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Hepatite C: o que você precisa saber

Last updated on novembro 14th, 2017 at 12:33 pm

Hepatite C: O que você precisa saber

A hepatite C é silenciosa e pode ficar anos sem manifestar sintomas até chegar a fase graves da doença.

Por isso, é fundamental a realização de testes sorológicos específicos para as hepatites virais, mesmo que o paciente esteja assintomático.

Em caso de teste positivo ou dúvidas quanto aos resultados, um médico infectologista deverá ser consultado.

Estima-se que a tipo C seja a responsável por 350 e 700 mil mortes por ano no mundo.

No Brasil, são registradas cerca de três mil mortes associadas à hepatite C.

Transmissão da Hepatite C

Uma pessoa não precisa ter sintomas da doença para poder transmitir a infecção.

Materiais que podem transmitir hepatite C:

  • Sangue
  • Leite materno
  • Fluidos sexuais (incluindo secreção vaginal, esperma, líquido pré-ejaculatório)

O que é exposição ao risco para hepatite C

  • Receber transfusão de sangue ou seus derivados
  • Receber transplante de órgãos de pessoas portadoras do vírus
  • Corte ou furo na pele com objeto contaminado como agulhas
  • Exames ou procedimento invasivos que tenham contato direto com mucosas ou causem cortes com materiais não adequadamente esterilizados (colonoscopia, endoscopia, procedimento dentário, etc)
  • Compartilhamento de escovas de dente (não pela saliva, mas por pequenos sangramentos gengivais que podem ocorrer durante a escovação)
  • Compartilhamento de alicates de unha, lâminas de barbear ou depilar, mesmo sem presença de sangue visível.
  • Realização de Tatuagens ou colocação de piercings
  • Relação sexual desprotegida
  • Transmissão vertical (transmissão da mãe para o filho durante a gestação)
  • Leite materno (lactância materna de mãe com vírus ativo)

Quem deve fazer o teste para hepatite C

Todas as pessoas devem ser testadas para a hepatite C, independente de sintomas prévios ou exposições de risco, principalmente se nunca foram testadas na vida.

Contudo, algumas pessoas possuem risco aumentado de se infectar.

Quem tem maior risco de se infectar pela hepatite C

  • Quem fez alguma cirurgia, transfusão de sangue, transplante ou uso de seringas não descartáveis, antes de 1993
  • História de irmãos ou mãe com diagnóstico de hepatite C
  • Parceiros sexuais infectados pela hepatite C
  • Pessoas infectadas pelo HIV
  • Uso prévio ou atual de terapia de substituição renal (hemodiálise)
  • Contato prévio de mucosas (boca olhos, região genital)
  • Realização de procedimentos odontológicos ou médicos sem adequadas normas de biosegurança
  • Uso prévio de drogas injetáveis com compartilhamento de seringas
  • Compartilhamento prévio de canudinho para o uso de cocaína

Diagnóstico da hepatite C

A janela imunológica da hepatite C (tempo que leva desde o primeiro contato com o vírus até conseguirmos realizar o diagnóstico) varia de acordo ao tipo de teste utilizado (saiba mais sobre a Janela Imunológica das Hepatites Virais aqui)

Teste rápido:

São teste que apresentam resultados em até 20 minutos. Feitos a partir de pequenas quantidades de sangue, plasma ou fluido oral.

Testes sorológicos:

Testes sorológicos são testes de imunoensaios que identificam anticorpos que nosso organismo produz ao entrar em contato com o vírus da hepatite.

Este teste se torna reagente (positivo) de 2 a 6 meses após a infecção aguda.

Teste sorológico (Anti-HCV) reagente ou positivo não significa doença ativa. Ele permanece positivo mesmo após a cura da infecção.

Testes sorológicos reagentes não definem doença ativa e não possuem valor para avaliação de reposta ao tratamento.

Testes sorológicos falso negativos:

Pessoas com imunidade muito baixa como transplantados ou em pessoas em fase AIDS podem ter teste sorológicos negativos mesmo com vírus da hepatite C circulando no sangue.

Para estas pessoas, testes moleculares podem ser solicitados para definição diagnóstica, mesmo que os testes sorológicos estejam negativos.

