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Infecção urinária associada à sonda vesical

Infecção urinária associada a sonda vesical

Last updated on janeiro 22nd, 2018 at 02:15 pm

Infecção urinária associada à sonda vesical

A Infecção Urinária é uma infecção muito frequente em pacientes internados em hospitais ou que recebem algum tipo de cuidado de saúde domiciliar.

A Infecção Urinária associada à sonda vesical corresponde a 12 % de todas as infecções hospitalares.

Cerca de 12 a 16% de todos os pacientes internados em hospital, independente do motivo ou comorbidades, terão infecção Urinária em algum momento de sua internação (CDC)

De 70 a 80% das infecções urinárias em pacientes internados ocorrem devido ao uso de sonda vesical.

A sondagem vesical ou cateterização vesical é um tubo flexível que se coloca pela uretra para drenar a urina desde a bexiga.

Infecção urinaria e cateter vesical
Infecção urinária associada à sonda vesical

Tipos de sonda vesical

Sonda Vesical Alívio – SVA

(Coloca-se apenas para esvaziar a urina e depois é retirada)

O cateter para este tipo de procedimento não possui o balãozinho para “prendê-lo na bexiga”.

Vantagens da sondagem vesical de alívio:

  • Não tem tempo hábil para a disseminação e colonização de bactérias nas paredes no tubo, consequentemente, não está tão associada a infecção urinária quanto à sonda vesical de demora

Desvantagens da sondagem vesical de alívio:

  • Maior custo (para cada procedimento deve-se utilizar um novo cateter)
  • Maior risco de trauma na uretra se necessitar ser passado várias vezes

Sonda vesical de demora – SVD

(A SVD é chamada Sonda Foley, ela permanece na bexiga por um período indeterminado)

Este tipo de cateter possui um balão em sua extremidade que fica dentro do corpo.

É um sistema fechado cuja extremidade externa está ligada a uma bolsa coletora de urina, uma vez que toda a urina produzida pelos rins não mais se acumularão na bexiga.

Essa estrutura deve ser preenchida com ar após a cateterização para manter a ponta do dispositivo na bexiga, impedindo-o de sair, mesmo se tracionado (puxado).

Infecção urinaria e sonda vesical
Infecção urinária associada à sonda vesical

Vantagens da sonda vesical de demora:

  • Menor custo, pois um mesmo dispositivo pode durar mais tempo
  • Menor trauma uretral referente à passagem do mesmo
  • Ideal para pacientes graves, nos quais é necessário a quantificação do volume urinário

Desvantagens da sonda vesical de demora:

Sempre que for possível, deve-se priorizar a sondagem vesical de alívio.

Outros problemas da Sondagem Vesical não relacionadas à infecção

  • Uretrite não infecciosa da uretra (inflamação não infecciosa da uretra)
  • Estenose uretral
  • Trauma mecânico
  • Deficiência de mobilidade

Infecção urinária associada à sonda vesical

Consideramos que a Infecção do Trato urinário – ITU está associada ao cateter vesical quando os sintomas iniciais ocorrem a partir do segundo dia da colocação do cateter ou até o dia seguinte de sua retirada.

O que aumenta o risco da Infecção urinária associada à sonda vesical

  • Idosos
  • Homens
  • Neutropenia (numero baixo de neutrófilos – um tipo de glóbulos brancos do sangue)
  • Doença renal crônica
  • Diabetes Mellitus
  • Colonização bacteriana no saco de drenagem
  • Tempo de sonda

Muitas pessoas que precisam utilizar uma sonda vesical necessitam transitoriamente (apenas por um tempo e não por toda a vida).

Mas este tempo pode variar muito de acordo ao motivo da sondagem.

A cada dia de uso da SVD, o paciente aumenta o seu risco de sofrer infecção urinária em 3 a 7%.

A incidência de bactéria na urina de uma pessoa em uso de SVD é de 3 a 10% para cada dia com a sonda.

Isso significa após 10 dias com uma SVD, 100% dos pacientes já terão alguma bactéria na urina.

10 a 25% das pessoas com bactéria na urina devido à SVD, desenvolvem ITU em algum momento.

  • Erros na cateterização

– Higienização inadequada da área genital na hora de colocar o cateter ou da drenagem do cateter

– Higienização inadequada das mãos antes de manipular o sistema de drenagem

– Deixar o sistema de drenagem aberto ou com vazamento

– Deixar a bolsa de drenagem no chão

 

Infecção urinária associada à sonda vesical – Complicações

  • Prostatite (acometimento da próstata)
  • Epididimite (acometimento do epidídimo – estrutura que fica junto ao testículo)
  • Orquite (acometimento do testículo)
  • Cistite (acometimento da uretra/bexiga)
  • Pielonefrite (acometimento dos rins)
  • Infecção generalizada
  • Endocardite (infecção dos músculos do coração)
  • Osteomielite vertebral (infecção dos ossos das vértebras)
  • Artrite séptica (infecção das articulações)
  • Endoftalmite (infecção dentro dos olhos)
  • Meningite bacteriana 
  • Aumento do tempo de internação Hospitalar com todas complicações que isso pode acarretar.
  • Tratamento inadequado de bacteriúria assintomática associada a cateter vesical aumenta risco de colite por clostridium e de colonização por bactéria multirresistente

Infecção urinária associada à sonda vesical – Como prevenir

  • Evitar o uso da SVD, dando preferência à sondagem de alívio sempre que possível
  • Usar a SVD pelo menor tempo possível
  • Evitar o uso inadequado de antibióticos (não tratar bacteriúria assintomática)
  • Controle da Diabetes Mellitus
  • Técnica adequada de higienização na colocação, drenagem e manutenção da sonda
  • Manter o paciente hidratado, da melhor maneira possível

 

Referências:

 

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Dra. Keilla Freitas
Dra. Keilla Freitas
Residência médica em Infectologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com complementação especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Paulo); Pós-Graduação em Medicina Intensiva pela Universidade Gama Filho; Graduação em Medicina pela ELAM, com diploma revalidado por prova de processo público pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso); Experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com exposição ao risco de infecção hospitalar; Vivência em serviço de controle de infecção hospitalar, interconsulta de pacientes cardiológicos e imunossuprimidos pós-transplante cardíaco no InCor (Instituto do Coração) ; Gerenciamento do atendimento prestado aos pacientes internados em quartos e enfermarias, portadoras de doenças crônicas e agudas com necessidades de cuidados e controles específicos.
http://www.drakeillafreitas.com.br/

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