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Sintomas da AIDS

Last updated on novembro 25th, 2017 at 06:00 pm

Sintomas da AIDS

A queda brutal de mortes relacionadas ao HIV, que vimos desde a sua descoberta, foi devido ao desenvolvimento dos Tratamentos Antirretrovirais – TARV.

Nos últimos anos, porém, o número de mortes relacionadas à AIDS não tem se reduzido. Isso ocorre porque grande parte dos casos são diagnosticados em etapas avançadas da infecção.

Pacientes que já iniciam o tratamento em fase AIDS têm maior risco de morte, mesmo quando a carga viral já está indetectável.

Em estudo recente com mais de 55 países, evidenciou-se que mais de um terço (37%) dos diagnósticos de HIV realizados em 2015 foram feitos já em fase AIDS.

Pacientes em fase AIDS têm risco de morte aumentado mesmo após o início do Tratamento antirretroviral – TARV.

Outra tendência preocupante em países com programas de tratamento de HIV de longa data, como no Brasil, é o número crescente de abandono do tratamento, sendo que estes pacientes só retornam após o início da fase sintomática da AIDS.

Mas afinal, o que é AIDS?

Apesar da AIDS ser uma sigla que significa “Síndrome da Imunodeficiência Adquirida”, ela está relacionada exclusivamente ao vírus HIV. Ela é definida como número de células linfócitos CD4 abaixo de 200.

Linfócitos CD4 são umas das células do nosso sistema imune, atacada pelo Vírus HIV (o normal é acima de 500).

Mas também consideramos AIDS quando existe no paciente com HIV alguma doença que demonstra imunidade muito baixa.

Quanto tempo leva para o aparecimento dos Sintomas da AIDS ?

O tempo entre a infecção pelo Vírus HIV e o aparecimento da AIDS varia totalmente de pessoa para pessoa.

O desenvolvimento da AIDS também varia em cada indivíduo.

Ela também pode levar de menos de 1 ano a mais de 15, sem tratamento antirretroviral para se desenvolver.

Sintomas da AIDS

Uma pessoa pode estar em fase AIDS sem apresentar nenhum sintoma. Além disso, nenhum sintoma é exclusivo de pessoas que estão com AIDS.

No entanto, se uma pessoa ainda não possui diagnóstico de HIV e apresenta alguns dos sintomas abaixo, o HIV é uma das primeiras coisas que deve ser descartado.

  • Alterações de pele
  • Infecções bacterianas graves múltiplas ou de repetição (Exemplos: Sepse por Salmonella recorrente, Pneumonia bacteriana recorrente)
  • Diarreia crônica
  • Neoplasias (cânceres)
  • Infecções Oportunistas – IO’s (Sintomas relacionados de acordo ao agente e ao local do corpo acometido)
  • Caquexia
  • Lipodistrofia

Alterações de pele

  • Foliculite eosinofílica

São pápulas ou pústulas, que coçam e se localizam principalmente no couro cabeludo, face, pescoço e parte superior do tronco.

  • Prurigo nodular

São nódulos pruriginosos, firmes, múltiplos, tipicamente localizado na superfície extensora das extremidades.

  • Molusco Contagioso

Pequenas pápulas avermelhas na pele, às vezes formam eczemas ao redor das lesões.

  • Xerose (pele seca e escamosa)
  • Angiomatose basilar

Sintomas da AIDS – Diarreia crônica

Diarreia = mudança da consistência (pastosas, líquidas) ou aumento da frequência das evacuações (3 vezes ou mais em 24 horas)

Diarreia crônica = Diarreia com mais de 30 dias de duração

As causas de diarreia crônica associadas a AIDS são basicamente:

  • Infecciosas (Exemplos : Citomegalovirus, Herpes Simples, SalmonellaYersiniaShigella, Campylobacter, Histoplasma, Tuberculose, Cryptosporidium, MAC, Isospora, Clostridium, ou Microsporidiu)
  • Neoplásicas (Exemplos: Sarcoma de Kaposi no intestino, Linfoma intestinal)
  • Medicamentosas (Exemplos: antirretrovirais)
  • Síndrome de má absorção
  • Deficiência de Zinco

Sintomas da AIDS – Neoplasias (cânceres)

Pessoas portadoras de HIV, mesmo com CD4 em níveis normais, possuem risco aumentado de desenvolver vários tipos de cânceres.

De fato, após a era dos antirretrovirais, as neoplasias passaram a ser uma das maiores causas de morte em pessoas portadoras do vírus HIV.

Apesar de não estarem restritas a pessoas na fase AIDS, a baixa imunidade extrema está diretamente relacionada a uma maior incidência de neoplasias e piora o prognóstico nestes pacientes.

  • Sarcoma de Kaposi
  • Linfoma
  • Mieloma Múltiplo
  • Leucemia
  • Câncer invasivo de colo uterino
  • Câncer de próstata
  • Câncer de testículo
  • Carcinoma de células escamosas
  • Melanoma
  • Tumores neuroendócrinos
  • Câncer de mama (o risco não é maior, mas o prognóstico é pior)
  • Câncer de cabeça e pescoço (2 a 3 vezes mais risco)
  • Pulmão (risco 2 a 4 vezes maior que pessoas não portadoras de HIV com as mesmas condições)
  • Câncer conjuntival (risco aumentado em todas as condições de imunossupressão, especialmente em pacientes com fatores de risco: idosos, exposição a raios ultravioletas, infecção prévia por HPV)

 

Além disso, a coinfecção do HIV com outras infecções aumenta o risco de desenvolvimento das mesmas para lesões cancerígenas.