Testes moleculares:

São testes que identificam material genético do vírus no organismo (HCV-RNA). Ou seja, define se existe vírus circulando no sangue (infecção ativa).

O HCV-RNA já pode ser identificado no sangue com 2 semanas após a exposição.

Este tipo de teste é usado para confirmação diagnóstica e para controle de tratamento.

Evolução da hepatite C

Quando uma pessoa se infecta pela hepatite C, podem ocorre as seguintes possibilidades:

  • Infecção aguda pela hepatite C
  • Combate do sistema imune ao vírus com resolução da infecção, mesmo sem tratamento específico
  • Permanência do vírus no organismo

Hepatite C aguda

A pessoa que acabou de se infectar pela hepatite C, muitas vezes não apresenta qualquer sintomas de infecção crônica.

Pessoas que apresentam sintomas de infecção aguda têm maior possibilidade de realizar o diagnóstico.

Mas os sintomas podem ser muito inespecíficos e acabam independente da resolução da infecção pelo organismo.

Definição de hepatite C aguda:

  • Pessoas com anti-HCV não reagente no início dos sintomas ou no momento da exposição e anti-HCV reagente na segunda dosagem, realizada com intervalo de pelo menos 90 dias entre os exames
  • Pessoas com anti-HCV não reagente ao início dos sintomas e detecção do HCV-RNA em até 90 dias após o início dos sintomas ou a partir da data de exposição, quando esta for conhecida.

Sintomas da infecção aguda

Os sintomas da infecção aguda pela hepatite C, quando surgem, costumam aparecer entre 6 e 20 semanas após a exposição

Sintomas típicos:

  • Colúria (urina escura)
  • Acolia (fezes claras)
  • Icterícia (pele e olhos amarelados)

Estes sinais e sintomas não são específicos da hepatite C. Na verdade podem estar presentes em qualquer processo de lesão aguda intensa ao fígado.

Sintomas inespecíficos de hepatite aguda:

  • Prurido (secundário à icterícia ou às lesões de pele)
  • Mal estar geral
  • Vômitos
  • Diarréia
  • Febre
  • Rash (lesões vermelhas na pele)

Não ter sintomas não exclui o diagnóstico de hepatite aguda, mas na presença dele, o diagnóstico dever ser descartado.

Resolução da fase aguda

Tratando ou não a hepatite C no momento da fase aguda, os sintomas se resolvem.

Quando há sintomas de fase aguda, eles podem levar até 6 meses para desaparecer, mas geralmente isso ocorre em até 12 semanas.

Se o organismo conseguir combater e controlar o vírus da hepatite C, a pessoa fica curada. Isso pode ocorrer entre 25-50% dos casos.

Se o organismo não conseguir combater o vírus, os sintomas de fase aguda se resolvem, mas a doença passa para sua fase crônica

Fatores que aumentam a possibilidade de cura espontânea da hepatite C:

  • Idade inferior a 40 anos
  • Sexo feminino
  • Aparecimento de icterícia
  • Fatores genéticos

Hepatite C crônica:

Hepatite crônica é quando o vírus da hepatite C ainda circula pelo sangue mesmo após 6 meses do contato inicial;

Como muitas pessoas não apresentam sintomas de hepatite aguda, ou apresentam apenas sintomas brandos inespecíficos, na maioria das vezes o diagnóstico da hepatite C é realizado já na fase crônica.

Exames gerais como os realizados durante check-Up não fazem o diagnóstico da hepatite C. É preciso fazer exames específicos.

Sintomas da hepatite C não relacionadas ao fígado

  • Crioglobulinemia

É uma vasculite (inflamação dos vasos sanguíneos). Ela pode ser encontrada em até 50% dos pacientes portadores de hepatite C , mas apenas 5% dos infectados apresentam sintomas importantes da mesma.

Sintomas de crioglobulinemia:

-Petéquias,

– Neuropatia periférica,

– Problemas renais,

– Artrite (dor nas juntas)

Os sintomas relacionados a crioglobulinemia não têm relação com a gravidade da doença do fígado.

