profilaxia é feita com o mesmo remédio do tratamento com uma dose menor.

Essa medicação, pode ser tóxica para o organismo e o seu custo-benefício deve ser muito bem avaliado.

Na maioria das situações, o tratamento dos fatores que levam à queda da imunidade, como o tratamento da ansiedade e depressão, é a melhor estratégia para prevenção das crises.

Outras apresentações do herpes simples:

Gengivoestomatite

Causado pelo HSV-1.

Frequentemente vistos em crianças, quando os anticorpos recebidos pela mãe diminuem.

A infecção se dá pelo contato com saliva de crianças ou adultos infectados.

O quadro se inicia geralmente após 6 a 8 dias do contato, com os seguintes sintomas:

  • Febre
  • Faringite
  • Gengivite
  • lesão vesicular em pele ou mucosas
  • A dor causada pelas lesões dificultam a mastigação e deglutição de sólidos e líquidos

Esta apresentação é menos frequente em adultos, mas quando aparece, se manifesta de forma grave e dura de 2 a 8 dias.

Exemplos de Gengivoestomatite – apresentação do HSV-1 (Fonte: MedScape)

Paroníquia herpética

Ocorre quando a infecção do herpes se desenvolve em fissuras na pele da unha ou dedo.

Pode ocorrer tanto como manifestação da primeira infecção quanto pródromos (sintomas prévios) aos quadros de surto).

Pode ser também uma complicação de gengivoestomatite quando uma criança com lesões ativas chupa o dedo.

  • Sintomas parecidos a gripe
  • Linfadenopatias (ínguas)
  • Edema (inchaço)
  • Eritema (vermelhidão)
  • Dor em queimação
  • Aumento da sensibilidade da área atingida
Exemplos de Paroníquia herpética. (Fonte: MesdScape)

Tratamento:

O vírus não tem cura, o tratamento é apenas da crise.

Complicações do Vírus Herpes Simples Tipo 1 e 2:

Complicação mais comum é a infecção secundária.

Bactérias próprias da pele entram na pela lesionada pelo herpes e causam quadros infecções que podem ser exuberantes.

O tratamento antibiótico nestes casos é mais importante que o próprio tratamento da crise herpética.

Exemplos de infecção bacteriana secundaria em pacientes com herpes simples

Complicações mais raras:

  • Meningite
  • Encefalite
  • Retenção vesical
  • Proctite (mais frequente em homens que fazem sexo com homens)
  • Mielite transversa (ocorre apenas em imunocomprometidos, mas é rara)
  •  Herpes gestacional e Herpes neonatal

Infecção pelo herpes simples no sistema nervoso:

Meningite herpética:

Meninge é uma membrana que reveste o cérebro e a medula espinhal (que fica dentro da coluna).

Meningite é a inflamação da meninge

Ela pode ter várias causas: fungos, vírus, bactérias

O vírus do herpes simples tem uma grande atração por células nervosas e em sua fase de latência (fase assintomática da doença), costuma ficar alojado nas raízes nervosas.

A meningite viral asséptica é geralmente causada pelo HSV-2 e se apresenta com:

  • Fotofobia (olhos se incomodam com a luz)
  • Meningismo
  • Cefaleia (Dor de cabeça)

85% das pessoas com diagnóstico de meningite por herpes tiveram lesões de herpes pelo menos 1 semana antes do evento.

Diagnóstico definitivo é feito através da análise do liquor.

Encefalite herpética:

Causada geralmente pelo HSV-1, que causa alteração na função cerebral, podendo causar:

  • Febre alta incontrolável
  • Dor de cabeça
  • Vômitos
  • Convulsões
  • Déficit focais (parecido ao de um infarto cerebral)
  • Perda de memória
  • Transtornos psiquiátricos

Diagnóstico deve ser realizado pela análise do líquor.

 

Fonte:

 

 

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Dra. Keilla Freitas
Dra. Keilla Freitas
Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.
http://www.drakeillafreitas.com.br/

2 thoughts on “Vírus Herpes Simples Tipo 1 e 2

    1. Varia de pessoa para pessoa mas em geral com algumas semanas já é suficiente, contudo o IgM é o primeiro a aparecer e quando o IgG já está positivo o IgM ainda está presente. Com o passar do tempo os níveis de IgM vão abaixando até ficarem negativos e os IgG vão subindo.

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