Exemplos:

  • Contato prévio com Herpes vírus humano tipo 8  (HH8-8) + HIV = Sarcoma de Kaposi, Linfoma, Doença de Castleman
  • Contato prévio com Vírus Epstein Barr + HIV = maior risco de linfoma
  • Papiloma Vírus Humano (HPV) + HIV = maior risco de carcinoma invasivo de colo uterino, genital (pênis e vulva), anorretal
  • Hepatite crônica B ou C + HIV = Maior risco de câncer de fígado

Sarcoma de Kaposi

Não é exclusivo de pacientes com AIDS, mas passou a ser icônico após o início da epidemia.

Era chamado de “Câncer gay”. Pois a primeira coisa que chamou a atenção da comunidade científica para a nova doença, foi o aumento da incidência de um câncer outrora raro e visto principalmente em idosos, em homossexuais masculinos jovens.

Na era pré-Tratamento antirretroviral, era uma doença muito estigmatizante, pois acomete a pele com grande frequência. Mas o Sarcoma de Kaposi atinge não apenas a pele. Ele pode também acometer vários órgãos, o que piora muito o prognóstico, principalmente pela sua alta disposição a sangramento.

As lesões do SP podem ser muito típicas, geralmente arroxeadas, em placas, não coçam e não doem. Contudo, em qualquer lesão cutânea em paciente com CD4 baixo, que não melhora, deve ser realizada biópsia e excluído sarcoma de kaposi ou outras neoplasias.

O SK tem tratamento com radio e quimioterápicos, mas o primeiro deles é com os antirretrovirais para aumentar a imunidade. Algumas vezes, um ARV é o único tratamento necessário para curar o SK.

Sintomas da AIDS – Infecções oportunistas (IO’s)

Infecções Oportunistas são infecções causadas por micro-organismos que só conseguem causar infecções em pessoas com imunidade muito baixa.

 

  • Candidíase (orofaringe, esôfago, Vulvovaginite, Balanitis, mucocutâneas, mastite, corrente sanguínea, hepatoesplênica, disseminada, Trato urinário, olhos, articulação, pulmão, meningite, endocardite, peritonite, empiema, mediastinite, pericardite, trato gastrointestinal)
  • Infecções graves por CMV

 

Infecções oportunistas, de acordo ao valor de CD4:

Pessoas com linfócitos CD4 abaixo de 200 são mais propensas a infecção oportunista. Mas, quanto menor o CD4, maior o risco de complicações relacionadas à AIDS e mais graves são os eventos.

Qualquer nível de CD4
  • Tuberculose – Pacientes que vivem com HIV, mesmo com CD4 em níveis normais e Carga Viral indetectável, possuem 32 vezes mais risco de desenvolver infecção ativa por Tuberculose.
Pessoas com contagem de CD4 < 250 cell/microL
  • Infecções por Coccidiomycosis (reativação ou primeira infecção)
Pessoas com contagem de CD4 < 200 cell/microL
  • Pneumonias por Pneumocistose – Pneumocystis jiroveci
Pessoas com contagem de CD4 < 150 cell/microL
  • Histoplasmosis (disseminada ou extra pulomonar)
Pessoas com contagem de CD4 < 100 cell/microL
  • Toxoplasmose (em pacientes com AIDS, é muito comum a reativação no sistema nervoso central, causando quadros parecidos com os de derrame cerebral)
  • Cryptococcus (em paciente com AIDS, é comum a meningoencefalite com altas pressões intra-cerebrais)
Pessoas com contagem de CD4 < 50 cell/microL
  • Mycobacterium avium complex (MAC)
  • Infecções graves invasivas por Citomegalovírus – CMV (Trato gastrointestinal, Sistema nervoso central, olhos)

A importância da profilaxia contra as infecções oportunistas

Foi realizado um estudo abarcando 4 países da África (Uganda, Zimbábue, Malawi e Kenia). Neste estudo foi oferecido um pacote de antibióticos para pacientes em fase AIDS.

O acompanhamento mostrou que, em 24 semanas, houve uma redução de 27 % nas morte entre aqueles que receberam o pacote, comparado aos que não receberam.

Diagnóstico e Tratamento precoce como forma de prevenção da AIDS

A maior forma de prevenção das complicações relacionadas à AIDS é o diagnóstico precoce do HIV.

Todos devem realizar exames para o diagnóstico de HIV periodicamente, independentemente de sua conduta de risco.

Claro que pessoas com condutas de risco devem realizar os exames mais frequentemente, a cada 6 ou 3 meses.

Fonte:

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Dra. Keilla Freitas
Dra. Keilla Freitas
Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.
http://www.drakeillafreitas.com.br/

12 thoughts on “Sintomas da AIDS

  1. Dra sobre acidente de trabalho com agulha realizada via intramuscular devo repetir os exames até quanto tempo? Paciente hiv negativo

  2. doutora gostaria de saber se para fazer o teste elisa quarta geração temho que pedir ao laboratório pq onde moro so fazem os testes rapidos

  3. Teste Elisa 4ª geração após 7 anos do contato de risco negativo. Posso ficar tranquilo?

  4. Transei c uma mulher hiv+ carga viral indetectavel em dez/2016. Fiz teste rápido em junho/2017 e deu negativo. Fico despreocupada?

  5. boa tarde Dra!
    passei por uma situação de risco homem mulher, sem ejaculação paramos no meio e recebi sexo oral, agora tive minha 2 convulsao em dois meses de diferença, e estou com o colo rosa.
    ja fiz varios exames de hiv 4 geracao todos negativos o ultimo com 93 dias, oque devo fazer? posso para de me preocupar?

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