  • Alterações nos rins (glomerulonefrite)
  • Porfiria cutânea tarda

  • Síndrome de Sjogren

  • Alterações da tireoide
  • Líquen plano

  • Linfoma de células B
  • Úlceras nos olhos
  • Poliarterite nodosa
  • Anemia

Complicações da hepatite C crônica

Uma pessoa pode ser portadora da hepatite C por muitos anos e ainda assim não saber que tem a doença.

O tempo que transcorre entre o primeiro contato com a hepatite C e o desenvolvimento da cirrose hepática varia de pessoa para pessoa.

Algumas pessoas levam menos de 20 anos para desenvolver cirrose enquanto outras levam 50 anos ou mais.

Uma pessoa com cirrose do fígado pode não apresentar sintomas, se esta estiver compensada.

Mas existem varias complicações relacionadas à hepatite C.

Cirrose hepática

Cerca de 20% das pessoas com hepatite C crônica chegam À fase de cirrose hepática em 20 a 30 anos de infecção.

O fígado possui uma grande capacidade de regeneração quando machucado.

A cirrose ocorre quando a agressão aos hepatócitos (células do fígado) é muito intensa ou por um longo período ao ponto de superar sua capacidade de regeneração.

A degeneração dos hepatócitos altera a arquitetura do fígado prejudicando a irrigação sanguínea e a síntese de proteína levando a uma cicatrização do órgão.

Essas cicatrizes são compostas por fibras, a chamada fibrose hepática.

A pessoa pode permanecer sem sintomas por muitos anos até começar a apresentar sintomas das complicações da hepatite.

Por outro lado, uma pessoa pode ter cirrose hepática sem apresentar nenhum sinal ou sintoma (cirrose hepática compensada)

Sintomas de cirrose hepática

  • Icterícia
  • Prurido
  • Eritema palmar (palmas das mãos avermelhadas)
  • Sangramento digestivo alto
  • Melena (saída de sangue digerido pelas fezes)
  • Enterorragia (saída de sangue vivo pelas fezes)
  • Perda de massa muscular
  • Ascite (liquido abdominal)
  • Anasarca (inchaço generalizado) / Edema (inchaço localizado)
  • Derrame pleural (liquido no pulmão)
  • Encefalopatia hepática (delirium) – quadro grave e rápido de alteração da consciência.
  • Falência do rim
  • Aumento das mamas (ginecomastia)
  • Atrofia (redução do tamanho) dos testículos
  • Varizes em cabeça de medusa

Dieta do paciente cirrótico:

Pessoas com cirrose descompensada, como aqueles que já apresentaram sangramento digestivo, devem ter cuidados especiais com a dieta:

  • Diminuição da ingesta de sódio (sal) – até 1,5 g /dia
  • Dieta rica em carne branca (peixe, peru, frango)
  • Restrição de líquidos (alguns casos, apenas 1,5 litro/dia)

O que deve ser considerado para a realizar a orientação dietética no paciente cirrótico:

  • Gravidade de doença
  • Presença de doença descompensada (água na barriga,água no pulmão, sangramento do intestino, confusão mental, etc)
  • Níveis de sódio no sangue
  • Níveis de proteína no sangue
  • Funcionamento do rim

Fatores que aceleram a progressão para cirrose hepática:

  • Idade superior a 40 anos no momento da infecção
  • Sexo masculino
  • Etilismo
  • Outras infecções associadas como hepatite B ou HIV
  • Outras comorbidades associadas como imunossupressão; esteatose hepática; resistência à insulina

Avaliação do pacientes com hepatite C:

Exames gerais de sangue

Testes que avaliam

  • Rim
  • Fígado
  • Tireoide
  • Glicemia e diagnóstico de diabetes mellitus
  • Alterações do colesterol
  • Rastreio de neoplasias
  • Níveis de vitamina D
  • Identificação de outras doenças associadas como HIV, Sífilis ou outras ISTs
  • Testes de gravidez (os esquemas de tratamento não são testados em gestantes)
  • Identificação suscetibilidade a outras infecções do fígado preveníveis por vacinas (hepatite A e B)
  • Endoscopia Digestiva

Exames de imagens como Ultrassonografias ou Tomografias

Ajudam a identificar:

  • Alterações agudas do fígado (como inchaço do órgão)
  • Alterações crônicas do fígado (como sinais sugestivos de cirrose)
  • Presença de lesões sugestivas de abscesso, câncer, entre outros.

Exames de urina

Identificam lesões agudas do rim e problemas e outros problemas como descompensação da diabetes.

Genotipagem do vírus da hepatite C

Existem vários tipos do vírus da hepatite C (Genótipo 1, 2, 3, 4 e seus outros subtipos)

A identificação do tipo do vírus da hepatite C ajuda na escolha do esquema de tratamento.

Determinação da carga viral da hepatite C

  • Faz a confirmação da doença ativa,
  • Ajuda na indicação do tratamento
  • Controle de tratamento (resposta terapêutica)
  • Controle de cura ou remissão de infecção após o final do tratamento
  • Identifica reativação da infecção ou reinfecção

Biópsia hepática

Este exame determina grau de inflamação e fibrose do fígado (cicatrização do fígado), além de descartar outros problemas associados, como câncer.

Ele é feito coletando-se um pedaço do fígado através de uma agulha guiada por ultrassonografia ou outro exame de imagem.

Elastografia

A elastografia hepática possui níveis de sensibilidade e especificidade significativas, com a vantagem de ser indolor e não invasivo

Além disso, é uma boa opção para pessoas que não podem realizar a biopsia, como aquelas com plaquetas baixas.

O maior problema desse exame é ser examinador dependente

Tratamento da hepatite C

Temos disponíveis no Brasil esquemas de tratamento para a hepatite C com altas taxas de cura e baixíssimos efeitos colaterais.

Para saber se o tratamento é coberto pelo Sistema Único de Saúde – SUS, é preciso estadiar o grau de evolução da doença.

O estadiamento da hepatite é feita através do exame de biópsia ou elastografia.

Se a pessoa tiver outros sinais ou sintomas que demonstram doença avançada do fígado, estes exames são dispensáveis para a liberação do tratamento pelo SUS.

Transplante hepático

 

O tratamento do vírus da hepatite C  nos casos de doença avançada, evita a evolução das lesões, mas não elimina os sintomas.

A cirrose hepática em si, não tem tratamento específico. Existe apenas controle dos sintomas.

O tratamento do vírus nos pacientes cirróticos, quando ele ainda está circulando no sangue, melhora as condições do fígado e os sintomas podem melhorar.

Contudo, um fígado já em cirrose não volta ao normal naturalmente após a eliminação do vírus.

Ou seja, o paciente melhora dos sintomas, mas não deixa de ter a indicação do transplante.

O tratamento da hepatite C no paciente que já está na fila do transplante, pode assim acabar causando transtornos ao paciente, pois não resolve o seu problema, mas atrasa o transplante, uma vez que as condições clínicas podem melhorar.

É por isso que a indicação atual quanto o inicio do tratamento da hepatite C em pacientes em fila para trasplante, é aguardar o transplante do fígado, para depois tratar a hepatite.

Acompanhamento médico durante o tratamento

Deve se realizar exames periódicos específicos para manejo de efeitos adversos ao esquema e para controle de resposta terapêutica.

 

Uma pessoa pode se reinfectar pela hepatite C ?

Sim, mesmo pessoas com resposta duradoura ao tratamento não estão protegidas de novas infecções caso tenham novo contato com o vírus.

Acompanhamento médico pós tratamento

Pessoas com lesões no fígado devido a hepatite C, possuem o risco de desenvolver câncer do fígado diminuído após a eliminação do vírus, mas ainda assim, permanecem com um risco maior dessa complicação que pessoas que nunca tiveram o vírus.

Sendo assim o acompanhamento médico com o infectologista e/ou hepatologista deve ser realizado periodicamente mesmo após a eliminação do vírus.

Prevenção da hepatite C

Não existe vacina contra a hepatite C, por isso a única prevenção é através de mudanças de estilo de vida e outros cuidados como:

  • Uso adequado do preservativo
  • Não compartilhamento de seringas e agulhas
  • Não compartilhamento de escovas de dentes
  • Não compartilhamento de lâminas de barbear ou depilar
  • Usar apenas o próprio kit para manicure
  • Usar apenas material de tatuagem descartável

 

Fonte:

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